29 de julho de 2012

Capote (2005) e Até Onde Um Escritor é Capaz de Chegar - Coluna Papel e Película


Que o americano Truman Capote foi um grande escritor, responsável por diversos sucessos literários, ninguém duvida. Tanto é que em 2005, a exemplo do que acontece com outros grandes nomes, ele ganhou uma cinebiografia. Este filme conta apenas alguns anos da vida dele, quando estava escrevendo o romance responsável por dar-lhe grande prestígio: “A Sangue Frio”.

Um crime choca uma pequena cidade do estado do Kansas. Quatro pessoas da mesma família são assassinadas e muitos jornalistas vão cobrir o ocorrido. Capote decide que fará desse crime o assunto para seu próximo livro e se envolve com as pessoas da cidade, em busca de relatos. O que sucede é impressionante: o escritor se aproxima de um dos assassinos e aos poucos vai ganhando sua confiança para obter informações. A jornada de Truman se torna sofrível à medida que o condenado nutre afeição pelo escritor, interessado apenas em seu trabalho.

A inspiração é um dos tópicos mais curiosos da escrita. Sempre é interessante descobrir de onde um autor retirou sua trama, seus cenários e personagens. Vez ou outra surge uma história inspirada em um sonho psicodélico ou um acontecimento, do presente ou do passado, que tenha ocorrido ou sido lembrado no momento certo. As crônicas surgem de observações dos fatos do dia-a-dia, enquanto romances e novelas podem sair de qualquer canto da imaginação. E quando nada disso ocorre e um fato verídico é o que inspira um livro, pode ter certeza de que o escrito atrairá ainda mais atenção.

Quem ajuda Capote nessa empreitada é a amiga de infância e também conhecida escritora Harper Lee (interpretada por Catherine Keener), que também usou experiências pessoais para escrever sua obra-prima, “O Sol é para Todos”. No entanto, os acontecimentos verídicos que Capote deseja retratar não ocorreram com ele e, muitas vezes, coletar a verdade dos fatos se torna antiético ou mesmo reprovável. Harper não se cansa de aconselhar Truman a seguir caminhos contrários e não se envolver tanto com o condenado que é sua fonte de informação.

Esta cinebiografia diferente, que conta apenas um pedaço da vida de um personagem real, sai um pouco da onda de filmes carregados de efeitos especiais e cores e nos faz pensar. Refletir sobre jornalismo e jornalistas (que sempre foram retratados como figuras dúbias), sobre mídia e processo criativo. E, principalmente, sobre ética, tão necessária a qualquer profissão. 

O filme conseguiu boas críticas e foi indicado a cinco Oscars, dando o de Melhor Ator para Philip Seymour Hoffman que, aliás, ganhou vários prêmios de interpretação naquele ano Ele perdeu quase vinte quilos para o papel e também foi produtor executivo do filme. Muitos colocam sua atuação como uma das melhores dos últimos tempos ou até mesmo da história do cinema. Para quem não conhece os hábitos de Truman Capote, assistir à película é ao mesmo tempo uma descoberta e um choque. Descoberta da personalidade de um dos mais reverenciados escritores americanos, e choque ao saber do que ele foi capaz para chegar a esse patamar.

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