1 de julho de 2012

Capitães da Areia (2011) - Coluna Papel & Película


2012 marca o centenário de algumas figuras importantes, em especial dois nomes de peso da cultura nordestina: Luiz Gonzaga e Jorge Amado. O rei do baião popularizou um ritmo alegre e animado, enquanto o escritor baiano levou parte da realidade brasileira ao mundo, tornando-se o primeiro autor best-seller tupiniquim. Se por um lado ele ajudou a reforçar o mito de que não existe pecado ao sul do equador e que o povo brasileiro é bastante “caliente”, por outro ele merece ser lembrado por ter apresentado ao Brasil algo que o país não conhecia – ou não queria ver.

Em 1938 foi publicado o romance “Capitães da Areia”, que focava a história de um grupo de meninos de rua na cidade de Salvador. Eles eram liderados pelo valente Pedro Bala e viviam de furtos e malandragens, seguindo suas próprias regras em busca da sobrevivência, mas não sem deixar de sonhar.

O foco do filme é o casal Pedro (Jean Luis Amorim) e Dora (Ana Graciela Conceição), que no livro ganha ares de triângulo amoroso, que é apenas sugerido na película, uma vez que o Professor também nutre afeto por Dora. Os outros meninos têm apenas breves participações e o próprio Padre José Pedro, que poderia ser bem explorado, possui apenas uma cena. No livro, Jorge Amado também reserva um capítulo para contar o destino de cada um dos personagens, mas na película o professor conta tudo muito rápido e destaca apenas as partes felizes.

O romance causou alvoroço quando foi lançado. Em meio ao Estado Novo, a ditadura pessoal de Getúlio Vargas, tratar meninos de rua como heróis era algo inaceitável. Pior ainda era o fato de o pai do personagem principal ter sido líder dos estivadores e responsável por várias greves. Toda e qualquer união de trabalhadores naquela época era vista como ameaça comunista. Por causa disso, inúmeros exemplares do romance foram recolhidos e destruídos pelo governo.

O filme foi dirigido por Cecilia Amado, neta do escritor, e esse foi seu primeiro trabalho no cinema. O ritmo é rápido, de modo que situações que aparecem na metade do livro já estão acontecendo quinze minutos depois de o filme ter começado. Graças a isso, muitos detalhes são suprimidos.

Sem dúvida as praias baianas utilizadas como cenário chamam a atenção por sua já reconhecida beleza. A trilha sonora, assinada por Carlinhos Brown, que este ano concorreu ao Oscar por seu trabalho no desenho “Rio”, dá também o ritmo típico baiano. A malandragem dos garotos não impede que eles sejam carismáticos, outra característica considerada típica do povo brasileiro.

Além de ser mais uma bela homenagem no centenário do autor, este filme cai como uma luva para os alunos que se veem obrigados a enfrentar a leitura do romance. Mas não se enganem: a experiência literária é bem mais completa que a cinematográfica.


4 comentários:

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