17 de junho de 2012

Quando Livros Unem Pessoas: A Loja da Esquina & Mensagem para Você - Coluna Papel & Película


Passado mais um dia dos namorados, temos a certeza de que o amor pode ser expresso de diversas formas, e uma das preferidas é através de presentes. Um campeão de vendas nessa data é o livro, perfeito para os intelectuais e cultos de modo geral. Um livro pode perfeitamente unir pessoas, e prova disso é uma história que serviu de enredo para dois filmes de romance, separados por mais de meio século, mas mesmo assim muito semelhantes.

Em 1941 o sofisticado diretor Ernst Lubitsch fez o filme “A loja da esquina / The shop around the corner”, estrelando Margaret Sulavan e o simpático James Stewart, ganhador do Oscar daquele ano. Eles são dois funcionários de uma lojinha que não se entendem durante o expediente, apesar de terem gostos em comum. Por isso participam de um mesmo grupo de troca de correspondência, e trocam cartas sem saber.

Claro que muito mudou em meio século e, em vez de trocar cartas, as personagens de Meg Ryan e Tom Hanks trocam e-mails. O problema é que eles são rivais nos negócios: enquanto ela é dona de uma pequena e aconchegante livraria, ele comanda uma grande loja que tem de tudo para arruinar o negócio dela, o que inclusive motiva-o a tentar comprar o microempreendimento.

Curiosamente, durante as filmagens, James Stewart se apaixonou por Margaret Sullavan, mas não foi correspondido. Ela tinha sido casada com o também ator e amigo pessoal de Stewart, Henry Fonda. Em 1998 não houve nenhuma história de amor nos bastidores, mas é inegável que Tom Hanks e Meg Ryan foram uma escolha certeira. Ela era a queridinha das comédias dos anos 90 e tinha estrelado o cultuado “Harry e Sally, feitos um para o outro / When Harry met Sally” em 1989. Hanks ganhou o Oscar em dois anos consecutivos, 1994 e 1995, e se tornou também um preferido do público.

Os livros são parte crucial da história, uma vez que o grande momento do encontro se dará em uma cafeteria e o amigo por correspondência será identificado por levar um certo livro com a página marcada por uma rosa. Em 1941, o livro escolhido foi Anna Karenina, enquanto em 1998 a escolhida é a autora Jane Austen. E não é só por isso que a literatura toma contado enredo, afinal nossos protagonistas trocam cartas sobre cultura, e há jeito melhor de conhecer e se apaixonar por alguém do que descobrindo de que atividades culturais ele / ela gosta?

Como o cinema não resiste a recontar uma boa história, já foram feitas várias versões deste filme. Em 1949 foi a vez de “The Good Old Summertime”, um musical estrelando Judy Garland e Van Johnson como dois funcionários de uma loja de música. Não demorou para que a história chegasse à Broadway sob o nome “She Loves Me”. Isso na verdade foi um retorno às origens, uma vez que a história surgiu na peça Budapeste. Mais dois filmes foram feitos para a TV usando o mesmo mote, e até o cinema húngaro refilmou a história.

O primeiro se passa perto das festividades do Natal e o segundo trata de um tema tão atual quanto o futuro das livrarias (ainda mais na atualidade, com grandes lojas virtuais e comércio de e-books). Nenhum dos dois filmes aqui analisados ganhou algum prêmio de maior importância no mundo cinematográfico. No entanto, é certo que ganharam algo muito mais valioso: o carinho do público.

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