20 de junho de 2012

A Fortaleza (1986) - Cinefilia Literária (Coluna)


A Sessão da tarde da Rede Globo de Televisão é notoriamente reconhecida por muit@s saudosistas como tendo sido, principalmente na década de 80, repleta do que hoje são considerados verdadeiros clássicos para toda uma geração de cinéfil@s. Pode parecer coisa de gente que vive no passado, como alguns (mas) gostam de tachar e talvez seja, porém, é fácil desmistificar tal afirmação quando comparamos filmes daquela época com os atuais. Independentemente da memória afetiva que exista em relação aos antigos, estes novos são apenas cópias mal elaboradas e finalizadas daqueles e estou sendo benevolente quando digo isso, se formos comparar com décadas ainda mais distantes do cinema, aí então haja benevolência para suportar certos lixos denominados de filme. 

Revi este A Fortaleza (1986 - não confundir com um de 1993 estrelado por Christopher Lambert) recentemente e confesso que me surpreendi com algumas cenas violentas já passando na TV naquela época à tarde, minha memória péssima me fazia crer que isto era um fenômeno mais recente. 

Antes de continuar com minhas divagações, aí vão alguns avisos não muitos bons para quem desejar redescobrir esta obra, ou conhecê-la, dei uma busca pela internet com, talvez não tanto afinco, porém, há poucas informações sobre o filme, acredito que não tenha sido lançado em DVD ou mesmo sobre o livro que o inspirou, não encontrei versão em língua portuguesa, o que achei foi apenas a versão justamente da sessão da tarde no youtube e dublada, quase um pecado mortal para cinéfil@s mais cinéfil@s de ser, digamos assim, como eu mesma, mas, às vezes vale a pena abrir algumas exceções. 

A autora do livro, lançado em 1980, Gabrielle Lord, se inspirou vagamente numa história real acontecida em Faraday, uma comunidade do Estado de Victoria na Austrália em 1972, quando 6 meninas entre 5 a 10 anos foram sequestradas de sua escola juntamente com a professora chamada Mary Gibbs, a professora conseguiu escapar junto com suas alunas, recebendo posteriormente uma premiação por sua coragem. 

No filme a professora chama-se Sally Jones e ensina meninas e meninos de diversas idades em algum lugar que não chegamos a saber onde fica, vemos apenas imensas paisagens desabitadas com poucas casas aqui e ali e a pequena escola muito longe de qualquer uma delas, estamos acompanhando a aula, as crianças praticamente incontroláveis sem obedecer a Sally, quando uma delas está na janela e diz ter visto um “rato”. 

Bem, em alguns momentos este filme é tenso, mesmo hoje em dia, imagino como não reagia a ele quando criança, eu não lembrava praticamente de nada. Professora e alun@s são sequestrad@s por 4 homens que escondem os rostos usando máscaras de: um gato, um pato, o rato que citei no parágrafo acima e o mais temível de todos para muitas mentes inocentes e infantis, um Papai Noel! Juro que eu ri. 

Mas fora esse breve momento nada a ver da minha parte, não há motivos para riso. A situação vai se desenrolando num ritmo de tensão constante, professora e crianças que antes não tinham uma relação tão boa, vão se tornando um grupo cada vez mais coeso, elaborando formas de se livrarem dos sequestradores, trabalhando em conjunto. 

A professora verdadeiramente foi uma personagem construída para se gostar dela, ela guia as crianças da melhor maneira possível com extrema paciência e muito cuidado, zelando, mesmo numa situação grave de adversidade, pela segurança de todas. 

As crianças confrontadas pelo perigo, principalmente os meninos mais velhos, têm papel fundamental nas ações que vão ser tomadas, temos aqui luta pela sobrevivência e o quanto uma situação extrema pode modificar as pessoas e fazê-las agir de uma maneira que talvez nunca pudessem imaginar. 

Não quero estragar o filme para ninguém contando mais do que deveria, apenas ratifico minha impressão de que em anos passados as crianças (a sociedade em geral) eram mais instigadas a pensar em relação a tudo. 

A questão sobre a programação da TV brasileira é apenas uma delas, é fato que se nunca foi das melhores está cada vez mais idiotizante. A Fortaleza não caberia na mente de uma juventude que gosta e se entretém com o quê? Malhação? Sinceramente, nem imagino, só sei que ao tentar ver algum filme em qualquer horário na TV aberta hoje em dia, o que sinto é simplesmente desespero. 


Ficha Técnica 
Lançamento: 1986 
Baseado no Livro de: Gabrielle Lord 
Direção: Arch Nicholson 
Elenco: Rachel Ward, Sean Garlick, Elaine Cusick, Laurie Moran, Marc Aden Gray, Ray Chubb, Bradley Meehan, Rebecca Rigg, Beth Buchanam, Asher Keddie, Anna Crawford, Richard Terrill, Vernon Wells, Peter Hehir, David Bradshaw, Roger Stephen, Wendy Playfair, Ed Turley, Nick Waters, Terence Donovan.

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