5 de junho de 2012

Mephisto (1981) - Cinefilia Literária (Coluna)

E após um grande período de pausa nesta coluna, temos este Mephisto, sinceramente não acredito ser uma boa escolha de obra a abordar depois de um tempo considerável sem escrever, mas enfim, toda a simbologia e fatos históricos a ele associados são dignos de conhecimento e nota, mesmo as mais superficiais como estas. 


O filme Mephisto lançado em 1981, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1982 conta a história de Hendrick Höfgen, um ator ambicioso, sem medida em sua busca por reconhecimento do público. 

Já Mephisto, o livro, foi publicado em 1936 por Klaus Mann, sim! filho de Thomas Mann, conhecido escritor de diversas obras, entre elas, talvez a mais conhecida seja A Montanha Mágica. 

Segundo a famigerada Wikipedia, em sua versão inglesa (a na língua portuguesa não está tão detalhada) a ideia para o livro foi uma sugestão do autor Hermann Kesten. Ele sugeriu a Klaus escrever um tipo de sátira sobre o ator Gustaf Gründgens, ex-marido da irmã de Klaus, Erika Mann, Gustaf trabalhou por um tempo tanto com Klaus quanto com Erika, porém durante a ascensão do partido nazista na Alemanha, enquanto boa parte d@s artistas e intelectuais deixaram o País, Gustaf continuou não só a atuar como se tornou diretor do Teatro Nacional da Prússia. 

Gustaf é considerado um dos grandes atores alemães do Século XX, seu papel mais importante foi no teatro como Mefistóles na versão de Goethe para Fausto. Tal papel e peça eram admirados pelo comando do partido nazista, dessa forma Gustaf não foi impedido de encená-los durante o III Reich e sua aproximação do partido foi tamanha que ele chegou a fazer peças de propaganda para o regime de Hitler. 

Neste filme, encontramos este personagem; mesmo sendo uma “sátira”, Gustaf é facilmente reconhecível em Hendrick, para ele ser ator pode explicar todo tipo de comportamento, pois, não é verdadeiramente ele quem está fazendo determinada ação, mas o papel ao qual está se dedicando naquele momento pede tal tipo de postura. 

Não posso dizer que este filme tenha sido um dos que mais gostei, ou mesmo que mais me cativou, não mesmo, a forma encontrada pelo diretor István Szabó de contá-lo, carregada de metáforas e simbologias dificulta o entendimento de muitas passagens, mesmo em se tratando de um tema tão conhecido (será?) como o Nazismo. Acredito que para alguém que desconheça a maneira com que a cultura na Alemanha era tratada naquele período, ou seja, negação de tudo que fosse estrangeiro visto muitas vezes como um tipo de arte degenerativa e inferior, revalorização das raízes nórdicas daquele povo, em busca do encontro com o ser humano “superior” que eles acreditavam representar, fica difícil compreender a dificuldade em levar uma peça de Shakespeare aos palcos, ou mesmo tamanha adoração por esculturas que demonstrassem força e grandiosidade. 

Entretanto, acima de tudo o jogo que é realizado entre a figura de Hendrick/Mefistóles e a do Primeiro Ministro Alemão, numa associação clara a Hermann Göring, é a parte mais interessante da história. O Primeiro Ministro ao ver Hendrick encenando a peça no teatro se aproxima dele e o introduz como representante da cultura alemã em diversos eventos promovidos pelo Partido, inclusive em entrevistas. Então na realidade, em se tratando da obra Fausto, na qual um homem faz um pacto com tal demônio de nome Mefistóles, considerado um dos mais cruéis, tal papel caberia ao Primeiro Ministro e Hendrick seria Fausto que teria vendido sua alma ao regime nazista em troca da fama. 

Essa é uma obra que merece ser conhecida, principalmente pelos elementos apontados e temas tratados. Como disse anteriormente a dinâmica do filme em si, deixa a desejar, porém, os diversos aspectos históricos e culturais podem preencher um certo desânimo na tentativa de conhecê-la. 



Ficha técnica: 
Lançamento: 1981 
Baseado no Livro de: Klaus Mann 
Direção: István Szabó
Elenco: Klaus Maria Brandauer, Krystyna Janda, Ildikó Bánsági, Rolf Hoppe, György Cserhalmi Péter Andorai Karin Boyd, Christine Harbort, Tamás Major Ildikó Kishonti

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