11 de junho de 2012

Homem-Animal (Os Novos 52) - Crítica / Resenha

Crítica baseada nas edições de #01 a #09 de "Animal Man - The New 52"

Quando a reformulação da DC Comics foi anunciada ano passado todo mundo já sabia que a iniciativa tinha uma intenção bem mais mercadológica que qualitativa, mesmo assim eu mantive esperanças de que bons títulos surgissem. Por isso li os números iniciais dos heróis mais importantes e foram muito poucos aqueles que me agradaram.

Entretanto, quando eu expunha minhas críticas negativas aos quadrinhos DC da leva Novos 52 sempre tinha aquele que dizia; "mas você leu Homem-Animal? Porque é muito bom". Eu respondia que não, mas que faria isso em breve. 

Acabei demorando para cumprir a promessa mas finalmente consegui ler as 9 primeiras edições da série e posso dizer; é boa mesmo.

Jeff Lemire, como escritor, sabe trabalhar muito bem com os pequenos acontecimentos do cotidiano de Buddy Baker que apesar de ser super-herói consegue conquistar o leitor justamente por sua  humanidade.

O Homem-Animal é mais um daqueles super-seres que sofrem do típica vida normal, sobretudo por não integrar o alto escalão da DC. Graças a isso conhecemos um legítimo homem de família como poucas vezes se vê neste gênero com direito a brigas com a esposa e desaprovação da sogra (nada mais usual). Tudo isso descrito de uma forma muito crível, leve e divertida.

É muito interessante acompanhar o herói que, em suas fraquezas e inseguranças tipicamente humanas, é uma demonstração bem-sucedida do que poderia ser alguém normal com poderes especiais.

Entretanto o quadrinho se baseia também na lógica das capacidades do Homem-Animal que são extraídas de uma misteriosa entidade conhecida como vermelho que permeia tudo aquilo que é vivo. Assim vemos que sua filha é a encarnação mais perfeita dessa força possuindo  grandes poderes (ainda um tanto indomados) e que a entidade anti-vida conhecida como "podre" quer capturá-la para desabilitar sua rival.

Essa trama meio mística "homem-natureza" é coerente com a história de um ser-humano que usa poderes extraídos de animais, porém o modo como ela é tratada não empolga. Em vez de trabalhar um conceito como esse que poderia ser bem melhor explorado num prazo mais longo, o autor prefere jogar tudo de uma vez logo nos primeiros respiros da história, o que quebra o ritmo de credibilidade da narrativa que vinha nos ganhando pela simplicidade.

Todavia, esse pano de fundo não chega a ser ruim pois permite espaço para acontecimentos que valorizam situações mais sutis como uma excelente passagem onde certa criatura do "podre" se disfarça de um amigo da família lutando com deformações e moscas que teimam em persegui-lo.

Também não podemos esquecer da arte que realmente que consegue passar uma sensação muito boa do grotesco fazendo com que Homem-Animal tenha toda a cara de quadrinho Vertigo. 

Inicialmente os desenhos ficavam a cargo de Travel Foreman que sabia fornecer para a história um muito bem encaixado traço exótico que oscilava entre o extremamente leve e sutil ao carregado de fortes sombras. Entretanto, ele foi substituído por Steve Pugh que apesar de não ser ruim, tem uma arte que, quando comparada com a anterior, é ofuscada por não ter grande individualidade ou competência.

Foreman deu o tom do que seriam os personagens, conseguindo ótimos resultados com simples expressões faciais e corporais. Já Pugh trata os mesmos protagonistas de uma forma  muito generalista ainda que conserve o tom grotesco.

De forma geral, vemos que as primeiras 9 edições de Homem-Animal mostram um quadrinho com vários altos e baixos, mas que sempre consegue sair com um saldo positivo graças a sua trama familiar pequena, crível e muito bem resolvida e sua arte que se conserva competente; apesar de ter sido bem melhor nas primeiras edições.

Assim o título se salva justamente por ser bom. Você não vai encontrar nada de espetacular, inovador ou genial e problemas vão existir, mas vai ter uma bela história divertida que tem grandes chances de conquistá-lo. Nada que possa ser chamado de impressionante, porém em um contexto como o das HQs de super-heróis atuais, o quadrinho se destaca com folga.


(3 de 5 / Bom)


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