6 de junho de 2012

Entrevista - Lu Piras


A autora Lu (Ana Luisa) Piras é um ótimo exemplo dos escritores que vem surgindo no contexto dos novos sucessos da atualidade. Com uma história na cabeça e um word nas mãos (?!) ela  transformou sua ideia no livro Equinócio - A Primavera; o primeiro de uma quadrilogia que começou a ser publicada pela Dracaena.

Com muita simpatia, a escritora nos concedeu entrevista onde falou sobre a criação do livro, o sonho de escrever e o cenário da literatura na atualidade. Confira a conversa a seguir.


Leia Literatura: Olá Lu. Sempre é bom começar perguntando como surgiu a ideia de escrever Equinócio - A Primavera? 

Lu Piras: Olá, Ewerton! A ideia surgiu durante um passeio que eu fazia no shopping, dentro de uma livraria, enquanto passeava entre livros de arte. Vi uma capa com a escultura de Eros e Psiquê, de Antônio Canova e imaginei como seria traduzir o mito numa história de amor entre uma humana e um anjo. Foi uma ideia que me consumiu a tal ponto, que eu anotei o celular e quando cheguei em casa comecei a escrever e não parei durante 7 meses, rsrsrsr. 


O seu livro mistura é mais um a misturar romance e fantasia num mercado cheio de grandes escritores neste gênero. Além do cenário nacional, o que sua obra traz de diferencial? 


É verdade. Temos uma fonte inesgotável de histórias sobrenaturais, principalmente depois de Harry Potter e Crepúsculo. Eu me confesso dessa geração, que quis aproveitar os sucessos do momento para escrever sobre o que mais gosto de ler e de escrever, claro. Equinócio é uma série de 4 livros com uma trama bem desenvolvida que prende o leitor. Não é só uma história de amor proibido, mão se trata apenas de uma protagonista humana e, portanto, cheia de defeitos que não se sente à altura do seu protetor, o anjo da guarda Nath-Aniel. A Clara é uma personagem verossímil, aliás, como todos os outros. Há muitas histórias paralelas, intercaladas ao enredo inicial que é a pesquisa científica do pai de Clara sobre a criônica. Há assuntos que fogem um pouco ao campo da ficção, temas controversos e pertinentes. Houve muita pesquisa sobre os anjos, aos livros no Enoque, textos apócrifos sobre a origem dos nephilim e sobre os passos que a humanidade tem dado em busca da perpetuação da vida humana. Eu tentei mexer com muitos conceitos e tracei diálogos ricos de informação sobre eles, que fazem o leitor refletir. Enfim, existe romance, aventura, ação, misticismo e, claro, fantasia. Cada sequência com a sua dose de cada um destes elementos. 


Por que a escolha da fantasia e mais especificamente dos anjos para contar esta história? 

A escolha dos anjos tem a ver com a inspiração que eu tive quando vi a capa daquele livro de arte na livraria. Sinceramente, é simplesmente isso. Eu gosto do tema, existem muitas formas de abordar a magia do universo dos anjos e de relacioná-los aos problemas humanos. Eu quis realmente criar uma história que homenageasse todas as histórias de amor que já li. E, neste sentido, para mim, nada mais adequado do que falar de um amor puro como o de um anjo por uma mortal. 


Soubemos pelo seu site que você sonha se tornar escritora profissional. Mas em um mercado literário onde o autor está muito sujeito a prazos e pressões das editoras e dos próprios leitores,como conciliar o impulso de contar suas histórias com a restrição advinda da profissionalização? 

fonte; blog da autora
Eu não sei se algum dia poderei viver só de escrever. Mas, claro, desejo isso e lutarei por isso. Continuarei dando o meu melhor para cativar leitores e fazer minhas histórias num país onde não se valoriza a leitura e onde a competitividade do mercado não permite que se inclua o grande número de escritores que surgem todos os dias. O maior problema que precisamos vencer no momento, não é nem tanto a saturação do mercado. É mudar a ideia pré-concebida que no Brasil não se faz boa literatura, que o que vem de fora é sempre melhor. Isso é uma inverdade e temos muitos bons escritores de nova geração para provar. É preciso que se invista mais no autor nacional. Eu não tenho medo das dificuldades. Afinal, elas nos tornam mais fortes e valorizam quem somos. 


A recepção do público tem sido boa para Equinócio - A Primavera? 

Tendo em conta o lançamento na passada sexta-feira, dia 01/06, ainda é cedo para fazer uma avaliação. Mas quem já leu está ansioso pela continuação. 


Você é publicada pela nacional Dracaena que tem dado espaço a muitos outros autores nacionais. Como avalia o apoio que ela tem fornecido ao seu trabalho? 

A editora Dracaena tem feito um trabalho importante no mercado. Estou muito satisfeita com o resultado do meu trabalho com eles. Equinócio ficou um livro muito bonito, de muita qualidade em termos editoriais. Um capricho, desde o bom gosto da arte da capa (que reflete toda a essência da história) à delicadeza dos retoques na diagramação. Além disso, é uma editora que acompanha os passos do autor, está sempre presente, ajuda na divulgação e está em crescimento, expandido a distribuição além fronteiras. Eu considero essa editora uma família. 


Qual a sua avaliação do mercado literário nacional no gênero romance para jovens adultos? 

Eu acho que vai de vento em popa. Já ouvi falar em saturação generalizada do mercado, mas acredito que temos público para expandir muito mais. Temos espaço para todos os gêneros quando o alvo são os jovens. É um nicho de mercado cuja geração pós-Harry Potter é mais informada e interessada na cultura de entretenimento. A literatura atual provou que é um bom divertimento. 


Pesquisas tem apontado que o brasileiro está lendo menos. Como você acha que esta realidade triste para todos nós, envolvidos em literatura, pode ser modificada? 
Pelas notícias que venho acompanhando através das mídias sociais, descobri que que existem muitas ações sendo realizadas para modificar esse quadro. Eu acredito que esta triste realidade já está sendo modificada, mas os resultados levam tempo para aparecer. É preciso mais programas de incentivo à leitura nas escolas, é preciso levar bibliotecas aos lugares que não têm acesso, que se discutam os valores dos impostos sobre os livros. Há muito o que se pode fazer. A começar pelo que muitos autores têm feito, palestras em escolas, feiras literárias, enfim. 


Nossa pergunta temática: Por que ler literatura? 

A literatura é a arte da escrita, de transmitir conhecimento através da imaginação. O ser humano possui uma riqueza interior que não pode se limitar a si mesmo. É preciso expressá-la. E expressá-la por meio da escrita é um dom que une as massas, aproxima as culturas, gera opiniões, que incentiva o pensamento, que move o mundo. 


Muito obrigado por ter aceito nosso convite Lu. Para finalizar fale um poucos sobre os livros seguintes da série e novos projetos que você já tenha em mente. 

Muito obrigada pela oportunidade de falar um pouco sobre Equinócio e sobre essa trajetória de publicação do meu primeiro romance. Foi um prazer responder às suas perguntas aos leitores do blog Leia Literatura, Ewerton. Aproveito para agradecê-los também, por me acompanharem ao longo desta nossa conversa e por todas as mensagens de carinho e incentivo que recebo todos os dias. Por vocês, tudo vale a pena. 

A sequência está sendo revisada com muito carinho, de modo acurado, como os leitores merecem. Sobre outros projetos, existem alguns, no entanto estou dando prioridade a esta série. Estou dando 100% de mim.

Gostou da conversa? Então aproveite para conhecer melhor a autora e porque não comprar o livro através dos links abaixo:

Autora: Twitter / Blog 

2 comentários:

  1. Adorei, Ewerton! Excelentes perguntas.

    Mais uma vez, obrigada!

    Beijocas,

    Lu

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  2. Eu que agradeço Lu.

    Beijo grande.

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