10 de maio de 2012

Razão e Sensibilidade (Jane Austen) - Crítica / Resenha

Editora BestBolso / 2001

Sinopse
Razão e Sensibilidade (1811) é a história de duas irmãs - Elinor e Marianne, respectivamente a "racional" e a "sensível"- , as quais, em razão do falecimento do pai, têm de se adaptar a um estilo de vida mais modesto, em meio a uma sociedade inteiramente dirigida pelo status social.

Quando pensamos na britânica Jane Austen é difícil não associá-la a romances nos moldes antigos do idealismo clássico com homens fortes e provedores, mulheres encantadoras e delicadas e histórias de amor dramáticas mas com belos desfechos.

O mais interessante é que todos esses elementos praticamente obrigatórios na falta de originalidade estão presentes em Razão e Sensibilidade, entretanto o livro está longe de ser digno de desqualificação por causa disto. O primeiro motivo é a velha lógica do bem feito. Poucos escritores tem a habilidade de Austen para narrar uma história boa e cheia de personagens convincentes como a dela.

O leitor não precisa de mais que alguns diálogos para compreender a personalidade que move os tipos humanos da narrativa, esses sim responsáveis pela relevância do livro em suas construções simples mas profundas. Exemplos disso são as duas irmãs protagonistas; Elinor (a razão) e Marianne (o sentimento). Ambas se caracterizam pela superficialidade de seu comportamento aparente; enquanto uma é mais prudente e escrupulosa, a outra é a sentimental e espontânea. Isso no entanto não as torna menos convincentes ou capazes de gerar a empatia dos leitores.

O motivo é que Austen tem uma habilidade ampla e inegável para conduzir a história com competência, o que se estende para sua criação de personagens concebidos com objetivos que durante o desenrolar narrativo vão se concretizando sem perder a naturalidade no processo.

Também não é possível falar de Razão e Sensibilidade sem ressaltar que o livro não se limita a ser o romance idealista bem escrito. Austen excede o gênero e surpreende o leitor em várias ocasiões com sua ironia leve mas perceptível e constante que deixa absolutamente clara a veia crítica da obra.

Apesar de ressaltar aspectos negativos e positivos gerais do gênero humano, Razão e Sensibilidade se destaca pela sua reiterada crítica a hipocrisia. Elinor consegue lidar melhor com a vida pois sabe esconder a verdade daquilo que sente mantendo as aparências, já sua irmã completamente espontânea acaba por sofrer ao se entregar de forma sincera a tudo na vida, incluindo ai um romance mal sucedido. Conclusão: uma vida calculada e menos apaixonada é mais útil e eficiente à época, o que também não deixa de ser verdade na atualidade.

O maior problema do livro, que em geral se caracteriza por não oscilar consideravelmente, é o final que acaba indo num ritmo bem mais acelerado (e atropelado) que o restante, revelando coisas demais com justificações causais de menos.

De forma geral, em Razão e Sensibilidade Austen escreve para os românticos com muito conhecimento de caso, mas abre margem também para uma nova esfera de discussão com sua crítica irônica que nunca chega a ser agressiva ou aparentemente pessimista permitindo assim que os mais idealistas (leitores famosos deste gênero) a apreciem com muito prazer.

Assim o livro pode não ter o poder de arrebatar, mas entretêm e é capaz de gerar reflexões importantes sendo uma excelente pedida para quem gosta de ler uma obra romântica muito boa no que faz e ousada o suficiente para sair de sua zona de conforto sem deixar de idealizar.





4 de 5 (Muito Bom)



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