7 de maio de 2012

O Poderoso Chefão (1972) - Coluna Papel & Película


Um clássico absoluto, um marco nas películas de gângster e presença garantida nas listas de melhores filmes de todos os tempos, “O Poderoso Chefão” é sem dúvida sinônimo de qualidade cinematográfica. A saga dos Corleone conquistou milhões e, quarenta anos após a estreia do filme vencedor de (apenas!) três estatuetas no Oscar, tal história continua a empolgar plateias do mundo todo, da mesma forma que o livro empolga.

Vito Corleone (Marlon Brando no primeiro filme e Robert De Niro no segundo) saiu da Itália ainda garoto, como um pobre órfão, e traçou um caminho que lhe permitiu ganhar tamanho prestígio que muitos iam pedir-lhe auxílio. No entanto, ele está preocupado com o futuro dos negócios, pois seus filhos não parecem estar à altura da importante herança. Sonny (James Caan) é muito esquentado, Fredo (John Cazale) é muito simplório e Michael (Al Pacino) é muito inexperiente. No segundo fime, Michael vê sua vida pessoal desmoronar conforme ele tem sucesso nos negócios que herdou do pai. Ao mesmo tempo, mas sem haver confusão, são mostrados flashbacks da vida do jovem Vito, quando ele ainda estava começando sua vida na América. 

No livro em que foi baseado, de autoria de Mario Puzo e publicado em 1969, já estavam delineadas as histórias do primeiro e do segundo filme, embora a juventude de Vito Corleone seja contada em apenas um capítulo. Ironicamente, o livro que o lançou ao sucesso internacional era o que Puzo menos gostava. Ao todo, ele escreveu onze novelas, sendo “O Poderoso Chefão” a quinta, além de dois livros de memórias. O filme segue bem a narrativa original, porém termina de uma maneira diferente e muito mais poderosa.

O jovem diretor Francis Ford Coppola foi o escolhido para dirigir o filme, não sem antes outros nomes terem sido cogitados, como o grande diretor italiano de faroestes Sergio Leone. Coppola teve vários desentendimentos com o estúdio, em especial com relação à escolha dos atores, pois foi contra todas as opções da Paramount e insistiu para que fossem contratados Marlon Brando e Al Pacino que, curiosamente, tinha avós que vieram da cidade de Corleone, na Itália. E os assuntos de família italiana não param por aí: Coppola era descendente de italianos e deu um toque nepotista ao filme, escalando sua irmã Talia Shire para o papel de Connie, sua filha Sofia, ainda bebê, para a famosa cena do batizado ao final, e seu pai Carmine para orquestrar a música.

Filmado em apenas 77 dias, a película se tornou um grande sucesso, contrariando a previsão pessimista de Coppola. Foi o maior sucesso de bilheteria de 1972, ganhou críticas positivas até mesmo de mafiosos, que gostaram de ver seu universo sendo retratado de maneira fidedigna e, com o passar dos anos, foi aclamado como um dos melhores filmes já feitos. O filme foi indicado a oito Oscars, ganhando em três categorias: Roteiro Adaptado, Filme e Ator para Marlon Brando, que recusou um prêmio mandando uma moça vestida de índia para discursar contra a violência para com os povos indígenas. A inesquecível música de Nino Rota infelizmente não pôde concorrer, pois ele aproveitou a melodia que havia composto para um filme italiano de 1942, mas o compositor foi recompensado com um Grammy pela trilha sonora.

O segundo filme, realizado dois anos depois, é considerado por muitos até superior ao primeiro. Foi a primeira sequência a ganhar o Oscar de Melhor Filme (e engana-se quem pensa que sequências intermináveis são novidade no cinema) e em mais cinco categorias: Diretor, Roteiro Adaptado, Ator Coadjuvante para Robert De Niro, Música e Direção de Arte. O terceiro filme não foi tão bem sucedido, mas mesmo assim foi indicado a sete Oscars, perdendo todos. Na época de sua morte, o autor Mario Puzo estava escrevendo um roteiro para um quarto filme da saga. 

Adorado por plateias de todo o mundo, odiado pelas pessoas mais sensíveis, “O Poderoso Chefão” é o filme definitivo do subgênero gângster e sem dúvida um dos mais importantes da história. Um livro deu origem a uma das melhores e mais famosas trilogias de todos os tempos, um verdadeiro banho de sangue com incríveis pitadas de humanidade. Por mais que citar frases de filmes seja clichê, não consigo resistir a dizer que conferir o livro e os filmes é uma oferta que vocês não podem recusar.

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