29 de maio de 2012

O Festim dos Corvos (George R. R. Martin) - Crítica / Resenha

Editora Leya

Sinopse
Continuando a saga mais ambiciosa e imaginativa desde O Senhor dos Anéis, As Crónicas de Gelo e Fogo prosseguem após o violento triunfo dos traidores. Enquanto os senhores do Norte lutam incessantemente uns contra os outros e os Homens de Ferro estão prestes a emergir como uma força implacável, a rainha regente Cersei tenta manter intacta a força dos leões em Porto Real. Os jovens lobos, sedentos por vingança, estão dispersos pela terra, cada um envolvido no perigoso jogo dos tronos. 
Arya abandonou Westeros rumo a Bravos, Bran desapareceu na vastidão enigmática para além da Muralha, Sansa está nas mãos do ambicioso e maquiavélico Mindinho, Jon Snow foi proclamado comandante da Muralha mas tem que enfrentar a vontade férrea do rei Stannis e, no meio de toda a intriga, começam a surgir histórias do outro lado do mar sobre dragões vivos e fogo... Quando Euron Greyjoy consegue ser escolhido como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objectivo declarado de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz? Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família, e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desenvencilhará de um tal enredo? A guerra está prestes a terminar mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannister, e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solenemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem sem honra. Ou não será bem assim?


Ler a série As Crônicas de Gelo e Fogo já virou uma obrigação para mim. Assim que um livro novo chega à minha cidade (com atraso sempre) eu compro sem pensar duas vezes afinal George R. R. Martin já deixou muito clara a sua inegável qualidade.

Esse O Festim dos Corvos é o típico livro que agrada leitores como eu, ou seja, pessoas já envolvidas e conquistadas pela saga. Falo isso porque em termos de qualidades cativantes que lhe são exclusivas este volume não se destaca.

Assim percebemos o Martin de sempre com toda sua perícia narrativa e capacidade de criar histórias só que sem encantar. Os personagens abordados no título não são os mais carismáticos da saga e não fazem grandes ações. As irmãs Stark por exemplo tem pouquíssima evolução acontecendo duas ou três coisas dignas de maior atenção às duas no decorrer das quase 600 páginas.

O escritor inova usando personagens passageiros para acompanhar narrativas em paralelo realizadas em locais como Dorne e As Ilhas de Ferro. Nem precisa dizer que estes indivíduos, nos poucos capítulos que aparecem, não tem grande êxito em conquistar o leitor. Entretanto são interessantes para quem quer conhecer e acompanhar a dinâmica dos sete reinos. 

O Festim dos Corvos, assim, parece uma grande desaceleração na saga que tinha em uma de suas características mais salientes o fato de ter uma profusão de acontecimentos acontecendo simultaneamente. Reflexivo, há ali interessantes elementos que provavelmente não serão absolutamente significativos no desenvolvimento da história, mas que não deixam de ser importantes para os fãs já estabelecidos.

Um destes momentos que eu mais gosto é a conversa de Brienne com um septão andarilho. Ele parece ser realmente um bom clérigo (não como os desonestos que povoam as cortes dos reis) e se demora num interessantíssimo discurso sobre como as pessoas comuns lidam com a guerra travada entre seus senhores, algo quase nunca abordado visto que os protagonistas sempre foram estes poderosos.

Até o título condiz com esta nova toada. Os corvos tem motivo para comemorar pois a guerra está praticante terminada com vários cadáveres com os quais se alimentar. Mesmo os focos de resistência são diminutos ressaltando certa melancolia em todo este processo de transição.

Desta forma, não é tão simples julgar um livro onde Martin não arrebata com grandes acontecimentos e que não encanta pela escolha de personagens (os outros aparecem em A Dança dos Dragões). Mas no geral há sim um desenvolvimento de história que eu como apreciador achei bem interessante, principalmente porque Martin não é muito bom descrever guerras e neste volume não há grande problema em evitá-las.

Assim, como disse no início desta resenha, O Festim dos Corvos é um livro para fãs da série que talvez não funcionasse bem por si mesmo, mas como parte de uma saga apresenta uma nova maneira ver a história que apesar de não arrebatar e fascinar como de hábito, enriquece a experiência como um todo.


(3 de 5 / Bom)



Leia nossas críticas dos volumes anteriores:


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