9 de abril de 2012

Ressalva - Coluna Insolência Quinzenal


No vagão a maior parte de quem por ele viaja lê. Como? Dificilmente vemos sequer três no trem em que podemos seguir viagem atitude tal tomando! Bem... Segue pois a viajar em outro país o veículo no qual seu direito tais viajantes exercem: ir e vir. Pelos Estados Unidos ou por nações européias... Enfim: tanto faz! Uma das pessoas em voz alta lê de pé como que se dirigindo para todas as outras. É difícil ter atenção a qualquer leitura com um atrapalho desse! Logo das que liam em silêncio resolve também ler igualmente se levantando com voz audível. Seguem exemplo sucessivamente mais outras. Também assim mais uma. Duas. Finalmente quase todas as leitoras. Ou são todas?

Eis uma propaganda veiculada para se contrapor aos assaltos que fiéis da cristandade praticam em nossas vias públicas com intento de converter à sua religião qualquer transeunte. Já dá para saber então que quem lê de princípio para quem quer que vá na viagem publicitária descrita vem a ser alguém que com a Bíblia prega. Todas as outras pessoas liam outros livros. Após ter de disputar a leitura feita no gogó com mais de mil vozes quem prega se cala tomando seu lugar em um dos assentos do trem.

Gosto da propaganda mas com uma ressalva.

Somos parte da cultura que chamamos ocidental. Tal sociedade se constituí de três bases: o pensamento grego com o direito romano mais a religião judaico-cristã. Portanto vamos pensar em um banquinho de três pernas: é só tirar qualquer uma destas e tentar se sentar naquele depois para resultar intentona tal numa buzanfa castigada.

Mas quê! Do chão não passa? 

Quem quer ver sua própria civilização beijar a lona vem a ser suicida.

Daí que discordo da frase veiculada no final da publicidade que diz “É só um livro” quando referência faz a Bíblia. Quantos exemplos não poderiam ser dados para referendar a minha posição! Mas um nos basta.

Comemoramos a Páscoa mais uma vez. Apesar dos ovos achocolatados ainda Deus está na pauta da festa. Libertar um povo todo de ser escravo vem a ser um grande feito. Principalmente nos tempos antigos onde deles pertencentes a maior parte dos povos não sobreviveram estes aos domínios dos impérios: entretanto temos gente judia conosco! Tudo tal povo tinha para ser mais um a fomentar somente curiosidades arqueológicas mais parolagens eruditas e todavia consegue tão-só chegar até nossos tempos: uma pequena nação que confia portanto no poder de seu Deus antes de tudo. Com loucura tamanha de crer em uma só divindade no meio de tantas quantas os imaginários humanos pudessem conceber alicerces lança para nossa civilização desde suas sagradas escrituras, obra maior não só por suas páginas religiosas mas igualmente literárias sem pares como também históricas, até na criação da cristandade, que nos seus evangelhos essencialmente dá perante todos os tempos a primeira lição de ver com igualdade todos os seres humanos por serem tais filhos de Javé.

Que me resta dizer da propaganda? Do que já foi dito não podemos concluir a minha preferência por fiéis a plenos pulmões em qualquer logradouro pregando. Por mim dito não desdigo. No máximo peço desculpas pela contradição assumida: mas não vem a ser o caso. Gosto de viagens tranqüilas sem pregações. Entretanto por tal comercial para quem observa bem pode captar nele segundas intenções. Quais são?

Os debates acirrados acerca de questões como legalizar cirurgias abortivas ou dar poder de guarda para casais homossexuais famílias constituírem fizeram o desrespeito ser prática cotidiana de militâncias ateias mais agnósticas além do já velho conhecido vindo da gentalha fundamentalista religiosa. Sinto muito: não é com ele que vamos ter honestidade para traçar bons rumos a qualquer desenvolvimento social. Portanto rebaixar a Bíblia para dar-lhe posição de mero livro só pode ser leviandade: das piores por sinal. Nem aceitando que para quem não tem fé seja posso dar colher de chá: tanto que tal publicidade se dirige para quem crê.

No mais feliz Páscoa!







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