22 de abril de 2012

O Escafandro e A Borboleta (2007) - Coluna Papel & Película


Um dos mais aclamados filmes franceses da atualidade, esta produção conta uma história que tinha tudo para ser comovente, mas é tratada ao mesmo tempo com grande humanidade e um toque de humor ácido. E isso se torna ainda mais impressionante por o filme ter sido inspirado no livro escrito pelo personagem principal.

Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) tinha tudo que um homem podia querer: um excelente emprego como editor da revista Elle, uma esposa e um filho, além de uma amante (!). Em 1995, aos 43 anos, algo muda sua vida dramaticamente: um derrame que o deixa com o corpo completamente paralisado, só restando-lhe o movimento do olho esquerdo. Sua consciência ficou intacta, mas estava aprisionado em um escafandro formado pleo próprio corpo.

Vivendo num hospital, ele precisa reaprender a se comunicar, e faz isso com ajuda da enfermeira Céline (Emmanuelle Seigner), que desenvolve um sistema para que Jean possa se comunicar através de piscadas, soletrando palavras. E ele usa essa técnica para se desculpar com alguns familiares de quem se distanciou, a exemplo do pai, interpretado por Max von Sydow, e também dita todo um livro que servivira de base para o filme.

O livro “O escafandro e a borboleta” é de leitura simples e rápida. Nele, Jean conta sobre sua vida no hospital e também um pouco dela antes do derrame. Assim como no filme, o autor não perde sua ironia, fazendo às vezes comentários sarcásticos sobre aqueles que o cercam.

Antes de escalar Amalric, o diretor Julian Schnabel havia pensado em Johnny Depp, que não pôde rodar o filme por conflitos com outras produções. Outra escolha sábia do diretor foi usar como locações os mesmos lugares em que o verdadeiro Jean-Dominique esteve, a exemplo do hospital, onde a equipe conheceu vários profissionais que tinham tratado de Jean. E não pensem que o ator principal foi o único a enfrentar uma longa preparação para o filme: o diretor, que é americano, decidiu aprender francês para realizar este projeto.

O filme caiu no gosto dos críticos e ganhou prêmios de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Direção no Globo de Ouro, além de Melhor Diretor em Cannes. Também foi indicado em quatro categorias no Oscar e venceu outros tantos festivais. Com sensibilidade e delicadeza, a produção conseguiu mostrar que nada pode limitar nossa imaginação. Ou, citando Jean-Dominique Bauby: “O escafandro já não oprime tanto, e o espírito pode vaguear como borboleta.”

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