1 de abril de 2012

Jogos Vorazes (2012) - Cinefilia Literária (Coluna)


O Leia Literatura em postagens anteriores já deixou claro que há muito mais diferenças do que semelhanças entre as obras de Stephenie Meyer (Saga Crepúsculo) e Suzanne Collins, outros tantos, blogs, sites e críticas destacam tal fato, porém, muit@s por diversas razões, insistem em compará-las, a própria indústria hollywoodiana se utiliza dessa equivocada impressão para faturar de maneira exorbitante, lógico! Mas me parece também que há um certo tipo de público verdadeiramente ávido por tais fenômenos de bilheteria, pessoas que nunca ouviram falar nos livros e que também não são cinéfilas, mas que de repente sentem uma necessidade praticamente incontrolável de irem ao cinema participar de um ritual no mínimo esquisito, filas e mais filas intermináveis de gente que se dispõe a levar crianças barulhentas causando ainda mais confusão sonora em um nível insuportável e que dentro da sala, já desde o início dos trailers parecem ter acabado de aterrissar em um planeta desconhecido.

Participar desse processo insano de aglomeração em pequenos espaços para assistir a um filme que não fazem ideia do que se trata só para “fazer parte do hype”, deve ser algum tipo de rotina para tais criaturas, é tudo que penso e me irrita profundamente, esse tipo de gente também acha que Jogos Vorazes é um novo Crepúsculo e estavam lá esperando por algo que não havia, ou seja, aquele romance sem sal e bobo de vampir@s tosc@s e lobisomens idem. Incomoda muitíssimo ver um filme com teor que no mínimo serve para reflexão, ser constantemente interrompido por gritinhos histéricos e risadas descabidas.

Dois parágrafos enormes só de reclamações, nossa como estou chata hoje...

Jogos Vorazes como se sabe faz parte de uma trilogia, as continuações no cinema já estão garantidas, o argumento não é original, há diversos exemplos, desde 1984, obra fundamental de George Orwell, de onde se originou o termo e a essência do Big Brotlher até Battle Royale, livro escrito em 1999 pelo autor japonês Koushun Takami que além de ter sido transformado em filme também tem uma adaptação para mangá em 15 volumes. Várias outras analogias que podem ser feitas, entretanto, Collins afirma ter se inspirado muito mais na história mítica de Teseu e o Minotauro, no trácio transformado em escravo Spartacus e em sua própria história familiar, povoada pelo fantasma da guerra. Contudo, a premissa de originalidade num mundo cada vez mais repetitivo não chega a ser verdadeiramente relevante quando a obra em questão merece crédito por ela mesma.

Novamente cito que o Leia Literatura já explicou do que se trata este filme e não quero me deter muito a esta parte, sabendo-se que a história se passa num território cujo governo autoritário mantém há décadas o costume de promover batalhas entre jovens de 12 a 18 anos até que apenas um(a) sobreviva, conhecemos Katniss Everdeen, a protagonista é uma adolescente de 16 anos que se vê obrigada a tomar o lugar da irmã caçula Prim, quando esta é escolhida por meio de sorteio para participar dos citados jogos, logo veio à minha lembrança que a atriz Jennifer Lawrence esteve há pouco tempo envolvida em outro papel que também fazia dela um tipo de “protetora” dos irmãos ou mesmo mãe substituta, em Inverno da Alma, filme pelo qual ela foi indicada ao Oscar. Gosto de imaginar que Jennifer mesmo tão jovem, tem 21 anos, está trilhando um bom caminho em relação às escolhas de seus papéis, mulheres precocemente fortes e determinadas naquilo que acreditam.

Apenas no que foi citado acima há uma diferença estratosférica em relação à protagonista ‘”crepuscular” e nossa Katniss, convenhamos que a Senhorita Bella é extremamente frágil e tola, Katniss é destemida, corajosa, brava, esperta e principalmente nem um pouco submissa, ela faz o que tem vontade e o que acha ser mais correto, outra diferença mais do que marcante é em relação ao talento das citadas atrizes, sorry Kristen Stewart, mas, Jennifer Lawrence lhe dá um banho de interpretação.

O elenco como um todo está bom, meu destaque vai para Stanley Tucci, excelente como o mestre de cerimônias do “show”, seria falar mais do mesmo dizer que Donald Sutherland é ótimo, mas não tenho como fugir disso e o que dizer da “persona louca” que é Woody Harrelson? Maravilhoso. Os meninos Josh Hutcherson e Liam Hemsworth são os mais “fraquinhos” no meu ponto de vista, entretanto, sinceramente acho que ninguém prestou muita atenção nisso, o público feminino em sua maioria deve estar satisfeito com a beleza dos rapazes e o filme é de Jennifer Lawrence sem dúvida, então a qualidade não foi comprometida.

Além de ser uma crítica bem vinda ao nosso estilo cada vez mais sombrio de se apropriar da vida dos outr@s “espiando”, especulando, intrometendo-se, a ficção da história não é tão fictícia assim, como na maioria das vezes há elementos gritantes de realidade dentro do que muit@s encaram como fantasia. Acho que já devo ter dito isso, então repito: denominar de fantasia algo passível de acontecer mesmo que de maneiras diferenciadas, é um caminho perigoso que se toma, ao tratar algo terrível como impossível e não válido sequer como probabilidade distante, abrimos, com nossa permissividade, espaço para que algo pelo menos parecido aconteça, mesmo que seja aos poucos, mesmo que no início até possa ser divertido, vide os 12 anos de “BBB”, outros de “A Fazenda”, “Casa dos Artistas”, tantos e tantos exemplos, agora também temos um reality de lutas.

Apesar do mote extremamente violento, crianças e adolescentes obrigad@s a lutar por suas vidas para entretenimento de uma massa execrável de alienad@s, o diretor optou por um estilo de filmagem que ameniza tal contexto, mesmo que tal opção tenha sido essencialmente para abranger uma faixa etária maior de pré-adolescentes, ela se mostrou benéfica ao valorizar o que a obra tem de discussão social, moral e valores, a brutalidade ficou em segundo plano, mas está lá sim. Há quem critique exatamente o que acabei de citar, mas penso que há filmes suficientes com a temática da violência e diretores que sabem lidar com tal assunto com exímia maestria, ou seja, valorizar a violência contida nos livros como alguns (as) querem ou criar um romantismo sonolento “crepúsculo de ser”, só iria prejudicar o resultado final. 

Para finalizar este foi um filme que realmente me deu vontade de ler o livro :)


Ficha técnica:
Lançamento: 2012
Livro escrito por: Suzanne Collins
Direção: Gary Ross
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Stanley Tucci, Wes Bentley, Willow Shields, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Toby Jones, Elizabeth Banks, Donald Sutherland, Lenny Kravitz.

2 comentários:

  1. Você descreveu exatamente por que deixei de ir aos cinemas aos Sábados principalmente.
    Não há porque se sentir chata, ao contrário, temos liberdade de opinião e opção.
    Um abraço de Luz e Paz daqui do interior de São Paulo.

    ResponderExcluir
  2. Interessante e triste saber que mesmo distantes geograficamente (você em SP eu em Recife) temos as mesmas impressões e deixamos de fazer o que gostamos por esse tipo de "fenômeno"...

    Abraços e obrigda pelo comentário :)

    ResponderExcluir

Comente e Dê sua Opinião Sobre O Tema.

Lembrando que qualquer opinião com boa educação é muito bem-vinda, mas ofensas são excluídas.

(obrigado pela visita, volte quando puder)