8 de abril de 2012

Ben-Hur: O Grande Clássico da Páscoa - Coluna Papel & Película


A Páscoa é a época perfeita (juntamente com o Natal) para a exibição de filmes bíblicos. São grandes épicos destinados a contar a história de Jesus ou de outras figuras importantes, como Moisés e São Pedro. Alguns são baseados em livros diferentes da Bíblia, a exemplo de Ben-Hur, um dos mais pungentes filmes sobre o cristianismo que, curiosamente, não mostra a face de Jesus, mas demonstra com certeza o poder dos que Nele acreditam.

O autor Lew Wallace, um general que serviu na Guerra Civil Americana (1861-1865) e mais tarde atuou como governador e diplomata, decidiu escrever a obra com um curioso objetivo: provar que Jesus não existia. Ele pesquisou exaustivamente para comprovar a não-existência de Cristo e acabou convencendo-se do contrário e, tão apegado às suas novas descobertas e abraçando o Cristianismo, escreveu um livro para louvar o poder de Jesus.

A trajetória contada é a do príncipe Judah Ben-Hur, preso injustamente depois de uma acusação do amigo de infância Messala. Na verdade, quando ele e a irmã estavam vendo um desfile na sacada, um tijolo se soltou e atingiu um governador romano, e Ben-Hur foi acusado do atentado. Muitas reviravoltas ocorrem na vida dele, que é levado como escravo para remar nas galés romanas, até que ele volta para Roma com sede de vingança. Nesse meio tempo sua mãe e sua irmã veem-se acometidas pela lepra, e saem da prisão diretamente para um vale isolado.

O primeiro flerte do cinema com a história foi em 1907, dois anos após a morte do autor, quando uma pequena companhia chamada Kemplar produziu a primeira versão, de pouco mais de 10 minutos. A ideia veio do sucesso de um filme de 1903 retratando a paixão de Cristo. No entanto a companhia teve sérios problemas: por não ter o direito de explorar a obra, acabou tendo de pagar volumosa indenização à família de Wallace.

Em 1925, a recém-fundada MGM lançou Ben-Hur como seu primeiro filme. A produção mais cara do cinema mudo contou com Ramon Novarro interpretando o protagonista. As filmagens começaram na Itália, mas foram concluídas na Califórnia, onde imensos cenários foram construídos. As quantias astronômicas não param por aí: foram 125 mil pessoas envolvidas nas filmagens. A famosa cena da corrida de quadrigas ficou surpreendente e utilizou técnicas incríveis, como bonecos em miniatura em parte da plateia. Mas não pense que tudo correu bem: durante as filmagens um dublê e alguns cavalos foram mortos.
Foram necessários mais de trinta anos para que Ben-Hur voltasse às telas. Com mais avançadas tecnologias, em 1959 foi filmada uma versão que se tornou um grande sucesso e, curiosamente, salvou a MGM da falência. Esse também foi o primeiro filme a ganhar 11 estatuetas no Oscar, incluindo Melhor Filme, Diretor, Ator (Charlton Heston) e Ator Coadjuvante (Hugh Griffith, o homem que financia Ben-Hur na corrida). Vale ressaltar que na época existiam apenas 12 categorias na premiação. O filme foi rodado totalmente na Itália e, desta vez, não houve nenhuma morte.

A versão de 1925 seguiu o livro quase à risca, sendo que em 1959 alguns personagens foram omitidos. Os momentos mais emocionantes em ambas as produções contam com a presença de Cristo. Seu rosto nunca é mostrado e os atores que o interpretaram nem sequer foram creditados. Ben-Hur, sendo levado como escravo, é ajudado por Jesus e, mais tarde, tem todo seu esforço recompensado na Sexta-Feira da Paixão. Além de um dos maiores espetáculos cinematográficos, em qualquer uma de suas versões, Ben-Hur é uma história de fé, superação e amor à família, ideais não apenas para a Páscoa, mas para qualquer época do ano.

Um comentário:

  1. Ótima postagem Letícia! Vou colocar um link para meus leitores lerem este texto muito relevante sobre a História do Cinema!

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