5 de março de 2012

Millennium: Os Homens que Não Amavam As Mulheres - Cinefilia Literária (Coluna)


Muito bem, finalmente consegui ver este filme tão falado, deixo bem claro que não assisti ao filme anterior e nem li o livro, esse nome “pesado” aí que ele carrega, me fez tomar certa distância, há tempos que prometi a mim mesma não mais me sujeitar a assistir, ler, acompanhar quaisquer tipos de histórias verdadeiras ou fictícias que tenham como um dos temas centrais o sofrimento de mulheres, já vi tanto disso e continuo vendo e sabendo que estou saturada e irremediavelmente infeliz para o resto da vida, então se posso escolher não ver, escolho não ver.

Mas enfim, quis que o “Leia Literatura” também tivesse sua crítica cinematográfica desse fenômeno que se tornou amado e odiado em escalas aparentemente iguais e não me contive em ficar de fora das conversas e não ter minha própria opinião sobre tal assunto.

David Fincher é acusado por aí e acolá de ser misógino em suas obras, parece que o próprio não tem ou não tinha muita consciência (interesse? Se faz de doido?) disso. Já eu me considero feminista há tempos, então havia esse outro ingrediente a ser adicionado à minha curiosidade.

Sinceramente todo esse alarde em torno da questão da (suposta) misoginia de Fincher chamou deveras a minha atenção muito mais porque é sabido e pessoas feministas de qualquer gênero hão de convir com isso, que machismo e misoginia estão presentes na sociedade como um todo de maneira perversamente constante, então por que a cisma com David Fincher afinal? Dizem que seus outros filmes têm elementos misóginos, citam Clube da Luta, Alien 3, Seven, A Rede Social, etc , não tenho recordações recentes dos três primeiros filmes pra afirmar nem contrariar nada e sobre o último só posso dizer que há sim alguém misógino na história e é nada mais, nada menos que o protagonista, então seria um erro não relatar isso.

Voltando a Millennium, como já bastante difundido pela net afora faz parte de uma trilogia que contém este Os Homens que não amavam as mulheres, no original Os homens que odeiam as mulheres, escrita pelo sueco Stieg Larsson. Estimulada pela postagem contida no blog da Lola, fui pesquisar mais sobre a vida do escritor na Wikipedia, de onde destaco a informação de que ele presenciou um estupro coletivo na juventude e que nunca se perdoou em não ter tentado impedir e então escreveu os livros dedicando-os a moça, cujo nome era Lisbeth.

E verdadeiramente tal personagem é mais do que marcante nesta história e mesmo hoje depois de muitos e muitos dias a recordação continua forte, qual seria a explicação ou as explicações para isso? Com certeza se Ronney Mara não tivesse a interpretado de maneira tão competente o resultado não teria sido o mesmo, e esta com certeza é uma das explicações, a outra é que Larsson construiu sua Lisbeth Salander como uma heroína: forte, independente, esperta, corajosa e não vemos isso todo o dia no cinema, pelo menos não ultimamente, falo isso aqui porque veio à minha mente algumas personagens do cinema antigo, anos 30, 40, 50 e atrizes como Katharine Hepburn e Bette Davis sempre tão altivas em seus papéis, eram também mulheres fortes, mas guardadas as devidas proporções, Lisbeth é uma mulher brutalizada pela sociedade machista e sim misógina, esta mesma que odeia as mulheres, a misoginia de Fincher para os críticos de plantão significa isso? Infelizmente, por mais avanços que teimem em apontar existir em relação à suposta igualdade dos sexos, não é isso que acontece na realidade e o fato do escritor ser sueco, um país sempre tão bem elogiado em termos de direitos humanos faz refletir ainda mais.

Quem leu o livro diz que vários detalhes foram deixados de lado, comprometendo de certa forma o entendimento da história, mas dificilmente uma obra transposta de páginas e mais páginas vai ser totalmente contada num espaço de poucas horas, particularmente me perdi logo no princípio ao ver os diversos quadros sendo observados pelo tio Henrik Vanger (Christopher Plummer, ganhador do Oscar de melhor ator coadjuvante este ano - merecidamente) neste momento os créditos iniciais ainda eram mostrados, a trama também não é clara em explicar toda a desenvoltura de Lisbeth quanto à sua facilidade em obter informações em vários lugares do mundo com tamanha rapidez, disseram-me, podem me corrigir se eu estiver errada, que ela seria ligada a uma mega rede de hackers ao redor do mundo.

Enfim, nada disso é verdadeiramente relevante, as cenas de estupro também tão faladas estão lá, para mim são terríveis sim, mas já vi coisas muitíssimo piores, Irreversível por exemplo, ela se vinga e é ótimo, adorei também o visual dela e seu transporte ser uma moto, realmente a garota é estilosa!

Gostei do filme é fato, mas como podem perceber a história “principal” não chamou tanto a minha atenção, porém, para não ser tão má assim, lá vai um pequeno resumo: família rica e esquisita teve no passado um desaparecimento não explicado, o tio (Henrik) da moça chamada Harriet, o único que parece gostar e se importar com ela, recebe os tais quadros todos os anos e não desiste de encontrá-la, termina por contratar os serviços de um jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Graig) e este pede ajuda a uma hacker para desvendar o tal mistério, caso solucionado, filme terminado, há as continuações em livro, vejamos se também serão transpostas para o cinema.


Ficha técnica:
Lançamento: 2011
Livro escrito por: Stieg Larsson
Direção: David Fincher
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Robin Wright, Goran Visnjic, Embeth Davidtz, Joely Richardson, Joel Kinnaman, Elodie Yung, Julian Sands

2 comentários:

Comente e Dê sua Opinião Sobre O Tema.

Lembrando que qualquer opinião com boa educação é muito bem-vinda, mas ofensas são excluídas.

(obrigado pela visita, volte quando puder)