31 de março de 2012

Eugênia Grandet (Honoré de Balzac) - Crítica / Resenha

Martin Claret / 2002

Sinopse
Eugênia Grandet (1833), conta a história de um amor frustrado e ao mesmo tempo da falta de adaptação das pessoas à sociedade materialista. Eugênia é filha de um dos maiores avarentos já descritos na literatura. O livro foi tão bem recebido que Balzac se irritava com as críticas positivas. – Ora, deixem-me. Os que me chamam de pai de Eugênia Grandet querem me diminuir. É, decerto, uma obra-prima, mas uma obra-prima pequena. Eles evitam citar as grandes, dizia Balzac. POR QUE LER – Balzac foi um dos grandes retratistas da burguesia francesa do século XIX e possuía extrema habilidade para criar personagens.


Existem livros que fascinam por serem geniais nos seus respectivos gêneros trazendo histórias que arrebatam e encantam passando aquela impressão de que nada ali poderia ser melhorado. Outros porém são bons mas não tem nenhum elemento que torne a narrativa eterna e é essa a impressão passada por Eugênia Grandet.

A obra de Balzac é um pequena trama realista sobre uma jovem ingênua filha de um pai avarento ao extremo que acumula riquezas e diversos bajuladores. Com isso temos toda uma fauna de personagens com personalidades que muitos leitores já conhecem de outros títulos.

A partir desta prerrogativa principal o autor vai tecendo sua esperada crítica social que de fato é bem feita, mas quando comparada àquela vista em outros livros clássicos do realismo sofre com a falta de um desenvolvimento maior e de uma exploração mais elaborada.

O título acaba sendo então um romance pequeno onde não há clímax, mas sim uma sucessão de pequenos acontecimentos que decepcionam qualquer leitor que espere algo de impressionante ou grandioso.

Eugênia Grandet é por meio disso uma boa opção de leitura de um escritor que tem segurança naquilo que faz. Se por um lado o título não imprime uma marca segura e nem se mostra muito diferenciado, ele é funciona bem como ensaio crítico sobre a época de declínio da nobreza e ascensão da burguesia francesa refletida na vida de uma família simples cuja maior característica é sua relação com o dinheiro.

Com este livro Balzac cria uma interessante trama que mostra bem os valores do realismo em sua contraposição ao idealismo ingênuo. Entretanto, não gera grande empatia com leitores que desejem uma obra-prima e nem com aqueles que prezam apenas por grande profundidade e desenvolvimento.


(3 de 5 / Bom)


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