18 de março de 2012

Drive (2011) - Cinefilia Literária (Coluna)


Sempre tenho vontade de ver filmes em que Ryan Gosling faz parte do elenco, ele é um desses atores jovens que me fazem ter esperança na qualidade interpretativa tão massacrada ultimamente. Este filme deu o prêmio de direção aNicolas Winding Refn no Festival de Cannes do ano passado, outro fator que adicionou maior motivação de minha parte em ir ao cinema.

Drive é inspirado em um livro de mesmo nome do escritor James Sallis, assim como no livro, no filme o personagem principal interpretado por Gosling não tem nome próprio, fato que para mim passou despercebido até, acredito que muito se deveu ao carisma do ator que prende a atenção desde o início, sem deixar muito espaço para muitas divagações além do que é que visto.

E a cena inicial é uma das melhores que vi nos últimos tempos, demonstra como o Cinema em si é uma arte visual, que nas mãos de um bom diretor palavras não são necessárias para entendermos o que está acontecendo, a motivação das personagens e suas características, dessa maneira temos o primeiro contato com o personagem de Gosling, numa sequência maravilhosa de perseguição.

Depois de um início agitado, digamos assim, o filme segue um ritmo mais lento, vamos conhecendo esse rapaz que é dublê de filmes em Hollywood, mecânico e que à noite dispõe de suas habilidades no volante ao mundo do crime, mas com certas restrições: só dirige, não quer saber no que está envolvido no momento, está totalmente disponível por apenas 5 minutos, depois desse tempo, cada pessoa está por sua conta e risco.

Ryan Gosling está praticamente indecifrável em suas expressões contidas, mas deixando transparecer que há muito guardado aqui e ali, não sabemos bem o que, isso também não fica muito claro na relação que surge entre ele e a garçonete vivida por Carey Mulligan, há no mínino um gostar, mas de que tipo? Não sei.

Porém, é devido a esse gostar não bem explicado por ela e também pelo filho dela que ele se envolve num complicado assalto para tentar ajudar o marido dela que estava preso, sim ele faz isso, uma das poucas frases no filme que te fazem rir, diz respeito a isso e é dita pelo chefe dele que funciona como um tipo de pai, ele diz algo como “muitos homens se envolvem com mulheres casadas, mas você é o primeiro que eu vejo roubar dinheiro para dar ao marido”... hehehe...

Excetuando-se as pessoas alopradas que estavam assistindo ao filme na mesma sessão que eu, dificilmente alguém mais vai rir em algum outro momento, não é um filme para isso, inclusive há várias cenas de violência, são graficamente bonitas, vale ressaltar, era nesses momentos que as pessoas alopradas que acabei de citar riam bastante, não é todo mundo que sabe apreciar cenas desse tipo quando bem construídas, nada do tipo “Jogos Mortais de ser”, lembra muito mais Tarantino e Cronenberg e bons filmes antigos.

Drive tem esse gostinho de algo de outra década, de algo já visto e bem relembrado, faltou alguma coisa para que eu gostasse mais, entretanto pelo menos agora, não faço ideia do que seja, recomendo sim, menos para a categoria de aloprad@s! :)


Ficha técnica:
Lançamento: 2011
Livro escrito por: James Sallis
Direção: Nicolas Winding Refn
Elenco: Ryan Gosling, Carey Muligan, Albert Brooks, Bryan Cranston, Ron Perlman, Oscar Isaac, Christina Hendricks

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