26 de fevereiro de 2012

Um Sonho de Liberdade (1994) - Papel & Película (Coluna)


Famoso por uma vasta obra que inclui contos e novelas, o autor americano Stephen King teve sua popularidade elevada à centésima potência com o interesse despertado por seus escritos em adaptações cinematográficas. Mais conhecido por ter criado no papel histórias que deram origem aos grandes sucessos do gênero terror “Carrie, a Estranha” (1975) e “O Iluminado” (1980), King escreveu muitos outros excelentes enredos, tendo como tema principal a amizade, que, neste caso, é cultivada atrás das grades. 

O bancário Andy (Tim Robbins) é preso após o assassinato de sua mulher (Renee Blaine) e o amante dela. Ele é condenado a cumprir duas prisões perpétuas (!) e acaba na prisão Shawshank, lugar a que ele realmente não pertence. Andy sofre um bocado em seus primeiros tempos, mas finalmente alia-se a Red (Morgan Freeman), um preso capaz de trazer para dentro da cadeia vários objetos e, por isso, é respeitado por todos os outros detentos.

Depois de superadas as dificuldades iniciais, ele usa toda sua perspicácia para conseguir pequenos trabalhos dentro da prisão, como ajudar o senhor Brooks (James Whitmore) que cuida da biblioteca do local e está preso há mais de 40 anos. Andy insiste e consegue verba para montar uma biblioteca maior e, aos poucos, vai mostrando sua inteligência e chama a atenção do diretor do presídio, Warden Norton (Bob Gunton), que pede que ele o ajude com uma falsa declaração de imposto de renda. Com o passar do tempo, a amizade entre Red e Andy fica cada vez mais forte, e talvez seja ela uma das razões para que o ex-bancário ainda tenha esperanças. Red também anseia para que sua condicional lhe seja concedida, o que parece algo quase impossível. 

A novela foi publicada com mais três trabalhos do autor no livro As Quatro Estações, de 1982. Embora a trama seja seguida fielmente, algumas mudanças foram feitas para adicionar dramaticidade, por isso no filme foram alterados os destinos de Brooks e Norton, além de Red ser, na novela, um irlandês. Isso é incluído na película como uma piada.

Intitulada “Rita Hayworth and the Shawshank Redemption”, a novela foi adptada para as telas pelo próprio diretor, Frank Darabont, que já havia sido responsável pela adaptação de “A Mulher no Quarto”, do mesmo autor, em 1983. A famosa atriz dos anos 40 que aparece no título tem grande importância simbólica na trama e chegou a pregar uma peça às atrizes desavisadas: o diretor foi contatado por várias moças que desejavam interpretar Rita no filme.
Assim como em outras histórias, a exemplo de “Conta Comigo” (filme de 1986 baseado em um conto do livro que também contém esta novela), esta trama de Stephen King fala muito em amizade. Os detentos, exalando humanidade, tratam uns aos outros como verdadeiros irmãos e o apoio mútuo acaba despertando a esperança em cada um deles. Este é mais um filme que deixa claro que a cadeia não regenera ninguém, mas sim é a amizade (e um pouco de inteligência) que traz a redenção.

O filme foi indicado a sete Oscars e não levou nenhum. Curiosamente, a produção se destacou bastante no exterior, ganhando prêmios de Melhor Filme Estrangeiro em diversos festivais, notadamente a maioria no Japão. No entanto, a combinação de uma história surpreendente e excelentes atuações fez surgir uma legião de fãs, tanto é que ocupa a primeira colocação no Top 250 do site IMDB, com a maior pontuação dada pelos leitores. Prova de que uma história de Stephen King não poderia gerar nada que não fosse um surpreendente espetáculo cinematográfico.

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