12 de fevereiro de 2012

Troia (2004) - Papel & Película (Coluna)


Uma das mais antigas histórias já contadas foi transposta com pompa e circunstância para o cinema, abusando da grandiosidade que o enredo pedia. Tendo o poema clássico “Ilíada”, de Homero, como ponto de partida, o resultado foi um grande épico retratando a Guerra de Troia e reunindo um grande elenco.

O estopim da guerra é o rapto da rainha Helena (Diane Kruger) por Páris (Orlando Bloom). O marido de Helena, Menelau (Brendan Gleeson), rei de Esparta, pede ajuda a seu irmão, Agamenon (Brian Cox) para recuperar sua esposa. Contando com a ajuda do guerreiro Aquiles (Brad Pitt), os gregos tentarão vencer os troianos, comandados pelo irmão de Páris, Heitor (Eric Bana).

A autoria da “Ilíada”, apesar de atribuída a Homero, permanece uma incógnita. Pouco se sabe sobre a vida do autor e muito se discute se ele realmente existiu. Se exisitu, provavelmente viveu no século VIII a.C., ou seja, cerca de três séculos depois da Guerra de Troia. Contradições à parte, a “Ilíada” se originou da tradição oral, sendo uma história contada e cantada por poetas itinerantes. O longo poema é composto de 24 cantos (para se ter uma ideia, “Os Lusíadas” tem apenas 10 cantos). A Homero também se atribui a autoria da “Odisseia”, poema épico que conta a jornada do guerreiro Ulisses (ou Odisseu) de volta para casa após a Guerra de Troia, além de dois poemas cômicos e 33 hinos em louvor aos deuses gregos.

A principal modificação feita para o filme foi a omissão dos deuses da mitologia grega, que tomam partido na guerra e ajudam seus protegidos nas batalhas. O diretor considerava os deuses desnecessários para o andamento da história e, embora saibamos que vitórias em guerras não possam ser explicadas por interferência divina, a mitologia é uma parte importante da cultura grega e que não deve ser esquecida. Outra mudança foi o acréscimo de um parentesco entre Aquiles e Pátroclo, seu amigo íntimo que é morto usando a armadura do bravo guerreiro. No original, pode-se até pensar em uma relação homossexual entre os dois, pois a morte de Pátroclo leva Aquiles a buscar vingança.

Mas nem tudo é criticável: o visual, como era de se esperar, é de tirar o fôlego. Tudo foi gravado no deserto mexicano, onde ocorreram dois furacões em menos de um mês. E este não foi o único acidente da filmagem: Brad Pitt, com o corpo todo esculpido para viver Aquiles, ironicamente sofreu uma lesão em seu tendão de Aquiles. Além disso, o ator teve de pagar 750 dólares a Eric Bana devido aos ferimentos que lhe causou durante a cena de batalha entre Aquiles e Heitor, realizada sem dublês.

Naquele ano, o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Figurino, perdendo para “O Aviador”, belo drama de época que cobre várias décadas do século XX. A produção ganhou apenas dosi prêmios: Melhor Ator para Brad Pitt no Teen Choice Award, premiação com voto popular, e Melhor Ator Coadjuvante para o talentoso veterano Peter O’Toole (interpretando Príamo, pai de Heitor e Paris) em uma premiação em seu país natal, a Irlanda. Apesar disso, foi um sucesso de público, notadamente tendo melhor recepção fora dos EUA. Atraindo um grande público e espalhando um pouco da cultura grega pelo mundo, “Troia” vale pelo espetáculo.

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