10 de fevereiro de 2012

Precisamos Falar Sobre O Kevin (Lionel Shriver) - Crítica / Resenha

Editora Intrínseca

Sinopse
Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.
Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem.
Cada interstício do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos. Eva tenta cumprir mecanicamente os ritos maternos, até que nasce uma filha realmente querida. A essa altura, as relações familiares já estão viciadas. Contudo, é à mãe que resta a tarefa de visitar o "sociopata inatingível" que ela gerou, numa casa de correção para menores. Orgulhoso da fama de bandido notório, ele não a recebe bem de início, mas ela insiste nos encontros quinzenais. Por meio de Eva, Lionel Shriver quebra o silêncio que costuma se impor após esse tipo de drama e expõe o indizível sobre as frágeis nuances das relações entre pais e filhos num romance irretocável.
Fonte: http://www.sinopses.leialiteratura.com/2011/11/precisamos-falar-sobre-o-kevin-lionel.html

A linguagem é diferente. Nada que exija muito léxico como alguns clássicos mas, nada como alguns best-selllers de leitura mais "simples".

O estilo também é diferente dos comuns hoje em dia. Em forma de cartas, escritas somente pela protagonista e direcionadas a seu marido, vemos a história de Eva. Seu passado e presente depois de um evento fatídico, tanto pessoal, quanto social.

Continuando sobre a forma técnica do livro, embora o método de cartas pareça cansativo a primeira vista, Lionel o manipula para passar uma determinada ideia ao leitor, a qual só é revelada no final. Além disso, as cartas servem para Eva contar seus devaneios junto com o passado dela e de sua família de forma não linear, prendendo assim o leitor pelas revelações e detalhes. 

Precisamos Falar Sobre o Kevin é o tipo de livro que não se espera que agrade todos porém, quando lido, mostra um potencial imenso.

Focando na história temos desde a quebra de tabus sociais, principalmente o da relação universal mãe-filho, à exposição da vida de uma mulher que, mesmo após ser mãe, internamente não seguia a linha ortodoxa e foi levada a julgamento por isso. 

Lionel usa de um caso social "comum" no país referido no livro, os chamados "garotos columbine". 

Desde o evento em Columbine, inúmeros outros casos aconteceram e se tornaram não exatamente comuns mas, também nada raros. 

Com eles a mídia e a sociedade direcionam seu foco para as vítimas, aqueles que foram mortos por motivo, ou por acidente, nos jovens que fizeram as "atrocidades", em suas personalidades e especialmente, nos por quês. 

Agora, o que é raro, ao menos em nossa visão exterior, é o lado dos responsáveis. E é essa visão que Lionel aborda. Esse lado pouco mencionado mas, muito subjugado aos referenciais sociais, especialmente de bases tão "puritanas" como da sociedade estadounidense. O lado de uma mãe, não exatamente qualquer mãe mas, aquela que tinha referenciais e prioridades diferentes das comuns além de, não achar que tinha o "chamado materno" mas, mesmo assim abriu mão de inúmeras partes de sua vida para criar os filhos e, como qualquer um, não esperava o referido acontecimento trágico em sua vida. 

Ao longo da narrativa vemos a ideia de Eva sobre Kevin, suas diferenças, seu comportamento, suas provocações, seja com ela, colegas de turma, babás. Também a visão sobre Frank e o seu comportamento tão "americano", diferente da visão crítica de Eva, seus ideais pacatos e tradicionais e, principalmente, sua cegueira para com Kevin. 

E em meio a tudo isso existe a narração de como a sociedade lidou com isso, como tanto Eva quanto Kevin foram julgados, das represálias sociais, do julgamento, da ideia disseminada que os indivíduos adiquiriram sobre ela e o quanto isso a afetaram. 

Precisamos Falar Sobre o Kevin reúne um conjunto de características não comuns a um best-seller mas, necessárias para prender o leitor em busca dos acontecimentos completos, do desfecho de Eva e de sua família. 

Em suma, Lionel consegue, de maneira não ortodoxa, um livro curioso, abrangente, porém com uma única visão da história. Um fato notável em uma época de livros rápidos, leituras simples e histórias genéricas. 



4 de 5 (Muito Bom)


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