14 de fevereiro de 2012

A Fúria dos Reis (As Crônicas de Gelo e Fogo 2 - George R. R. Martin) - Crítica / Resenha

Editora Leya 
Sinopse
Em 'A fúria dos Reis', o segundo livro da série 'As crônicas de Gelo e Fogo', George R. R. Martins segue a épica aventura nos Sete Reinos, onde muitos perigos e disputas ainda estão por vir.
Além dos combates que se estendem por todos os lados, a ameaça agora também chega pelo céu, quando um cometa vermelho como sangue cruza o céu ameaçadoramente. Uma terra onde irmão luta contra irmão e a morte caminha na noite fria, nada é o que parece ser, e inocência é uma palavra que não existe.

Antes de falar dos aspectos específicos sobre A Fúria dos Reis é bastante recomendável conhecer A Guerra dos Tronos, pois esta é uma daquelas continuações diretas que como tais seguem a risca o padrão mostrado no primeiro volume, portanto recomendo que cliquem aqui para visitar a crítica a respeito dele.

Neste segundo livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo temos os mesmos personagens cativantes, a mesma atmosfera de aventura grandiosa e o mesmo esquema de capítulos que ressaltam um número específico de personagens. A maioria deles já protagonizavam o livro anterior mas os mortos são substituídos por outros novos, inseridos justamente para descrever perspectivas da história que de outra forma não seriam apreendidas.

O cavaleiro Davos fica sendo o porta-voz do que acontece a Stannis enquanto o jovem Theon acompanha os feitos da agora ativa casa dos Greyjoy e suas próprias realizações que certamente surpreenderão os leitores.

Fora estes fatos específicos do desenvolvimento natural da história, nada mais se altera consideravelmente. O estilo é o mesmo visto na obra anterior o que agradará aos fãs e certamente afastará qualquer um que não tenha simpatizado pela narrativa competente mas que não é o grande mérito de Martin.

Novamente o que mais chama a intenção é a história só que desta vez ela é um pouco menos dinâmica. Alguns dos núcleos quase parecem não evoluir enquanto outros até tem avanços consideráveis mais levando bem mais tempo do que se julgaria necessário. 

Um dos exemplos mais notáveis dessa falta de ação é o ciclo de Daenerys que inicia e acaba quase da mesma forma que começou, há vários fatos nesse meio tempo que podem sim representar (e certamente vão) relevância no futuro, entretanto o prolongamento do início ao final do livro parece injustificável.

Já aquele incômodo que surge na mania de Martin em evitar as descrições de batalhas de forma direta se intensifica e muito neste livro onde vários confrontos começam e terminam sem que o leitor tenha a sensação deles. Só no final é que podemos realmente acompanhar um combate mas que novamente se mostra não ser o forte do escritor, que certamente por isso os evita. Mas, numa obra permeada por guerras como A Fúria dos Reis, causa uma inevitável sensação de ausência que chega a decepcionar.

Pelo que eu falei pode até parecer que o livro é ruim, longe disso, ainda é épico muito recomendado e que proporciona bons momentos de diversão. Quem realmente gostou do primeiro aprovará o segundo ainda que com ressalvas.

Mas é certo que o ritmo lento que beira a inação em certos momentos incomoda e torna a obra certamente inferior a primeira. A Guerra dos Tronos conseguiu explorar melhor os personagens e manter o leitor interessado em suas sucessões de tramas que despertavam a atenção. Neste segundo volume isso também ocorre, mas de forma bem menos constante

A Fúria dos Reis continua sendo um livro bom, bem escrito e divertido; mas Martin parece levar mais tempo para dizer menos coisas e aquela sua falta de simpatia por narrar confrontos torna-se dessa vez um problema bem maior numa obra como essa onde as batalhas conduzem toda a narrativa.

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