6 de fevereiro de 2012

Entrevista - Christine M.

montagem sobre fotos da autora (twitter e blog)

Recentemente a Editora Underworld lançou mais um livro nacional. Desta vez foi Sob A Luz dos Seus Olhos que resgata o bom e velho amor romântico como pano de fundo para a história do casal Elisa e Paul.

A obra é escrita pela professora, e agora escritora publicada, Christine M. que com muita simpatia e gentileza nos concedeu a entrevista que você poderá ler a seguir.

Os assuntos variaram bastante indo desde aqueles detalhes de sempre acerca do livro até os sentimentos da autora sobre sua obra e a importância literatura em nossa sociedade. 


Leia Literatura: Por que você decidiu de se tornar escritora? Uma carreira sabidamente trabalhosa e não muito rentável para a maioria.

Christine: Eu não decidi, simplesmente aconteceu. Sempre escrevi. Estranhamente a escrita sempre foi o melhor meio de comunicação pra mim. É no silêncio que eu me comunico. Estranho, não é? Mas é verdade. Acesso meus pensamentos, minhas ideias e sentimentos quando fico quieta e me ponho a escrever. Sendo assim, a rentabilidade ou outras questões mais práticas não são levadas em conta. Eu não decidi, eu sou, e mesmo que jamais conseguisse publicar, ainda continuaria sendo uma “escrevedora”.


Como surgiu a ideia de escrever Sob A Luz dos Seus Olhos?

Comecei a escrever sem saber se conseguiria terminar. Isso significa que eu não sabia muito bem sobre a totalidade da trama. A história foi nascendo aos poucos e eu fui aprofundando as ideias conforme ia escrevendo.

Três fatos pontuaram o meu início: minha viagem à Inglaterra, um pensamento que eu tive ao ver um batalhão de fãs em frente a um hotel à espera de um ator e o meu desejo de emprestar para Elisa o meu amor pela escrita.


O seu livro é mais uma obra a destacar o amor dentre tantas. Como você vê a importância da transmissão de ideais e sentimentos como esse na sua literatura?

Literatura é entretenimento, mas também é vivência. Quando lemos nos conectamos com diversos sentimentos: raiva, medo, compaixão, alegria, tristeza e amor, sentimentos esses que não raramente ficam esquecidos na correria ou na mesmice da rotina. Ler é dar uma pausa pra poder experimentar sensações, aprofundar a vivência.

Eu decidi falar de amor entre humanos em um momento em que a literatura está tão descrente desse sentimento que precisou incluir seres mitológicos e elementos de fantasia para conseguir abordar esse tema. Veja: não se trata de uma crítica, apenas uma constatação de leitora.

O amor não pode ser tratado como “literatura menor”, “adolescente” ou “de mulherzinha”. É preciso parar com isso! O amor enlouquece, enobrece, faz viver, faz matar... Através do amor discutimos as mazelas e a grandiosidade humana.

Eu falo de amor, falo de felicidade, de sofrimento, de recomeçar, e falo também das coisas que a gente nem sabe que sente, porque nós somos complexos. Gente é um ser profundo, capaz de viver coisas extraordinárias e de construir uma vida inimaginável. Todo dia alguém vive uma história que merece ser contada. Eu não sei qual é a importância disso para as pessoas, mas para mim, falar de amor é garantir que ele nunca deixará de existir.


Há algo de autobiográfico no romance de Elisa e Paul? Se é que você pode responder (rs)

Pequenas bobagens, como o fato da Elisa gostar de um par de sapatos vermelhos, ou de odiar a comida de Londres... (risos) Apenas bobagens, a parte essencial é pura imaginação.


Como foi ver sua obra que devia ter um caráter mais intimista ser publicada para que qualquer brasileiro pudesse lê-la?

Precisei aprender a ser lida. Sempre me senti constrangida e ainda me sinto tímida quando alguém vem comentar comigo algum texto meu. Eu escrevi diários a vida inteira. Isso é o mesmo que dizer que eu escrevia segredos e, portanto, coisas que não deveriam ser lidas. O tempo passou, mas a escrita continuou intimista. Escrevo em primeira pessoa, empresto meus pensamentos, pego emprestado sensações das palavras, e por mais que a história não seja sobre mim, o texto e eu seremos sempre um. Ser lida é um exercício de humildade.


Além de escritora você é professora. De que maneira você vê essa relação entre literatura e aprendizado?

Sou entusiasta em relação à literatura e já fiz longos discursos sobra a importância da leitura. Como professora eu os ensino o respeito que os Clássicos merecem, mas também procuro ensinar que ler é um prazer. Não sou daquelas que acredita que a leitura não amadurece, que é melhor não ler nada do que ler livro de banca de jornal. Sempre digo: comece com que você gosta. Se você é fã de esportes, leia sobre esportes; se você é fã de dança, leia sobre dança. Você cresce, muda e a leitura também. Quem aprende a gostar de ler lerá sempre, e isso é transformador.


foto: twitter da autora
Quais os escritores que mais lhe comoveram e inspiraram?

Sou mais de histórias do que de autores, mas tenho uma relação quase particular com Clarice Lispector. Digo que ela foi minha madrinha, porque foi em departamento de pesquisa literária que eu me apaixonei pela escrita. Dos contemporâneos, tenho me tornado fã do Zafón, adoro sua narrativa e como ele aborda sentimentos profundos com simplicidade. Além disso, “O jogo do anjo” tem o melhor primeiro parágrafo de todos os tempos.


O que é para você literatura de qualidade?

Esta é a grande pergunta. Todos da área perdem horas discutindo o que é Literatura, o que é arte, o que tem valor, o que não tem. Sinceramente, não sei se isso é o mais importante. O tempo faz as coisas serem eternas ou efêmeras, mas ambas cumprem o seu papel. Há leitor de todo tipo e eu considero importante ter livro para todos eles.

Qualidade para mim está relacionada ao profissionalismo, à tentativa constante de se fazer um trabalho bem feito, de escrever histórias suas e não se deixar levar pela onda do momento, porque assim pode até ser que o tempo passe e te leve pro esquecimento, mas você terá feito com verdade, e alguém certamente terá notado. Isso basta.


Nossa pergunta temática: por que ler literatura?

A vida é curta, não dá tempo pra viver em muitos lugares, com muitas pessoas e experimentar tudo o que há no mundo. Ler é o único jeito de ampliar as experiências, de sentir mais, de viver mais. Leia para pensar e sentir coisas novas. Leia para ser mais profundo.


Sob A Luz dos Seus Olhos já está para ser publicado e a expectativa deve estar grande. Mas você já tem novos projetos.? Se sim quais seriam?

Tenho três projetos em mente. Dois Romances e uma história infantil. Um dos Romances já está sendo escrito. Passei das primeiras 120 páginas e estou gostando muito do rumo que a história está seguindo. A personagem principal se envolve com um número maior de personagens e também se vê envolvida em conspirações políticas. Por isso, a trama tem exigido muito de mim. O outro é apenas uma ideia, um esboço. A história infantil foi começada no período em que eu estava grávida e agora me surgiu a vontade de terminá-la.


Muito obrigado pela participação, Christine. Para finalizar diga o que Sob A Luz dos Seus Olhos significa para você e o que pode representar para os leitores.

Sob a luz dos seus olhos é o meu xodó. É a história que me fez acreditar e que fez o mercado acreditar em mim. Esse livro me fez descobrir qual era o meu lugar no mundo e isso está maravilhosamente marcado na minha vida.

É claro que nenhum autor acredita que o seu primeiro livro será o seu melhor trabalho. Acredito que tenho um longo caminho a percorrer, mas tenho orgulho da minha estreia e acredito ter sido um belo jeito de ter começado.

Desejo que o Sob a luz dos seus olhos seja um daqueles livros que se tem vontade de reler assim que se termina. Que seja um bom companheiro, que reserve surpresas e emoção. Que seja um daqueles que, ao ser colocado na prateleira, o leitor pense: valeu a pena.

Seguem alguns links abaixo para comprar e conhecer melhor o livro e a própria Christine.


2 comentários:

  1. Nossa! como é bom ler algo e sentir cada palavra dita....tenho certeza como leitora assídua que sou que estamos diante de uma escritora que transformas palavras em imagens que se tornam viva no mais amplo sentido da palavra .Ela com certeza será um divisor de aguas na nossa literatura que a muito na maioria das vezes só colocam letras seguidas de mais letras.quando leio o livro da escritora parece que é um lindo filmes onde os personagens e os lugares criam vidas parabens!

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