15 de janeiro de 2012

A Última Vez que Vi Paris (1954) - Papel & Película (Coluna)


Foram muitas as contribuições de F. Scott Fitzgerald para o cinema. Durante algum tempo ele escreveu argumentos em Hollywood. Além disso, muitas de suas obras, entre contos e romances, foram adaptadas para a tela grande, a exemplo de “O Grande Gatsby”, “Suave é a Noite” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Este “A última vez que vi Paris” possui uma interessante diferença em relação aos outros trabalhos citados: apesar de ser baseado no conto “Babylon Revisited”, o filme pode ser entendido como um prefácio ao conto, mostrando o que aconteceu com os personagens antes do conto ser escrito. 

No furor do dia da vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, o correspondente de guerra americano Charlie (Van Johnson) sai para comemorar e conhece Helen (Elizabeth Taylor), uma bela jovem que vive como rica na mansão de seu pai (Walter Pidgeon). Os dois rapidamente se apaixonam, deixando a tímida irmã de Helen, Marion (Donna Reed) um bocado chateada. Nos anos seguintes, enquanto ele batalha escrevendo sua obra-prima, a vida familiar começa a desmoronar e a esbanjadora família tem uma grande surpresa financeira.

O conto “Babylon Revisited” foi publicado no jornal “Saturday Evening Post”, em 21 de fevereiro de 1931. Por causa disso, a história se passa no período da Grande Depressão, após a quebra da Bolsa de Nova York. Charlie perdeu dinheiro na quebra e tornou-se alcoólatra, mas agora, já melhor estabelecido, volta à casa da cunhada para pedir a guarda da filha, Honoria (no filme, a menina chama-se Vickie). 

É mais um dos muito bem-escritos trabalhos de Fitzgerald. Consiste em cinco capítulos, começando, assim como o filme, com a volta de Charlie para a França, após lutar contra seus problemas. No entanto, só ficamos sabendo o que aconteceu no clímax, quando Marion relembra o que ocorreu ele e a irmã. E, em minha opinião, o conto possui ainda outro clímax: a chegada dos inconvenientes Lorraine (interpretada no cinema por Eva Gabor) e Duncan (personagem não transposto para as telas), um casal de bon vivants que chega para atrapalhar Charlie em sua empreitada paternal. Há também uma série de novas especulações no filme, por exemplo, o motivo da cunhada não gostar de Charlie não é explicado no conto, mas é brevemente explorado no filme. 

Uma trama que não estava presente no conto, mas se mostra muito interessante até para o assunto desta coluna, é o fato de Charlie ser um aspirante a escritor. Durante algum tempo ele se contenta com seu emprego no jornal, suficiente para sustentar sua família, porém deseja ardentemente ser publicado por uma editora americana. Sua frustração é visível quando um de seus colegas de trabalho anuncia alegremente que terá seu original publicado. Prova de que não é de hoje que é difícil para um autor ter seu trabalho reconhecido. 

O filme apresenta uma bela fotografia, realçando Elizabeth Taylor no auge de sua beleza, e algumas cenas filmadas em Paris. Outro destaque é a música homônima, composta em 1940 por Jerome Kern (autor de músicas para vários filmes de Fred Astaire) e Oscar Hammerstein II (letrista de “Oklahoma” e “A noviça rebelde”). A música ganhou um Oscar no ano seguinte, ao fazer parte da trilha do musical “Lady be Good”. A crítica foi bastante morna, apresentando a produção como um melodrama apenas agradável. Outros criticam o trabalho dos roteiristas em relação ao texto original, mais bem construído. No entanto, este filme mediano ainda agrada aqueles que procuram a beleza de Paris, de uma bela atriz e de uma linda música.


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