29 de janeiro de 2012

Os Miseráveis (2000) - Papel & Película (Coluna)


Victor Hugo (1802 – 1885) é um dos maiores nomes da literatura francesa. Seus sucessos incluem “O Corcunda de Notre-Dame” e o imenso romance “Os Miseráveis”, publicado em 1862 e originalmente composto por quatro volumes, cada um focalizando a trajetória de um personagem, embora os destinos de todos se cruzem durante a história. Tamanho esforço literário não podia deixar de ser levado para as telas, em sua totalidade ou apenas em parte. 

A primeira adaptação foi feita em 1907 e seguiram-se várias outras na era muda. Em 1935, uma versão francesa recebeu boas críticas e chegou a ser indicada ao Oscar. Na década de 1980, um musical foi feito baseado no livro, e dele faz parte a bela e famosa canção “I Dreamed a Dream”. No ano 2000, uma minissérie francesa de quase seis horas reuniu um grande elenco para contar a emocionante história passada na primeira metade do século XIX.

Jean Valjean (Gérard Depardieu) ficou preso durante dezenove anos por roubar um pão para sua irmã e seus sobrinhos e por uma série de tentativas de fuga. Na prisão ele fez um grande inimigo, Javert (John Malkovich), que desejava mais do que tudo mantê-lo encarcerado por toda a vida. Isso não acontece e, quando Jean é libertado, ele aprende uma lição de um bondoso monsenhor e decide lutar para viver com dignidade, sob uma nova identidade. Quem também luta para sobreviver é Fantine (Charlotte Gainsbourg), abandonada grávida pelo namorado. Ela dá à luz uma filha, Cosette, que entrega para um casal aparentemente amoroso criar, indo procurar emprego na mesma cidade em que Valjean é agora prefeito. Suas trajetórias se cruzam quando Fantine pede a Jean que ele cuide de sua filha. Ele cumpre a promessa, comprando a menina do casal Thénardier (Christian Clavier e Veronica Ferres) e criando-a como se fosse sua filha. O problema é que Javert continua a persegui-lo. 

Condensar uma história de 1200 páginas em um filme suportável é tarefa complicada. A longa duração da minissérie deixa claro que a produção conta com uma impressionante riqueza de detalhes. Um deles, comumente notado por aqueles que assistem a várias adaptações do clássico, é o papel fundamental de Eponine (Asia Argento, filha do conhecido diretor Dario Argento), filha do casal Thénardier que se interessa pelo rico revolucionário Marius (Enrico Lo Verso), apaixonado por Cosette.

A série, feita inteiramente na França, teve Depardieu também como produtor, além da ilustre presença da atriz Jeanne Moreau interpretando a Madre Innocence, freira superior do convento onde Cosette estuda. A reconstrução da época também é primorosa, assim como os efeitos especiais durante os combates resultantes das revoltas populares de 1848. Infelizmente, muito disso se perdeu na versões em inglês, pois a produção foi reduzida a apenas três horas para exibição na TV de língua inglesa.

Uma trama tão comovente e popular não poderia ficar num só meio. A primeira adaptação teatral foi feita pelo filho de Victor Hugo no ano seguinte à publicação do romance. A versão de 1987 foi o terceiro show que ficou mais tempo em cartaz na Broadway. O sempre ambicioso Orson Welles, antes de ir para o cinema, adaptou e estrelou uma versão para o rádio em 1937. A história deu origem a animações e até a um jogo de videogame. No Brasil, foram feitas duas telenovelas baseadas no livro, em 1958 e 1967. E, é claro, foram centenas de adaptações para o cinema, em diversas línguas. Uma nova versão cinematográfica será rodada em 2012 e promete novamente emocionar a plateia com uma história que nunca envelhece.

3 comentários:

Comente e Dê sua Opinião Sobre O Tema.

Lembrando que qualquer opinião com boa educação é muito bem-vinda, mas ofensas são excluídas.

(obrigado pela visita, volte quando puder)