26 de janeiro de 2012

Fahrenheit 451 (1966) - Cinefilia Literária (Coluna)


Os níveis crescentes de alienação da sociedade (vide BBB’s e fenômenos musicais duvidosos da vida) como um todo estão cada vez mais nítidos, próximos, assombrosos e desestabilizantes, isso tudo claro para quem não faz parte de tal processo, para quem ainda insiste em ser alguém que pensa, reflete e acima de tudo se posiciona perante a massa uniforme.

Tal massa é constituída principalmente por indivíduos que caminham na vida achando que o importante é estar na moda, é ter o carro do ano, é possuir esse ou aquele aparelho tecnológico qualquer, bens materiais acima de sentimentos humanos, acima de valores, acima da essência do que é viver, afinal essas criaturas realmente não sabem e nem perdem tempo imaginando o que poderá significar a vida, sua novela ou time preferidos merecem mais atenção.

E o que todo esse meu discurso metido à besta aí em cima tem a ver com este Fahrenheit 451, aliás, de onde tiraram esse título? Hummm e pensando mais um pouco o famigerado Michael Moore não fez um documentário com um nome meio parecido? Hahahahaha conversar comigo mesma é ótimo!

Bem, mas voltando ao “normal”... Vamos às explicações. O livro Fahrenheit 451 foi publicado pela primeira vez em 1953 por Ray Bradbury e tal título significa a temperatura necessária para que livros possam ser queimados. O filme inspirado inteiramente na citada obra foi realizado em 1966 pelo grande François Truffaut. Já o documentário de Michael Moore foi feito em 2004 e chama-se Fahrenheit 9/11 fazendo referência tanto aos livro/filme quanto aos acontecimentos do afamado 11 de setembro de 2001.

Vamos à história a aos Spoilers...

Os créditos iniciais do filme nos dão pistas do que está por vir, eles são falados por um narrador que não chegamos a ver, para entrarmos num clima assim de não leitura, enquanto isso, vemos muitas casas, todas elas possuidoras de antenas, o que talvez para a época (tou chutando aqui) não fosse algo tão comum, por isso o enfoque dado.

Entramos em contato com uma sociedade em que possuir livros e o hábito da leitura são infrações graves, escrevendo isto aqui neste exato momento, me ocorreu que tanto eu como você, não poderíamos estar fazendo o que estamos fazendo agora... hahahahaha...

Gracinhas à parte, o fato é que nesta história “hipotética” ler é considerado algo nocivo, mau, livros levam as pessoas à tristeza, a acreditar em coisas que não existem e a fazer com que, por exemplo, quem tenha lido algum dos livros de Aristóteles (é um exemplo dado durante o filme) se ache melhor do que as outras pessoas, então algo assim só pode ser ruim para a sociedade como um todo, pois ela deve ser composta de pessoas “iguais”.

O personagem principal Guy Montag é um bombeiro, mas o trabalho dos bombeiros neste enredo não é apagar incêndios, aliás, as edificações são à prova de fogo, os bombeiros são os responsáveis pela caça e incineração dos livros e também das pessoas que ainda insistem em mantê-los. Montag é alguém que inicialmente não se incomoda tanto com o trabalho que faz, a profissão que ele desempenha já foi também a do seu pai e do seu avô, ele está seguindo uma “tradição” de família apenas, no filme ele é casado com Linda, no livro com Mildred, há nisto verdadeiramente uma curiosidade interessante (Ahhh não vou dizer mais nada...hehehe)

Linda é alguém completamente absorvida pela estrutura totalitária imposta pela “Família”, é assim que se autodenomina o sistema existente. Há duas cenas em que enxergamos isso de maneira clara e para mim, particularmente, emblemática, revelando aspectos facílimos de serem encontrados em nossos dias. Numa, ela está sentada em frente à TV, literalmente aprendendo todo tipo de coisa por meio dela, até as mais simples, não lembro mais da sequência dos acontecimentos, mas ela chega a participar de um programa, porém de maneira genérica, não vou explicar os detalhes, e não percebe isso, está completamente fascinada por aquele aparelho, pelas imagens, pelas pessoas e tudo que fazem... Isso lembra algo? Em outra cena vemos Linda e suas amigas reunidas conversando sobre?

Por sua vez Montag, é “despertado” durante uma viagem de Metrô por uma moça chamada Clarisse, ela é diferente, cheia de questionamentos, radiante. A partir desse momento, Montag vai passando por um processo de descobrimento e revelações maravilhoso de ser acompanhado e aos poucos vai escondendo livros em sua própria casa e os lê com enorme intensidade.

Fica fácil de adivinhar que em algum momento sua “má” conduta vai acabar sendo descoberta.

O capitão dos bombeiros parece desconfiar, mas Montag não quer mais fazer parte da corporação, deseja sair, porém o capitão o convence a realizar um último trabalho...

Montag chega a ser perseguido pelos seus ex-colegas de profissão não só pela posse ilegal de livros, mas também por assassinato, a sociedade “comum”, obviamente acompanha todos esses acontecimentos pela TV que oferece sua versão bizarra. Nela vemos um Montag fake correndo assustado, sendo encurralado e ASSASSINADO em frente às câmeras, nada mais equivocado, Montag consegue fugir e encontra outras pessoas em condições parecidas com as dele, poeticamente pessoas que se tornaram livros...

Tudo que acabei de relatar no parágrafo acima, me fez lembrar muito, guardadas as devidas proporções, de um acontecimento recente, a “caçada” e “morte” de Osama Bin Laden, mas neste caso, incrivelmente eu diria, a “encenação” repassada a nós telespectadores (as) foi ainda pior, já que não vimos nem mesmo a morte de um Osama fake, o corpo foi jogado no mar? Sinceramente, para euzinha acreditar em tudo que dizem ter acontecido é deveras difícil, porém, não é o que parece acontecer com boa parte das pessoas, já que se deixam enganar por reportagens muito mais estúpidas advindas de setores da mídia que há tempos se sabe produzir um jornalismo péssimo, feito exclusivamente com o intuito de agradar quem detém o poder.

Então como denominar esta história contida em Fahrenheit 451 de hipotética e ficção? Ok, os livros, pelo menos agora, não estão sendo queimados, MAS estão sendo lidos? Quais são os grandes fenômenos de vendas? Somos uma sociedade repleta de leitores (as)? Quem lê realmente entende o que está lendo? A resposta para todas estas perguntas é uma só.

Tanto para a sociedade representada nesta obra como para a nossa, o real “perigo” que a leitura de livros pode trazer, é o aprofundamento dos conhecimentos, é o questionar-se e refletir sobre o mundo à nossa volta e tais questionamentos podem provocar mudanças que não são bem-vindas em um mundo no qual os papéis já foram estipulados, há mandantes (bem pouc@s) e mandad@s (a maioria), o esforço empregado para que tudo continue como está, podemos ter certeza que beira ao infinito!


Ficha técnica:
Lançamento: 1966
Livro escrito por: Ray Bradbury
Direção: François Truffaut
Elenco: Oskar Werner, Julie Christie, Cyril Cusack, Anton Diffring.

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