8 de janeiro de 2012

Dormência - Devaneios Literários (Textos)



Cócegas. Não, era mais do que isso. Era como se pequenas agulhas estivessem perfurando sua pele, começando pelas palmas das mãos e espalhando-se pelas pontas dos dedos.

Ela cerrou os punhos algumas vezes, tentando se livrar da sensação, tentando voltar ao normal. Não que as agulhadas fossem necessariamente ruins, mas também não eram boas. Ou pelo menos era o que ela pensava até o momento. Certo?

Não sabia. Franziu o cenho, tentando entender. Era possível? Era possível que existisse um nível de satisfação tão grande, aonde aquelas agulhadas fossem o ápice do momento? Era possível que tal prazer fosse atingido, a ponto de não conseguir diferenciar tal sensação como boa ou ruim?

Era tudo confuso demais... A cada segundo que passava, as agulhadas ficavam mais rápidas, mais frenéticas. A cada segundo, o ritmo aumentava.

Ela fechou as mãos mais uma vez, com força, enterrando as unhas nas palmas e sentindo o contraste. Respirou fundo - bom, se é que aquilo podia ser classificado como respiração.

Inspirava o ar de forma irregular, em uma velocidade tão absurda que quase não havia mais diferença entre inspirar e expirar. A lucidez já começara a se esvair, deixando-a de algum jeito mais leve, mais livre...

Ela sabia que era apenas uma questão de tempo até se entregar, até perder a consciência e se deixar dominar pelo frenesi de agulhadas que continuava em suas mãos, se expandindo lentamente ao longo de seus braços.

A cada segundo, ficava mais difícil respirar. Pensar. Cogitar. Proibir. Testar. Refazer. Não, isso é tudo baboseira... Não há tempo para bobagens. Ela se sentia próxima ao fim, sem saber exatamente que fim era aquele. Fim de sua vida? Fim de um capítulo? Fim das cócegas tão peculiares que agora já a atingiam em uma altura próxima ao coração?

Confusão. Afinal, isso era bom ou não? Ela não conseguia respirar, não sabia mais o que pensar, não conseguia se decidir nem mesmo se a vida dela dependesse exclusivamente disso.

As agulhadas agora eram tão frequentes, tão fortes... que não pareciam mais agulhadas, e sim uma única pressão, simples e uniforme, porém intensa. Ela estava tonta. Ofegante e cansada.

Ela estava nas nuvens. E também no inferno.

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