30 de novembro de 2011

30 de Novembro: Aniversário de Mark Twain e Jonathan Swift


O último dia deste mês de novembro (30/11) é data de aniversário de dois grandes, e falecidos, escritores clássicos: o irlandês Jonathan Swift e o estadunidense Mark Twain. Ambos são considerados mestres da literatura mundial.


Jonathan Swift nasceu em 1667 na cidade de Dublin, capital da Irlanda, e até hoje é considerado um dos maiores escritores da língua inglesa por sua sátira mordaz aos costumes da época, sobretudo na (de longe) mais famosa de suas obras; "As Viangens de Gulliver".

O livro foi diversas vezes adaptado para outras mídias, sendo que em grande parte das vezes perdeu muito de sua densidade crítica e metafórica para se tornar um relato fantástico/infantil. A obra recheada de viagens a locais de povos estranhos (como os pequenos cidadãos de Lilliput) sempre traz alusões críticas e alegóricas sobre formas de pensamento existentes no contexto social em que o escritor estava inserido.


O estadunidense Samuel Langhorne Clemens, mais conhecido como Mark Twain, nasceu na vila Florida no Estado do Missouri em 1835 e ficou conhecido por retratar de maneira autêntica os costumes e regionalismos do interior dos EUA.

Twain publicou diversas obras sobre temas variados, mas chamaram atenção alguns de seus títulos como "As Aventuras de Tom Sawyer" e o posterior "As Aventuras de Hucklebeery Finn" que faziam apologia ao modo de vida infantil retratado com a simplicidade e fidelidade que lhe eram habituais, além de um humor leve e ingênuo tipicamente atribuído a esta faixa etária.

Também são do escritor clássicos famosos como o livro "O Príncipe e O Mendigo" e o conto "Um Assassinato, Um Mistério e Um Casamento".

Uma curiosidade é que o escritor estadunidense foi homenageado pelo Google com a já clássica mudança na logomarca; uma escolha natural visto que o escritor é do país de origem do site.

Informação: Wikipédia e Info Escola

28 de novembro de 2011

O Prazer Antes de Tudo - (Coluna) Ler é Compreender

foto: blog Mãe de Menina
Peregrinando pela inóspito e perigoso terreno que é a tv aberta brasileira me deparei muitas vezes com programas sobre moda, tais atrações sempre me divertiram por expor opiniões arbitrárias como verdades metafísicas e absolutas.

Agora algo que sempre me incomodou é que em todos os casos em que vi os estilistas serem questionados sobre qual  aspecto seria o mais importante na moda - estilo ou conforto - em todos os casos acabavam por tergiversar para no final admitirem que o estilo levava vantagem.

Como blogueiro e interessado pela literatura me questionei se tal sentença poderia ser aplicada aos livros: seria mais importante que uma obra fosse de uma beleza inigualável ou simplesmente prazerosa? E não pude deixar de aplicar a mesma concepção que utilizei para entender o julgamentos dos modistas como errôneo, ao acreditar que o conforto vem antes de tudo.

É sempre bom que gostemos daquilo que há de melhor, eu mesmo creio que algumas obras são muito superiores a outras, mas de que adianta eu ler algo excepcional se não tenho nenhuma satisfação com aquilo. Leitura é de fato uma tarefa difícil, sobretudo em algumas obras mais exigentes, mas eu creio que nada que seja feito sem um mínimo de prazer é recomendável.

Não afirmo, porém, que seja impossível conseguir aprender a gostar de algo por uma imposição inicial, estão aí muitos dos meus hábitos que atestam que ser obrigado pode dar resultados. Mas se tem uma coisa que valorizo (talvez por ser ingênuo nesse departamento) é que a espontaneidade e a satisfação devem ser sempre as guias.

Claro que existem muitas coisas conquistadas com sofrimento e acho isso bastante válido, mas quando é aquele penar que o sujeito está disposto a suportar para alcançar algo que vai lhe satisfazer mais à frente.

Desta forma, se eu pudesse dar um conselho, eu diria com toda a racionalidade que o leitor deve escolher sempre aquilo que gosta pois com toda certeza não creio que impor leitura de livros clássicos é a única opção, tanto que eu sou uma das várias pessoas que passaram a gostar de ler este gênero simplesmente pelo interesse pessoal.

Posso até me incomodar em ver alguém lendo escritores que considero horríveis, mas se ali há uma satisfação espontânea só me resta respeitar mantendo minha opinião. Afinal forçar sempre é o verbo que abre o precedente para tolher a nossa tão valorizada autonomia que mesmo não sendo plena tem de gozar de alguns momentos de liberdade.


27 de novembro de 2011

Os Maias (Eça de Queirós) - Leitura Online e Download

imagem meramente ilustrativa


Título: Os Maias
Autor: Eça de Queirós
Primeiro Lançamento: 1888
País: Portugal


Sinopse
Os Maias foi escrito em dois volumes e publicado em 1888. Conta a história de uma família reduzida a duas pessoas: o elegante, inteligente e civilizado Carlos da Maia e seu rico e austero avô, Afonso da Maia, que o criou e educou, depois da fuga de sua mãe com um aventureiro napolitano e do suicídio de seu pai. É ainda, em grande parte, um painel da vida portuguesa, dos ridículos da sociedade lisboeta, de sua aristocracia ociosa e parasitária, dos políticos vazios e incompetentes, do meio literário e jornalístico. Um quadro completo e – pode-se dizer – devastador.
Mas o tema central são os amores de Carlos da Maia. Primeiro, os amores de ocasião que não lhe deixaram sinal. Depois, o grande amor de sua vida: Maria Eduarda. Inexcedível na sua beleza sem rival, mais deusa que mulher. Quando Carlos a viu pela primeira vez, foi um momento de alumbramento. Ambos se apaixonaram perdidamente. Tinham, de fato, nascido um para o outro. Só que o destino ia separá-los por um obstáculo único e intransponível. Nesse desencontro é que está a tragédia de Os Maias.

Leia O Livro Online Abaixo:





Livro que Mostra Lampião como Homossexual é Proibido pela Justiça


O juiz Aldo Albuquerque de Aracaju (SE) proibiu nesta quinta-feira (24/11) a publicação do livro “Lampião – o Mata Sete" do também juiz, só que aposentado, Pedro de Morais. A ação que motivou a proibição foi movida pela família do cangaceiro por considerar a obra ofensiva ao sugerir que Lampião era homossexual e que sua companheira, a Maria Bonita, era adúltera.

Segundo o livro, Virgulino Ferreira (o Lampião) tinha um caso com o também cangaceiro Luiz Pedro que, por sua vez, se relacionava com Maria Bonita formando assim um curioso triângulo amoroso. A obra ainda sugere que a filha do casal (a ainda viva Expedita Ferreira Nunes) não era biologicamente legítima do "Rei do Cangaço", mas não apenas por sua homossexualidade e sim porque ele haveria recebido um tiro nos órgãos genitais em 1922, 10 anos antes do nascimento da menina.

Por essa razão, o escritor Pedro de Morais afirmou que irá recorrer da decisão jurídica alegando que suas conclusões são advindas de pesquisas sérias em livros, artigos e revistas. Além disso ele afirma que poucos são os indícios que se coadunam com a visão romanceada que se tem de Lampião como uma espécie de herói. “Nenhuma virtude eu encontrei no bandido em qualquer ato seu”, afirmou o autor em declaração.

Quanto a questão da homossexualidade, especificamente, o escritor faz questão de esclarecer que este não é o tema central da obra e quenão é um fato novo. Entre as informações citadas no livro está o estudo promovido pelo antropólogo baiano Luís Mott que sugeriu controvérsias acerca da fama de "machão" do cangaceiro através de alguns hábitos que ele possuía.

Pedro de Morais acredita que conseguirá lançar sua obra durante a próxima semana na sede da OAB em Aracaju, como havia previsto anteriormente.

Informação e Foto: Notícias UOL & Paraiba.com.br

26 de novembro de 2011

Os Livros Mais Vendidos da Semana - 30 de Novembro de 2011



Mais uma semana consecutiva com os três líderes permanecendo nas primeiras posições em suas respectivas categorias, mesmo enfrentando lançamentos e livros recentes que conquistaram algumas colocações.

Abaixo você poderá ler maiores detalhes sobre os "vencedores", para os livros mais vendidos da semana referente ao dia 23/11 clique aqui.


As Esganadas - Jô Soares



"As Esganadas" continua liderando mesmo diante de uma concorrência forte, demonstrando quão populares são os livros e sobretudo a figura do apresentador Jô Soares da Rede Globo.

Em segundo lugar está a mais recente obra de Umberto Eco; "O Cemitério de Praga", que não bastasse ser de um autor reconhecido mundialmente, é também um thriller com diversos elementos projetados para conquistar o leitor.

Em terceiro aparece a mais nova obra de Nicholas Spaks intitulada como "Um Homem de Sorte" que subiu da sétima posição na semana passada para a terceira nesta, seguindo de certa forma aquilo que já havíamos previsto.

Veja Jô lendo um trecho inicial de "As Esganadas" abaixo:




Mais sobre As Esganadas:



Não Ficção: Steve Jobs (Walter Isaacson)


Walter Isaacson consegue permanecer mais uma semana consecutiva como líder e com relativa tranquilidade já que em segundo lugar aparece apenas o livro "Feliz Por Nada" de Martha Medeiros que já está a 19 semanas na lista de mais vendidos.

A biografia de Steve Jobs da Cia das Letras só deve ficar atenta ao crescimento de "Em Algum Lugar do Paraíso" de Luís Fernando Veríssimo, que subiu da oitava para a terceira posição em relação a lista anterior. 


Mais sobre a biografia de Steve Jobs:



Autoajuda e Esoterismo: Ágape (Pe Marcelo Rossi)


"Ágape" continua na primeira posição e por enquanto sem opositores que possam competir à altura. Em parte, toda esta hegemonia se deve a falta de lançamentos de auto-ajuda de peso que ocupavam anteriormente as primeiras posições.

A principal novidade nesta categoria ficou por conta da estreia de "É tudo Tão Simples"em terceiro; a mais nova obra da jornalista e escritora Danuza Leão. A autora é famosa por suas crônicas de auto-ajuda, por ser irmã da cantora Nara Leão e por ter uma boca significativamente larga.

Já "Ágape" é uma publicação da editora Globo que mesmo tendo um preço sugerido de 20 reais pode ser encontrada por apenas 10 (RS 9,90) em algumas lojas.

Veja abaixo o Trailer do livro:



Mais sobre Ágape:


Veja o top 10 completo da revista Veja em cada categoria:



O Crime do Padre Amaro (Eça de Queirós) - Leitura Online e Download

imagem meramente ilustrativa

Título: O Crime do Padre Amaro
Autor: Eça de Queirós
Primeiro Lançamento: 1875
País: Portugal

Sinopse
Publicado em 1875, O crime do padre Amaro gerou polêmica, escândalo e revolta, sobretudo nos meios eclesiásticos e na alta sociedade. Tratava-se da primeira obra de ficção do jovem e promissor Eça de Queiroz (1845-1900), que ainda legaria à literatura universal clássicos como O primo Basílio (1878), Os Maias (1888) e A ilustre casa de Ramires (1900), entre muitos outros.
A razão do escândalo: no romance, o recém-ordenado padre Amaro vai trabalhar na cidade portuguesa de Leirira (onde o próprio Eça de Queiroz viveu no período que escreveu a obra). Lá, colocando em prática o que aprendera no seminário, depara-se com as contradições e as impossibilidades do catolicismo tal como pregado e praticado. E acaba envolvendo-se de maneira perigosa com a jovem Amélia, num drama levado à mais alta realização pela verve narrativa e estilística do autor.
O livro inaugura o chamado realismo na literatura portuguesa, e descrições tão cruas de hipocrisias envolvendo o clero, a própria religião católica e a sociedade burguesa chocaram o moralismo da época. Hoje, mais de cem anos após sua publicação, O crime do padre Amaro matém seu lugar de marco na literatura portuguesa e mundial, e, por outro lado, entre os ataques mais ferinos jamais feitos pela literatura aos dogmas da Igreja Católica.

Leia O Livro Online Abaixo:




25 de novembro de 2011

A Viuvinha (José de Alencar) - Leitura Online e Download

imagem meramente ilustrativa

Título: A Viuvinha
Autor: José de Alencar
Primeiro Lançamento: 1860
País: Brasil

Sinopse
Jorge foi criado por Sr. Almeida, o qual lhe dá a notícia de que o nome de seu pai foi desonrado por causa de algumas dívidas. Jorge então se sente culpado em ter se casado com Carolina e, na noite de núpcias, forja sua morte para poder limpar o nome de seu pai. Será que a moça o aceitará de volta quando ele finalmente tiver feito o que se propôs? "A Viuvinha" é uma obra muito importante dentro do seu movimento literário.


Leia O Livro Online Abaixo:




24 de novembro de 2011

A Pele que Habito - Cinefilia Literária (Coluna)


O mais recente filme de Almodóvar estreou no Brasil há poucas semanas levando muita gente aos cinemas, fenômeno digno de nota, pois bem sabemos que na maioria esmagadora dos casos os primeiros lugares das listas são ocupados por blockbusters estadunidenses falados obviamente em língua inglesa, então algo fora desse padrão, já pode ser considerado relevante, claro que tal acontecimento se deve ao peso que o nome Almodóvar foi conquistando com o passar do tempo, ele é dos poucos bons diretores que ainda conseguem lotar salas.

Assisti a este filme numa dessas salas lotadas, foi interessante notar que ao contrário do que eu imaginava não havia apenas fãs da obra do autor, mas muita gente desavisada que vai assistir a certos filmes “excêntricos” sem saber das características peculiares que poderão estar prestes a presenciar, essas pessoas são pegas de surpresa e ficam abismadas com tudo que vêem, sinceramente ainda não compreendo bem, o que poderá movê-las? A necessidade de sempre fazer parte daquilo que é mais comentado naquela semana? Naquele momento? Não importando muito se existe alguma diferença qualitativa entre um (terrível) “Amanhecer” ou este A pele que habito? Deixemos tais interrogações de lado (por ora). 

Este filme é inspirado no livro Tarântula do francês Thierry Jonquet, publicado em 1984, que parte de três histórias aparentemente distintas, mas que se coincidem em determinado momento do enredo. O filme de Almodóvar segue uma linha central na história que é desenrolada a partir do papel do médico Robert Ledgard, vivido com competência por um Antonio Banderas que há tempos estava escondido em meio a personagens repetitivos, sem graça e caricatos.

O Dr. Ledgard, é um renomado cirurgião plástico que sabemos logo no início ter participado de três entre os dez transplantes de rosto realizados no mundo e antes que alguém se sinta perturbad@ pelo aparecimento repentino de spoilers neste texto, aproveito para esclarecer que ao contrário do que venho fazendo com outras obras neste espaço, desta vez não irei revelar muito da história, pois, trata-se de um filme novo e bom, como não foi o caso de Conan, por exemplo, e sendo assim, espero que muitas pessoas ainda tenham vontade de conferi-lo.

Então para não falar muito da trama, enfatizo apenas que há muitos momentos inusitados, cenas que podem chocar certas pessoas e que Almodóvar trabalha muito bem vários elementos neste filme: drama, suspense, horror, ficção e há até espaço para uma pequena dose de humor, mas num enredo não linear, nada nos é entregue de cara e vamos descobrindo aos poucos do que verdadeiramente se trata esta história, sendo assim é cinema de primeira grandeza, em meu ponto de vista uma única atitude que deveria ter sido tomada com maior antecedência foi algo que ficou a desejar, entretanto, considerando a quantidade escandalosa de coisas ruins que são jogadas nas salas de projeções arbitrariamente, essa ÚNICA (falta de) atitude nem é tão ruim assim, vamos combinar e quem sabe, você querid@ leitor(a) nem note :)







Ficha técnica:
Lançamento: 2011
Livro: Tarântula por Thierry Jonquet
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Blanca Suárez, Jan Cornet, Marisa Paredes

22 de novembro de 2011

A Louca da Casa (Rosa Montero) - Crítica / Resenha


Edição: Pocket Ouro / Ediouro - 2009
Sinopse
Em 'A louca da casa', a jornalista e ficcionista Rosa Montero fala da literatura, dos escritores com suas histórias e personagens, da imaginação e da narrativa ficcional. Mas aos poucos, para a surpresa de quem lê, a autora se oferece em espetáculo no ato de imaginar e criar uma narrativa literária com a sua própria biografia, e do mesmo modo vai revelando os segredos da corporação dos escritores. Surgem então os fingimentos de Goethe, a doença de fracasso de Walzer e a síndrome do sucesso de Capote, o drama do reconhecimento póstumo com Melville, o egoísmo de Tolstoi, a vaidade de Calvino, de modo que as entranhas da criação literária vão se tornando íntimas. Enfim, ficção, ou uma fabulação sobre os inventores de fábulas, a obra vai revelando como a vida de qualquer um de nós não funciona de modo diferente das narrativas ficcionais.Um dia, numa banca de revista qualquer, me deparei com um livro custando R$ 9,90. Fora o preço e algumas indicações presentes na contracapa não sabia nada sobre, tampouco acerca de sua autora, a jornalista Rosa Montero, cujo o único atrativo para a minha ignorância era ser uma escritora do sexo feminino; o que costuma não ser muito recorrente.


Quando me deparei com este livro o único atrativo que tive foi o preço; R$ 9,90. Parecia um valor muito razoável para ousar na aquisição de uma obra que eu desconhecia plenamente. Da mesma forma que nunca havia ouvido falar da jornalista espanhola Rosa Montero, a autora, que me atraiu apenas por ser mulher, o que é raro na minha minha "biblioteca" pessoal.

Felizmente ao ler as primeiras páginas pude perceber que o meu pequeno investimento havia valido a pena, A Louca da Casa se mostra com um interessante romance intimista, que traduz a personalidade da autora por narrações de histórias alheias e invencionices acerca da própria.

Como a escritora salienta desde o início, a obra tem como pretensão ser um ensaio livre sobre a relação entre ela e o ato de escrever. Desse argumento surgem diversas divagações acerca dos impulsos que movem aqueles que escrevem, suas diferentes motivações e os movimentos que os guiam. Para ilustrar surgem histórias sobre a vida e a obra de diversos autores que fazem parte de sua formação cultural.

Outro componente importante na analogia é a própria vida de Rosa Montero em seus anseios literários. O que chama atenção, porém, é que autora nem de longe se preocupa em si biografar, tal caráter ficar evidente nas três formas com as quais ela narra o seu encontro com o provavelmente fictício personagem "M.". Em todas elas existem similaridades com a profissão dele, a maneira pela qual se conheceram, a dificuldade de comunicação que tiveram... Mas cada uma das vezes mudanças significativas ocorrem encaminhando para um novo desfecho que abre margem para igualmente novas divagações acerca da vida.

É muito positivo o contraste que a escritora consegue impor quando a autenticidade de seus relatos íntimos aparece diante de uma história pessoal, ao menos parcialmente, ficcional. Com isso a obra consegue exceder o caráter explícito de informação e ganha uma dimensão  imagética completamente coerente com sua proposta de valorização daquilo que, mesmo não sendo, acaba por ser, e ser em protagonismo. A criação da sua irmã inexistente, a Martina, é o melhor exemplo dessa ficção que se propõe verdadeira.

A dificuldade do livro, porém, é que se trata de uma obra feita com objetivo de atender aos anseios da autora. O fluxo, portanto, é irregular com momentos que evocam a uma reflexão mais profunda enquanto outros são mais rasos e pueris, por assim dizer.

A Louca da Casa é metalinguagem pura, escrever sobre a escrita, e por isso abre margem para diversas possibilidades, e como acontece nesses casos várias parecem terem sido ignoradas o que pode vir a incomodar o leitor mas que faz sentido dentro de uma proposta de experimentação autoral.

O leitor, por sua vez, tem de ter um interesse que exceda a simples fascinação por aquilo que é contado. Ele tem de gostar do processo em algum nível, tornando-o mais aberto a biografia do inexistente e as variações de ritmo propostas por Rosa Montero. 

Por fim, me arrisco a dizer que a autora passa a impressão de que lhe falta mais maturidade para formular um tratado original cujo valor artístico alcance o nível daquilo que impressiona e arrebata.

Assim A Louca da Casa parece um interessante mergulho de Rosa Montero em si mesma, que tem por características agradar mais aos que se identificam em alguma instância mas que não abre margem para discutir a honestidade na aplicação da proposta.


(3 de 5 / Bom)


21 de novembro de 2011

Veja 13 IIustrações de Salvador Dalí Para Alice no País das Maravilhas



Perambulando pela internet em busca de notícias interessantes sobre assuntos literários eis que encontro uma nota do site Omelete sobre uma série de imagens do pintor surrealista espanhol Salvador Dalí. O interesse literário vem do  fato de que as ilustrações em questão foram feitas para o clássico infantil Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll, cada uma das 12 correspondendo a um capítulo do livro, além de mais outra como capa.

As imagens que podem ser vistas abaixo foram retiradas do site da galeria Willliam Bennet em Nova York. Para mais obras de arte digitalizadas visite o portal clicando aqui.

Lembrando que como trata-se de estética surrealista o estilo certamente não agradará a todos. Mas eu, particularmente, gostei bastante até porque surrealismo e Alice no País das Maravilhas tem tudo a ver.

capa

Descendo pela Toca do Coelho

A Piscina de Lágrimas

Uma Corrida de Comitê e Uma Longa História

O Coelho Manda O Pequeno Bill

Conselho de Uma Lagarta

Porco e Pimenta

Louca Festa do Chá

O Campo de Críquete da Rainha

A História da Tartaruga Falsa

A Quadrilha da Lagosta

Quem Roubou a Torta?

O Depoimento de Alice


20 de novembro de 2011

Quando Notícias Viram Roteiros - Papel & Película (Coluna)


Não é só de obras literárias que vivem os roteiristas de cinema. É bem verdade que a arte imita a vida e muitas vezes a matéria-prima para grandes filmes está no cotidiano, esperando em frias e objetivas matérias de jornal para serem recontadas com mais pompa e circunstância nas telas.

O primeiro expoente deste fenômeno aconteceu na década de 1930, quando o estúdio Warner tinha como slogan “veja na tela as manchetes dos jornais de hoje”. Com a vigência de Lei Seca e os gângsters aterrorizando as cidades, em especial Chicago, dezenas de filmes moralistas sobre o tema surgiram baseados em histórias reais contadas nos jornais. Os principais astros desse gênero foram Paul Muni, Edward G. Robinson, George Raft e James Cagney. A Warner produziu dois grandes espetáculos cinematográficos estrelando Cagney: “Inimigo Público”, em 1931, e “Fúria Sanguinária”, em 1949, ambos impressionantes filmes com vários detalhes retirados da vida real.

Numa época já sem gângsters, eram a máfia e o Comunismo que forneciam os vilões perfeitos. Prova disso é “Sindicato de Ladrões”, filme de 1954 que teve seu roteiro criado a partir de uma série de artigos jornalísticos premiados com o Prêmio Pulitzer. Ele trata do poder dos líderes de sindicatos sobre os estivadores das docas de New Jersey. Protagonizado por Marlon Brando, Karl Malden e Eva Marie Saint, as boas atuações renderam ao filme incríveis oito Oscars, além de uma rica história de traição nos bastidores envolvendo o diretor Elia Kazan e seus depoimentos contra os comunistas.

A década de 1970 chega trazendo realismo ao cinema. Adeus aos musicais e outras fantasias cinematográficas. Um choque de realidade seria dado no público, e nada define melhor esse impacto quanto “O Poderoso Chefão” (1972). Baseado no livro homônimo de Mario Puzo, o filme traz um cotidiano desconhecido da maior parte da plateia. Amplamente baseado em situações e pessoas reais, presentes em notícias, fica até difícil de engolir que tamanha violência possa ter sido tirada da realidade. A exemplo do que acontece em “ Inimigo Público”, mais de 40 anos antes, há uma cena impressionante e verídica de vingança em que a vítima é um cavalo responsável pela morte de um dos (muitos) vilões.

Outro chocante caso real que foi para o cinema na década de 1970 é o de Sonny, recontado em “Um Dia de Cão” (1975), com Al Pacino no papel principal. A trama gira em torno de um malfadado assalto a banco que comoveu e mobilizou centenas de pessoas três anos antes. A história virou sensação televisiva e artigo especial na revista Life. Se de início temos raiva do criminoso que faz várias funcionárias reféns, acabamos por nos espantar ao saber o motivo do crime: ele precisava de dinheiro para pagar a cirurgia de mudança de sexo do amante. O ladrão verdadeiro, preso na época do lançamento do filme, afirmou que “apenas 30%” do enredo era real.

Com esse novo choque de realismo, acontecimentos noticiados acabaram nas telas dos cinemas, mais ou menos romantizados. Foi o que aconteceu com o escândalo do Watergate, responsável por derrubar o presidente norte- americano Richard Nixon, retratado em “Todos os homens do presidente” (1976). Novos filmes de gangster surgiam, embalados pelo sucesso de “O Poderoso Chefão”, e traziam muitos fatos verídicos. Os maiores expoentes desse gênero revivido são “Scarface” (1983) e “Goodfellas” (1990).

O jornalismo é uma atividade muito semelhante ao cinema. Descritiva e detalhista, o trabalho jornalístico não se prende a questões subjetivas. Isso fica a cargo de roteiristas, diretores e compositores da sétima arte, quando decidem levar para as telas o que apareceu primeiro em jornais e revistas. Desde o superclássico soviético “O Encouraçado Potemkin” (1925), recontando os eventos ocorridos vinte anos antes em um motim, até os mais recentes sucessos do cinema, sempre há algo de fascinante a ser tirado do cotidiano.

19 de novembro de 2011

Os Livros Mais Vendidos da Semana - 23 de Novembro de 2011



Mais uma vez nenhuma alteração entre os primeiros colocados da lista de mais vendidos, principalmente porque as estreias da semana não chegaram a incomodar

Abaixo você poderá ler maiores detalhes sobre os "vencedores", para os livros mais vendidos da semana referente ao dia 16/11 clique aqui.


As Esganadas - Jô Soares



As Esganas permanece pela terceira semana consecutiva na primeira posição entre os livros da categoria de ficção, demonstrando a força que tem o apresentador da Globo em termos de venda e aceitação do público.

A popularidade deste e de outros livros que ocupam as primeiras posições; como A Tormenta de Espadas (2°) e O Cemitério de Praga (3°), motivaram um estreia abaixo do esperado do mais novo livro do escritor sensação Nicholas Sparks. A Obra intitulada como Um Homem de Sorte (nome hollywoodiano como de hábito) ocupou apenas a sétima posição.

Abaixo segue um vídeo onde Jô lê um trecho do primeiro capítulo:




Mais sobre As Esganadas:



Não Ficção: Steve Jobs (Walter Isaacson)


Há quatro semanas como líder a biografia de Steve Jobs não tem concorrentes, por enquanto, em matéria de novas estreias. Os outros livros que ocupam as posições subsequentes são obras que já figuram na lista de mais vendidos há mais tempo.

O livro escrito pelo jornalista Walter Isaacson é fruto de mais de 2 anos de pesquisa com diversos depoimentos de amigos, colegas de trabalho e familiares. A publicação que sai no Brasil pela Cia das Letras ganhou o caráter de biografia definitiva sobre o criador da Apple.


Mais sobre a biografia de Steve Jobs:



Autoajuda e Esoterismo: Ágape (Pe Marcelo Rossi)


Antes do Leia Literatura existir Pe. Marcelo Rossi já ocupava a primeira posição na categoria "autoajuda e esoterismo"; mais precisamente há 64 semanas consecutivas na lista de mais vendidos, o que corresponde a cerca de 1 ano e 3 meses.

Beneficiado por preços baixos que chegam ao R$ 9,90 em muitos locais a obra é feita para agradar a maior quantidade de público possível com seu estilo coloquial e sua formatação com fonte grande e muitos espaçamentos em, apenas, pouco mais de 100 páginas.

Veja abaixo o Trailer do livro:



Mais sobre Ágape:


Veja o top 10 completo da revista Veja em cada categoria:



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