24 de dezembro de 2011

Insolência Quinzenal (Coluna) - "Notas Literárias de Natal"


“... Estrelas, que todos as vêem, e muitos poucos as medem” (Antônio Vieira).



Desde que Saramago publicou sua forma polêmica de contar a passagem pela face da Terra de Jesus muito já se comentou, debateu... Sim: o diabo! Tudo, como também mais um pouco, pois se fez e refez sobre tal personagem: humana criatura que tanto nos fascina para considerarmos ela divindade criadora pela nossa fé. Fé que remove montanhas... Montanhas de tolerância por vezes: quando Saramago se torna sua vítima por exemplo. Dos males o menor, contudo, pois crer é sinônimo de matar e morrer também... Em nome de Jesus!

É provocador mas até que vez por outra queremos o relato pessoal desse protagonista sobre sua vida. Venhamos e convenhamos: tais relatos são subjetivos como quaisquer outros. Impossível para nós é ter a realização dessa vontade todavia: não adianta desejar. Vontade comum nossa de pôr um ponto final por tudo! Podemos contrapor esta com outra: temer ir mais adiante na busca de qualquer coisa. Gente considerada sábia com teimosia, mesmo sem as esperanças da certeza final (Certeza final?), tenta chegar mais perto do que poderia ser talvez o “fato concreto”.

Portanto Jesus, em seu momento por nossa realidade considerada concreta, misterioso se faz em inúmeros pontos biográficos aparentados com as estrelas que, semeadas no céu, nos encantam mas se mantêm, por mais buscadas nas constelações ou galáxias, ainda distantes. Lembremo-nos porém de Vieira quando procura no Sermão da Sexagésima compreender o melhor modo de se pregar as palavras atribuídas ao mesmo Jesus cá discutido para que quaisquer criaturas as entendam:


“O pregar há de ser como quem semeia, e não como quem ladrilha ou azuleja. Ordenado, mas como as estrelas:


‘ ... as estrelas nas ordens de seus cursos... (Jz. 5,20)’.


Todas as estrelas estão por sua ordem, mas é ordem que faz influência, não é ordem que faz lavor”.


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Dificuldades temos de saber bem sobre Jesus pelo seu caráter influenciador em tanta gente por tanto tempo. Sabemos que diversas pessoas acreditam piamente nas influências estrelares, consultando tantos horóscopos quantos suas crenças permitem, onde tais influxos celestes proporcionam equilíbrios e desequilíbrios durante suas vivências... Acaso Jesus seria daquelas estrelas fundamentais à sobrevivência mas que não podem ser enxergadas de perto com riscos de perder a visão? Seu natal vem a ser celebrado no dia do sol comemorado pela gente, denominada de maneira cristã, pagã. Talvez exagero seja tal comparação... Porém muitos indícios pelo mundo temos da força que Jesus exerce sobre nós. Ao menos Estrela d’ Alva!

Mas... Estrela d’ Alva vem a ser considerada símbolo da mãe de Jesus? Que gafe minha, Maria!

Vênus... Maria? Bom é voltarmos ao tema.

Consideremos também que sem tal influência Jesus não nos interessaria tanto. Nem tema seria de meu texto para lá de grande motivado para dar mais uma mensagem natalina compreendida no meio de tantas hoje. Discutí-lo desde suas referências dadas por Mateus, Lucas, Marcos e João até Saramago sempre será difícil. Nossa salvação talvez venha na profundidade tomada pela discussão por causa justamente do confronto das pessoas que têm fé com suas adversárias: é processo dialético! Também há seu lado bom portanto nas reportagens sensacionalistas feitas por revistas ou canais de televisão questionando sua comprovação existencial. Comprovação existencial? Para quem acredita basta crer. E quem não a personagem e seu significado para boa parte dos seres humanos há de bastar. Eis assim a festa de Natal dando motivo para ser festejada.


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Nos últimos dias dos anos em que vivemos as mensagens de paz mais amor preenchem a paisagem comumente monótona da vida que levamos. Enchem a paciência de quem já sabe que se surtir algum efeito disso será mínimo para mover qualquer mudança na mesma paisagem. Enfim: a desesperança também é natalina.

Paisagem nefasta?

Mas ao meio de tantos recadinhos bregas em cartões que tal ler a mensagem principal? Sei que temos pecados filhos da preguiça provocadores da não leitura que grande já não pode ser: é sem tamanho! Nossa leitura se resume por tanta porcaria... Jesus! É da fonte que vem o rio porém. Só vamos entender o festejo satisfatoriamente quando nos dermos conta da boa nova trazida pelo messias do novo testamento. Proponho tal leitura não só religiosamente. Portanto vamos lidar com Jesus por todos os meios e não ameaçado pela popularidade de Papai Noel.

Jesus nos salva? Não sei. Por enquanto... Seguinte!

Vieira desejava que gente defensora da fé no Jesus tão famoso levasse tal celebridade por qualquer parte. Daí que toda pregação deveria ser feita bem que nem a do céu com estrelas:


“As estrelas são muito distintas e muito claras. Assim há de ser o estilo da pregação: muito distinto e muito claro. E nem por isso temais que pareça o estilo baixo: as estrelas são muito distintas e muito claras e altíssimas. O estilo pode ser muito claro e muito alto; tão claro que o entendam os que não sabem, e tão alto que tenham muito que entender nele os que sabem”.


Pena que do Jesus histórico não podemos obter tanta facilidade. Pelo menos lidamos com a complexidade que lhe vem a ser devida! Deveras a figura polêmica, mesmo sem Saramago, protagonista do cristianismo deva sua popularidade mais a fé do que pelos méritos humanos que possamos achar nela: carisma por exemplo. Contudo não podemos negar que não é para qualquer um liderar meio mundo de gente que busca pautar a sua vida nos ensinamentos do Cristo seu Jesus... E considerando quem o segue como também quem não é fundamental Jesus:


“O rústico acha documentos nas estrelas para sua lavoura, e o mareante para a sua navegação, e o matemático para as suas observações e para seus juízos. De maneira que o rústico e o mareante, que não sabem ler, nem escrever, entendem; e o matemático, que tem lido quantos escreveram, não alcança a entender quantas nelas há”.


Seguimos a luz celeste que nos conduz a Belém: um astro nos guiando para saber da melhor maneira Jesus astro também. Certamente mais popular entre tantos outros, supostos ou não, como “The Beatles” por exemplo. Quer seja simples pessoa rústica da Judéia no princípio quase da contagem do calendário por nós usado; quer seja salvação de todos os seres humanos sendo Cristo: saibamos dele como forma de também nos compreendermos.


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Podemos tomar o caminho de Damasco que nem Paulo. Que nem Brás Cubas igualmente? Não vem ao caso. Podemos tomar outro caminho também para chegar onde Caeiro mora com o seu Menino Jesus. Ambos iguais praticamente considero.

Virgem do Prado (Rafael Sanzio)




Fotos: Astronomia no Rodolfo (blogspot) e Google


2 comentários:

  1. Estrelas são bonitas... Há tempos nos guiam na terra por meio da visualização do céu, mas só.

    O alcance de Jesus vai muito mais além, não pode ser medido, é maior até mesmo do que a infinidade das estrelas.

    Bonito texto, parabenizo a escrita feita com desvelo, assim é a sua, mesmo que não concorde com as palavras nelas contidas, aprecio deveras a Arte de como dizê-las!

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  2. Usar de metáforas para se referir a Jesus não é problema. João Batista chama tal mestre de cordeiro. Quem é da cristandade põe seu Cristo na significação do leão da tribo de Judá. Posso dar mais exemplos! Entretanto não mais necessários: dois bastam.

    Agradeço pelos elogios e também por dispor de seu tempo para comentar o texto, Sansinha. Beijos e feliz natal (que só termina no dia de reis)!

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