19 de dezembro de 2011

Forrest Gump (1994) - Papel & Película (Coluna)


Alguns filmes se tornam sucessos instantâneos e alcançam o status de “novos clássicos”, angariando uma legião de fãs. Esse foi o caso do bem-sucedido “Forrest Gump”, que ganhou, aqui no Brasil, o subtítulo “O Contador de histórias”. O que muitos dos maiores fãs, daqueles que conhecem os diálogos de cor, não sabem é que Forrest Gump surgiu primeiro nos livros – e nem era tão agradável assim.

Forrest (Tom Hanks) é um ser humano pouco inteligente, mas sua mãe (Selly Field) não deixa que ele se sinta inferior por seu baixo Q.I. Daí vem o lema de ambos: “Idiota é quem faz idiotice”. Ela é a maior incentivadora de Forrest. Outra mulher muito importante na vida dele é a melhor amiga de infância e grande paixão, Jenny (Robin Wright). A vida de Forrest, como a maioria das vidas humanas, é um misto de drama e comédia e, mesmo sem querer, ele participa de alguns dos maiores acontecimentos da História americana do século XX. Para se ter uma ideia, ele conhece Elvis Presley (e o ensina a dançar!), participa da Guerra do Vietnã, é entrevistado junto com John Lennon (e o diálogo inspira a letra da canção Imagine), recebido como herói pelo presidente e tem um papel importante para o estopim do escândalo do Watergate. Por incrível que pareça, Forrest passa quase alheio a esses acontecimentos, numa crítica ao que acontece com, talvez, a maioria da população mundial.

O uso de efeitos especiais é primoroso. Afinal, só com muita computação gráfica seria possível inserir o ator Tom Hanks em momentos e vídeos históricos. Além disso, a reconstituição das diferentes épocas em que se passa o filme é bastante elaborada. Não é à toa que ele ganhou o Oscar de Melhores Efeitos Especiais e Melhor Montagem, além de Melhor Filme, Melhor Ator para Tom Hanks, Melhor Diretor para Robert Zemeckis e Melhor Roteiro Adaptado. Além disso, foi também o vencedor de três Globos de Ouro.

Alguns dos amigos de Forrest são o grande destaque. O principal deles é o mal-humorado, porém amável, Tenente Dan Taylor, interpretado por Gary Sinise. Além de ser o comandante de Forrest durante a Guerra do Vietnã, é ele também quem vai ajudá-lo em uma nova empreitada: um barco de pesca de camarões, realizando o sonho de outro importante amigo de Forrest, Bubba (Mykelti Williamson). Outra que rouba o filme quando aparece é Sally Field, a otimista mãe de Forrest, que pronuncia a memorável frase: “A vida é uma caixa de chocolates, Forrest. Você nunca sabe o que vai encontrar”. Mais uma grande frase do cinema foi criada neste filme: “Corra, Forrest, corra!”, em alusão ao momento em que o protagonista abandona suas próteses das pernas durante uma perseguição. E desde então ele nunca mais deixou de correr.

São pequenos momentos e detalhes que fazem de “Forrest Gump” uma experiência cinematográfica inesquecível: a abertura com a pena azul voando embalada pela bela trilha sonora de Alan Silvestri, as diversas corridas de Forrest, o salvamento do Tenente Dan, o reencontro com Jenny em Washington, a descoberta de um herdeiro e, é claro, sua clássica narrativa no ponto de ônibus. É surpreendente quando ele interrompe o que está contando e, a partir daí, dá seguimento à sua própria história, agora acompanhada de perto pelos espectadores.

No livro, escrito por Winston Groom, Forrest é bem diferente: embora também consciente de suas limitações, ele às vezes se aproveita disso, sendo mais sarcástico. Ele se assemelha bastante ao personagem interpretado por Dustin Hoffman em “Rain Man”, apesar de não ter autismo. O livro saiu dois anos antes de “Rain Man”, mas as semelhanças entre ambos param por aí. Alguns episódios fantásticos foram suprimidos, a exemplo da experiência como astronauta, o campeonato de xadrez, os canibais e os encontros com Raquel Welch e Mao Tsé-Tung. No entanto, alguns momentos lacrimejantes foram acrescidos à película (não vou citá-los, ou posso estragar o filme).

Um segundo livro foi escrito, chamado “Gump & Co.”, e publicado em 1995. Com a febre recente das sequências, muito se pensou em fazer uma continuação para a comovente história de Forrest. Em 2001, o mesmo roteirista, Eric Roth, foi chamado para escrever o novo filme, mas o projeto, que iria se chamar “Forrest Gump, Gump Again”, nunca saiu do papel.

Acompanhamos Forrest em sua jornada durante 142 minutos que passam voando. Ingênuo e simpático, sem nunca se tornar bobo, o filme traz Tom Hanks em seu melhor momento, muita cultura para quem estiver atento aos detalhes e conectado aos fatos da História e, sem dúvida, o que um filme mais deve oferecer àqueles que se propõem a assisti-lo: emoção e diversão na medida certa.


Um comentário:

  1. Realmente um filme marcante, graças a deus que não fizeram sequências, pelo menos até o presente momento.

    Belo texto novamente Letícia.

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