6 de dezembro de 2011

Fábulas (Esopo) - Crítica / Resenha


Editora Martin Claret / 2010
Sinopse

O reverendo Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido como Lewis Carroll, era um solteirão tímido e excêntrico que lecionava no Christ College, em Oxford, na Inglaterra vitoriana, e escrevia livros infanto-juvenis.Hoje ele é mais conhecido pelas duas obras-primas que escreveu para crianças: Alice no País das Maravilhas (1865), e Alice no País dos Espelhos (1872). Ele escreveu essas histórias para entreter a pequena Alice, sua modelo fotográfico, filha do deão Liddell, que acabou tornando-se a heroína dessas suas duas obras.Os dois livros tiveram extraordinário sucesso na época da publicação e exerceram uma influência avassaladora na posteridade.Aparentemente destinado ao público infantil, na verdade ocultam questionamentos de toda espécie, lógicos ou semânticos, problemas psicológicos de identidade e até políticos, tudo sob a capa de aventuras fantásticas




As "Fábulas" não é um livro, é apenas uma coletânea destas narrativas clássicas reconhecidas por seus enredos metafóricos e sua intenção de ensinar valores e virtudes por meio disto. Todavia não são quaisquer histórias, são simplesmente assinadas pelo histórico criador do gênero literário que dá título para a obra.

Esopo, assim como Homero, pode nem sequer ter existido, servindo apenas como uma espécie de agregador mítico da fábula grega que mais do que literatura era algo como um ensinamento alegórico acerca das melhores ações. É por isso que o leitor que tem alguma familiaridade com a antiguidade clássica logo reconhecerá diversas "morais" (como são chamados os ensinamentos valorativos das "Fábulas") tradutoras da visão de mundo grega, muita das quais, inclusive, incongruentes com o atual contexto ocidental.

É justamente este caráter de diversidade que representa melhor a obra. Lá estão, por exemplo, fábulas que apenas podem ser descritas como boas enquanto outras são simplesmente espetaculares ao conseguir transmitir com a simplicidade de poucas linhas o que um livro de auto-ajuda não consegue fazer em centenas de páginas.

Mesmo sendo um livro de leitura rápida em razão de suas poucas páginas, muitos espaçamentos e algumas ilustrações (que não se destacam nesta edição); me demorei mais justamente por parar várias vezes para rir e aplaudir (mentalmente rs) a competência evidenciada naquelas narrativas tão constrangedoramente simples na mesma medida em que  capazes de passar um conceito profundo.

É evidente que não é um livro para todos os gostos, primeiro porque o próprio gênero fábula tem um estilo específico que fica entre a literatura e o provérbio. Por outro lado, também é obra de "outros tempos"; quem está esperando aquelas fábulas hollywoodianas vai perceber as inspirações na mesma medida em que irá se decepcionar pela crueza de alguns fatos expressos.

Por fim, em matéria de deficiência, pode se citar problemas praticamente obrigatórios de livros não pensados como tal. Estão ali, como já foi dito, várias histórias que ficam muito aquém de outras e narrativas repetitivas em suas mensagens. Quanto a edição da Martin Claret não posso falar muito por causa da ausência de outras publicações para comparação, mas certamente senti falta de bom número de notas explicativas que certamente fizeram diferença na compreensão plena do livro.

"Fábulas" de Esopo pode não ter nessa sua melhor edição nacional ou mesmo pode não ser homogênea em seu nível qualitativo, mas indiscutivelmente é um clássico que encanta e fascina pela belíssima apresentação de um gênero igualmente belo e fascinante. Não são todas as histórias que arrebatarão, mas as que o fazem alcançam a perfeição em seu gênero.



4 de 5 (Muito Bom)





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