20 de dezembro de 2011

A Essência do Natal (Coleção Pensamentos de Sabedoria) Crítica / Resenha


Martin Claret / 1998

Sinopse
O natal é a data magna da Cristandade. Celebra o nascimento de Jesus, o maior personagem de nossa história. Vida, alegria, amor, presentes, música, esperança — criam o clima festivo desse evento universal.



Livros de auto-ajuda costumam ser problemáticos quando existem se propõem  a realizar coisas que não fazem de fato e é basicamente este o maior problema de A Essência do Natal.

Mesmo que usada hoje em dia para os sentidos mais diversos a palavra essência remete a um entendimento último e profundo daquilo a que se refere. O livro da Martin Claret, porém, é justamente o oposto deste significado sendo uma reunião de diversos textos rasos sobre o tema.

Nenhuma das frases, contos e poemas descritos em A Essência do Natal surpreendem ou inovam,  os melhores são mesmo os próprios textos bíblicos, o que como o próprio nome deixa suficientemente claro poderiam ser encontrados diretamente na Bíblia que é uma obra de qualidade imensuravelmente superior.

O que vemos no livro da Martin Claret são várias mensagens e informações mais superficiais do que os artigos menos extensos da Wikipédia, falando de assuntos que o leitor já supunha que lá estivessem, como origem da árvore e da data 25 de dezembro por exemplo, só que de forma decepcionante em suas poucas páginas de pouca confiabilidade. Até nota ao estilo "curiosidades" da revista Claúdia (!) está lá incluída como parte constituinte da "essência", o pior é que isto é das melhores coisas que existem na publicação.

No mais, o livro opta por ser religioso, expondo o natal através dos dogmas de uma fé que otimista valoriza o júbilo pela data e toma as histórias provenientes da Bíblia como realidades de fato, até a árvore da vida presente no Gênesis aparece como argumento para explicitar o valor histórico da árvore na história. 

Tudo bem optar por esta abordagem mais religiosa e emotiva, sobretudo quando se trata de uma data criada sem finalidade secular como o nascimento de Jesus Cristo. Todavia é preciso competência para fazer textos teológicos relevantes e na obra - fora as partes copiadas do livro sagrado dos cristãos - só exstem relatos previsíveis e melodramáticos em histórias natalinas com muito de um idealismo otimista que poderia ser uma boa se não fosse completamente vazio de significado.

Não bastasse tudo isso o título que se propõe a ser um pequeno manancial de sabedoria não se contenta em contrariar a essência proposta com a contingência mais inútil, ele ainda faz questão de trazer pérolas como a presença do dono da editora em uma frase plenamente desnecessária e de um filósofo brasileiro pouco conhecido mas que também lá se faz presente por ser publicado pela empresa, junto com grandes nomes da religião e do pensamento ocidental.

Mas nada se compara a seguinte frase presente na página 52 deste edição: "A Igreja Católica é a mais sábia,  a mais prudente, a mais perfeita, a mais generosa de todas as instituições presentes na terra".  Nem precisa dizer que mesmo dentro do Cristianismo a frase é completamente problemática. A questão é que na reunião de textos de diversos autores o cuidado de entender que tudo que está sendo dito será compreendido como relevante para aquilo que o livro quer expressar ficou em segundo plano. Pelo menos prefiro achar isso do que crer na valorização do Catolicismo sobre as demais religiões como algo proposital.

Assim, existem boas opções de leitura para o Natal como os contos de Charles Dickens e a própria narrativa bíblica só para ficar em dois exemplos clássicos, sendo o segundo até evidente. Agora este livro A Essência do Natal é o tipo de obra que acrescenta pouco coisa mais que o especial de fim de ano da Xuxa.


1 de 5 (Ruim)






2 comentários:

  1. Eita lah, quando li o título já achei meio pretencioso demais e devo ter feito um ar de incredulidade total, mas lendo sua crítica, realmente parece ser bem pior do que eu imaginei... hahaha...

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  2. hehe Realmente é um completo gasto inútil de papel.

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