22 de dezembro de 2011

Chuva de Verão - Devaneios Literários (Textos)



Quando a chuva começou, a vontade de chorar apertou.

Céu nublado o dia todo, ameaçando despencar em questão de segundos.

A semelhança era intensa. Assim como o céu, suas emoções também estavam nubladas, a beleza da luz do luar escondida atrás de tantas nuvens carregadas.

No dia anterior, o céu azul foi se transformando conforme os segundos se passavam. Ao final do dia, uma espessa camada de nostalgia cobria o horizonte, deixando o ar mais pesado, mais comprimido.

Era assim com os pensamentos também.

Não fazia muito sentido, mas o céu refletia todos seus sentimentos.

Aquele dia, aquele maldito dia, estava representado perfeitamente pelas cores frias que banhavam a cidade, ainda que fosse um dia de calor infernal.

Como a chuva, era esperado que suas lágrimas refrescassem sua mente, possibilitassem que continuasse caminhando. Sempre em frente, sem olhar para trás.

Mas, oh, que saudades daqueles dias tão belos... Como poderia seguir em frente, sem dar nem uma pequena bisbilhotada nos sorrisos anteriores?

Era um alívio, entretanto, que pelo menos o céu estivesse fazendo a mesma coisa. Chorando suas gotas de chuva, as nuvens despejavam o desespero sobre a cidade. Mas... isso não era ruim.

Ainda que a dor e a agonia de tanto tempo com um buraco no peito estivessem presentes em cada mísera lágrima, as pessoas lá embaixo, nas ruas, estavam sendo presenteadas com pelo menos uma noite refrescante.

E era exatamente isso que trazia um ar de conforto à situação. Porque, afinal, chuvas de verão sempre foram famosas por serem passageiras...





Leticia





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