13 de dezembro de 2011

Alice no País dos Espelhos (Lewis Carroll) - Crítica / Resenha


Editora Martin Claret / 2010

Sinopse

O reverendo Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido como Lewis Carroll, era um solteirão tímido e excêntrico que lecionava no Christ College, em Oxford, na Inglaterra vitoriana, e escrevia livros infanto-juvenis.Hoje ele é mais conhecido pelas duas obras-primas que escreveu para crianças: Alice no País das Maravilhas (1865), e Alice no País dos Espelhos (1872). Ele escreveu essas histórias para entreter a pequena Alice, sua modelo fotográfico, filha do deão Liddell, que acabou tornando-se a heroína dessas suas duas obras.Os dois livros tiveram extraordinário sucesso na época da publicação e exerceram uma influência avassaladora na posteridade.
Aparentemente destinado ao público infantil, na verdade ocultam questionamentos de toda espécie, lógicos ou semânticos, problemas psicológicos de identidade e até políticos, tudo sob a capa de aventuras fantásticas.


Continuações surgem tendo de enfrentar a comparação com o seu antecessor, é algo tão natural quanto pode ser perigoso, principalmente quanto a primeira obra é simplesmente um clássico em seu gênero. É justamente da síndrome da sequência que sofre Alice no País dos Espelhos (Alice Através do Espelho e O Que Ela Encontrou Por Lá) que segue exatamente a mesma linha do seu predecessor mas que sofre por não alcançá-lo em matéria de brilhantismo.

A principal razão é simples; repetição da fórmula. Em ambos os livros estão presentes as viagens fantásticas, os jogos de palavras lógicos, as situações absurdas e toda sorte de enredos criados por Carroll para entreter sua jovem amiga Alice. Todavia a genialidade da inovação fica por conta da primeira obra e o mesmo instrumento narrativo usado mais de uma vez, sem trazer algo novo, causa desgaste.

Além disso, fica a impressão de que as melhores histórias e jogos linguísticos, chegando a ter caráter filosófico, ocorrem na viagem ao País das Maravilhas que consegue ser brilhante em cada capítulo. Já em Espelhos não parece haver a mesma perícia em criar situações e personagens, alguns capítulos chegam até a ser um pouco chatos.

Assim, a continuação sofre ao ser comparado com seu antecessor que consegue ser melhor, mais impressionante e mais ousado. Se copiar uma fórmula mesmo mantendo o padrão já é um tanto problemático imagine sendo inferior.

Todavia, mesmo com todas as críticas aqui apresentadas, é vital dizer que ainda assim Alice no País dos Espelhos é um livro que funciona muito bem, com algumas passagens dignas daqueles risos desconcertantes que surgem diante de uma situação aparentemente absurda, ou de um discurso estranho e impensável que parece fazer sentido.

O mundo de Carroll sempre é "o fantástico", não é apenas a nossa realidade com a adição de seres inexistentes, é todo um universo com lógica (termo-chave da obra inclusive) própria onde as coisas tem um sentido que busca desafiar o nosso. São saltos e enredos que transmitem com habilidade, humor e encanto várias situações e até algumas críticas sutis às guerras e a monarquia por exemplo.

É pena para Alice no País dos Espelhos que sua antecessora seja mais completa e rica, ela talvez se saísse melhor caso fosse a inicial, pois prepararia a chegada da verdadeira obra-prima. Por esta razão, os Espelhos continuam encantando mas as Maravilhas permanecem sendo meritocraticamente uma exclusividade do primeiro livro.


4 de 5 (Muito Bom)



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