28 de novembro de 2011

O Prazer Antes de Tudo - (Coluna) Ler é Compreender

foto: blog Mãe de Menina
Peregrinando pela inóspito e perigoso terreno que é a tv aberta brasileira me deparei muitas vezes com programas sobre moda, tais atrações sempre me divertiram por expor opiniões arbitrárias como verdades metafísicas e absolutas.

Agora algo que sempre me incomodou é que em todos os casos em que vi os estilistas serem questionados sobre qual  aspecto seria o mais importante na moda - estilo ou conforto - em todos os casos acabavam por tergiversar para no final admitirem que o estilo levava vantagem.

Como blogueiro e interessado pela literatura me questionei se tal sentença poderia ser aplicada aos livros: seria mais importante que uma obra fosse de uma beleza inigualável ou simplesmente prazerosa? E não pude deixar de aplicar a mesma concepção que utilizei para entender o julgamentos dos modistas como errôneo, ao acreditar que o conforto vem antes de tudo.

É sempre bom que gostemos daquilo que há de melhor, eu mesmo creio que algumas obras são muito superiores a outras, mas de que adianta eu ler algo excepcional se não tenho nenhuma satisfação com aquilo. Leitura é de fato uma tarefa difícil, sobretudo em algumas obras mais exigentes, mas eu creio que nada que seja feito sem um mínimo de prazer é recomendável.

Não afirmo, porém, que seja impossível conseguir aprender a gostar de algo por uma imposição inicial, estão aí muitos dos meus hábitos que atestam que ser obrigado pode dar resultados. Mas se tem uma coisa que valorizo (talvez por ser ingênuo nesse departamento) é que a espontaneidade e a satisfação devem ser sempre as guias.

Claro que existem muitas coisas conquistadas com sofrimento e acho isso bastante válido, mas quando é aquele penar que o sujeito está disposto a suportar para alcançar algo que vai lhe satisfazer mais à frente.

Desta forma, se eu pudesse dar um conselho, eu diria com toda a racionalidade que o leitor deve escolher sempre aquilo que gosta pois com toda certeza não creio que impor leitura de livros clássicos é a única opção, tanto que eu sou uma das várias pessoas que passaram a gostar de ler este gênero simplesmente pelo interesse pessoal.

Posso até me incomodar em ver alguém lendo escritores que considero horríveis, mas se ali há uma satisfação espontânea só me resta respeitar mantendo minha opinião. Afinal forçar sempre é o verbo que abre o precedente para tolher a nossa tão valorizada autonomia que mesmo não sendo plena tem de gozar de alguns momentos de liberdade.


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