2 de novembro de 2011

A Cidade do Sol (Khaled Hosseini) - Crítica / Resenha


Sinopse
Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rasheed, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seu destino. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz - 'Você pode ser tudo o que quiser'. Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Confrontadas pela História, o que parecia impossível acontece - Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a História continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do 'todo humano', somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios. 
Fonte: http://www.sinopses.leialiteratura.com/2011/06/cidade-do-sol-khaled-hosseini.html

Um livro retratando o sofrimento de uma noção assolada pela barbárie constante não é exatamente uma grande novidade, escritores já abordaram assuntos semelhantes com competência; grande parte inclusive relatando episódios da própria vida em narrativas que mesclam drama e indignação. Mas, Cidade do Sol demonstra que uma boa história sempre terá algo de novo e emocionante a dizer.

No livro do afegão naturalizado estadunidense Khaled Hosseini, temos as histórias de duas mulheres igualmente afegãs que enfrentam os últimos 40 anos de intermináveis guerras civis e mundiais enfrentadas pelo país reconhecido mundialmente por ter abrigado o terrorista Osama Bin Laden e também por ter sido comandado pelo regime extremista promovido pelo Talibã, onde as mulheres se tornaram propriedades do marido, sujeitas a todo os sofrimentos e agressões simbolizadas globalmente pela burca; uma espécie de manto que  as cobria da cabeça aos pés para que não se tornassem, segundo o regime, disseminadoras de pecado.

É nos anos que antecederam a construção do Talibã e em sua posterior dissolução que está inserida a história das mulheres, aliás das meninas, que tem de enfrentar todas as dificuldades que a vida lhes impõe, e estas são inúmeras em sofrimentos que se amontoam e se sucedem. Hosseini logo demonstra sua qualidade ao conseguir transmitir com autenticidade as emoções das personagens, mas o que arrebata é a coragem narrativa de contar fatos e cenas fortes que outros poderiam evitar, desconcertando o leitor que tenta se refugiar numa esperança de que o pior não pode acontecer mas que, em geral, termina em desilusão

Desilusão inclusive é uma palavra-chave que conduz a narrativa do início ao fim. A crueza dos relatos e da vida drasticamente sofrida, sem muito espaço para grandes momentos amenos, insere o leitor numa realidade onde as esperanças são mínimas e a vida povoada por desgraças é uma constante. Com isto, o escritor consegue nos convencer da veracidade do narrado conduzindo-nos com muita competência nos objetivos de sua obra.

Mesmo sendo uma narrativa fictícia inserida na história real do Afeganistão, Hosseini não se compromete em tornar um livro um relato histórico ou uma crítica social, muito embora existam ambas as coisas elas não suplantam a história de Mariam e Laila (as protagonistas), demonstrando a qualidade dos bons escritores ao fazer com que tudo aquilo apresentado surja com naturalidade.

Cidade do Sol não consegue ser perfeito é claro, não é brilhante em suas descrições ou em seu estilo mas consegue ser desconcertante em sua honestidade e competente em termos técnicos. No entanto, a sua grande força está naquilo que é contado; a emoção humana em uma dramaticidade tão forte quanto crível.

A obra com certeza não é para aqueles que desejam apenas entretenimento leve pois do inicio ao fim as situações tristes e decepcionantes predominam, mas é muito recomendada àqueles que se comovem com a condição humana, além de transmitir um "modo de vida" digno de atenção na mesma medida em que é ignorado pela maior parte da humanidade.



4 de 5 (Muito Bom)



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