30 de outubro de 2011

Veronika Decide Morrer - Cinefilia Literária (Coluna)


Expectativas elevadas boas ou ruins podem influenciar na apreciação maior ou menor de uma obra? Acredito que sim, pelo menos é o que acontece comigo às vezes.

Há filmes que me provocam grande curiosidade e uma quase certeza de que irei apreciá-los bastante, outros por sua vez, me parecem perda de tempo e paciência, devido a tais sensações termino por ter algumas surpresas.

Este Veronika Decide Morrer era um dos que eu julgava serem realmente terríveis, principalmente por ser de um autor que considero medíocre, hehehe, sei que neste momento muitas pessoas podem achar que sou algum tipo de herege por falar mal do “grande” Paulo Coelho”, entretanto é isso que acho dele e não vou e nem quero negar.

Bem, não tenho a menor vontade de ler qualquer livro de tal Senhor, mas quis arriscar quanto ao filme e confesso que não é tão ruim quanto eu imaginava.

Seguem Spoilers 

Veronika é vivida por Sarah Michelle Geller (a Buffy da série televisa já extinta) e ela decide morrer como já anunciado no título, mas não encontramos nela nenhum motivo “forte” o suficiente para isso, ao contrário, para a maioria das pessoas Veronika pode parecer alguém bem normal que deveria ficar satisfeita com sua vida, já que é bonita (para os padrões da sociedade atual: loira, magra, etc) tem um bom emprego, apartamento, sem problemas consideráveis com os pais, enfim, alguém relativamente com a vida “ganha”, porém, tudo isso é verdadeiramente só o que importa? 

Para Verônica não, tudo parece deveras limitado, a perspectiva de casar, ter filh@s, ver os filh@s crescerem, não encanta Veronika. O casamento depois de algum tempo torna-se uma questão de comodidade, a paixão e o amor não duram como nos contos de fadas, @s filhos podem vir a ser um pesadelo para os pais e vice e versa; ter um bom emprego com salário razoável não significa que ele não seja enfadonho. Verônika está cansada e não quer mais viver e é só (tudo) isso.

Ela tenta se matar tomando vários calmantes com álcool, o que não dá certo, ela vai parar num hospital psiquiátrico onde é informada que sua tentativa frustrada de se matar acaba deixando seqüelas sérias que a levarão à morte de qualquer jeito em questão de dias.

O desempenho de Sarah não compromete, entretanto a personagem não chega a comover verdadeiramente, aliás ninguém comove, seja Veronika desenganada da vida, seja o rapaz por quem ela se apaixona no hospício que não fala devido a traumas, sejam os pais de Veronika que não sabem o que dizer a filha, enfim todo o filme decorre num tom morno sem grandes emoções e verdadeiramente não chegamos a ter interesse pelo destino da personagem principal, um erro grave em qualquer obra.

No geral não é ruim, até pode suscitar algumas considerações a respeito do sentido de nossa existência, muitas vezes valorada com base naquilo que a sociedade em sua maioria estabeleceu como ideal, deixando de lado a distinção que torna a vida e viver fascinantes.




Ficha técnica:
Livro de: Paulo Coelho
Direção: Emily Young
Elenco: Sarah Michelle Gellar, Jonathan Tucker, Erika Christensen, Florencia Lozano
Lançamento: 2009

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