10 de outubro de 2011

Querido John (2010) - Papel & Película (Coluna)


Campeão de vendas há vários meses e presença garantida na última lista de Natal de dez entre dez garotas românticas, “Querido John”, do fabricante de best-sellers Nicholas Sparks, não demorou a despertar a atenção de Hollywood, com sua história de amor por correspondência interrompido pela Guerra do Iraque.

Durante as férias, o militar John (Channing Tatum) conhece a universitária Savannah (Amanda Seyfried) ao resgatar a bolsa dela, que havia caído no mar. Nessas poucas semanas de folga, eles percebem que o amor que sentem um pelo outro é verdadeiro. De volta ao exército, com apenas mais um ano servindo pela frente, John começa a trocar cartas com a amada. O tempo de separação seria curto, não fosse um fato chocante que mudou a vida de milhões de pessoas dez anos atrás: o atentado às Torres Gêmeas. John vê-se então obrigado a estender sua carreira militar, indo para a guerra, sem saber se vai voltar (percebam a mensagem: ele abdica do amor para defender a pátria!).

Como em outras histórias do autor (são dele também “Diário de uma Paixão” e “A Última Música”) e em vários enredos já utilizados no cinema, vemos uma garota certinha e altruísta se apaixonar por um jovem muito diferente dela e os percalços físicos e psíquicos que os pombinhos terão de enfrentar. Clichê que sempre funciona.

Uma boa surpresa é que não se trata de um filme puramente sobre o amor à distância do casal principal. Ao falar de autismo, condição que Savannah detecta tanto em um garotinho cujo pai é amigo dela quanto no próprio pai de John, o filme ganha ares mais sérios e inteligentes, apesar de emotivos. Por vezes, a relação conturbada de John com o pai (Richard Jenkins, excelente) se torna melhor que a açucarada paixão por correspondência.

John vive apenas com o pai e não tem muita afinidade com ele. O pai parece distante, é metódico e frio. Seu maior interesse é uma coleção de moedas antigas, que ganham importância e significado com a evolução da trama. Portador da Síndrome de Asperger, uma forma de autismo que não prejudica o desenvolvimento intelectual (às vezes, até o aflora), ele vive em um mundo seu, cercado por suas moedas e sem a possibilidade de experimentar coisas novas.

Como normalmente acontece, a riqueza de detalhes presente no livro não consegue ser passada à altura para as telas. Isso é perdoável em qualquer adaptação. No entanto, um detalhe foi modificado para conferir maior dramaticidade nos cinemas: Alan, o garotinho, é irmão de Tim no livro e filho no filme. Tim é interpretado por Henry Thomas, um dos protagonistas mirins de E.T. (1982).

Os maiores destaques do filme são, sem dúvida, a trilha sonora e a fotografia. Escutamos baladinhas simpáticas durante a projeção e até uma música composta e interpretada por Amanda Seyfried, intitulada “Little House”. O cenário é colorido e visualmente atraente. Pessoas bonitas fotografadas em lugares bonitos: isso não podia dar errado.

Moças e rapazes têm por quem suspirar, afinal, o belo casal loiro (no livro, Savannah é morena) de protagonistas é atraente e, logo depois do filme, Amanda e Channing conseguiram outros papeis, e prometem virar queridinhos do público. A abordagem de um amor durante a Guerra do Iraque é inédita, embora romances durante tempos turbulentos sejam tão antigos quanto o cinema de Griffith, da década de 1910.

Cheio de reviravoltas e tragédias, pode ser o estopim para um rio de lágrimas das meninas mais emotivas. Algumas boas surpresas no caminho (a carta que começa tudo não é o que você pensa) e vários suspiros que fazem muitas saírem mais leves do cinema. Talvez um filme de mulherzinha, mas certamente uma grande sacada comercial: mexer com as emoções mais primitivas do público é sempre um bom negócio.


Letícia

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