6 de outubro de 2011

Os Elefantes Não Esquecem (Agatha Christie) - Crítica / Rsenha


Uma das maiores qualidades de Agatha Christie como romancista policial é conseguir conceder uma nova abordagem interessante ao desvendamento de um crime, seja variando no ponto de vista, nos protagonistas, no local, nos investigadores; entre tantos outros.

Infelizmente Os Elefantes Não Esquecem parece ser deficiente justamente nesse potencial da autora de criar histórias com uma identidade própria apesar da repetição do gênero.

A premissa inicial do livro é a investigação de um crime antigo por uma autora de romances policiais, inicialmente parece ser uma proposta promissora até pela inegável identidade da personagem e de Christie que acaba traduzindo algumas de suas impressões como escritora na obra. A personagem porém não vai investigar o crime sozinha, ela contará com a ajuda do amigo célebre Hercule Poirot.

O problema é que essa prerrogativa acaba não fluindo com a competência habitual de Agatha Christie, os diálogos compridos não revelam muita coisa e a investigação da senhora Oliver (a autora dos romances) não tem qualquer avanço significativo em sua caça pelos elefantes. Os elefantes, para efeito de esclarecimento, são as pessoas que não esquecem do passado, memoriosos como seriam esses animais poderiam ser fonte segura de fatos ignorados do velho crime. O problema é que a investigadora, completamente inepta, não consegue extrair dessa sua prosaica teoria uma consequência razoável.

Cabe então a Poirot assumir o caso na prática, e como era de se esperar ele sim desvenda o mistério, contudo mesmo com esta nova perspectiva fica aparente que a história (mesmo não sendo longa) mais parecia destinada a um conto pois aquilo que é relevante poderia ser dito em pouquíssimas páginas enquanto muitas outras são gastas com conversações ou com introduções da comparação entre elefantes e pessoas que a cada vez que é repetida torna-se mais inconveniente.

Por fim a história tem um desfecho interessante mas a reação dos personagens ao saber de uma trama completamente ardilosa é algo muito pouco autêntico, parece que Christie estava escrevendo um último capítulo de novela televisiva onde é preciso resolver os problemas levantados ainda que para tanto seja recomendável forçar em algumas situações que não se resolveriam com tamanha facilidade realmente. O próprio fim em si é uma mostra clara do teor novelístico onde surge um final "todos felizes e satisfeitos" mesmo depois de terem sido enganados, o que acaba não convencendo.

Os Elefantes Nunca Esquecem ainda é um livro divertido e interessante que mereceria elogios caso fosse escrito por um autor novo ou desconhecido, porém no padrão Agatha Christie deixa muito a desejar passando uma impressão extremamente incômoda de improviso que em nada combina com a maestria da Rainha do Crime.


2 de 5 (Fraco /  Regular)

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