14 de outubro de 2011

Entrevista - Nanuka Andradre


Nanuka Andrade é mais um autor da equipe nacional da editora Underworld se destacando pelo estilo inventivo de sua história  que conta a saga do jovem Camundo (Camundo - O Desenho e A Sombra), capaz de criar coisas através de desenhos que tornam-se reais.

Com muita solicitude e simpatia Nanuka, que também é ilustrador, respondeu as perguntas que você pode ver abaixo abordando temas como sua obra (é claro) e literatura de forma geral.

Leia Literatura: Como surgiu a ideia de escrever uma história tão diferente, por assim dizer, como Camundo? Houve alguma relação com o fato de você também serdesenhista?

Nanuka Andrade: A ideia surgiu da vontade de contar uma história diferente de tudo aquilo que havia lido, algo que, antes de tudo, eu mesmo sentisse prazer em ler. Fui acumulando referências de tudo o que absorvia de livros a series de tevê, como o seriado “Early Edition” e romances de aventura. O personagem veio antes de escrever a história. Inicialmente, Camundo era um detetive mirim, até pensar em emprestar a ele aquilo que mais gosto de fazer, que é desenhar. 



Você teve medo de que Camundo pudesse não ser aceito em razão da temática que foge um pouco aos padrões de fantasia do mercado?

Não me preocupei com isso. Na verdade, escrevi a história pensando primeiramente em algo que me agradasse verdadeiramente. Aconteceu que tive a sorte de não existirem tantos personagens parecidos com o Camundo no mercado editorial.



O que podemos esperar dos próximos livros da série? Se pudesse anteciparalguma coisa aos nossos leitores seria interessante.

Inicialmente planejei histórias independentes, onde cada livro pudesse explorar uma aventura distinta, com vida própria. O próximo, por exemplo, conta sobre a rivalidade entre Camundo e um menino, que tem o mesmo dom que o dele. Além desta rivalidade, escrevo sobre autômatos, os avós dos robôs modernos, o que deixa a história com uma atmosfera bem Steampunk.



Você se considera antes um escritor que desenha ou um desenhista que também escreve?

No meu caso, as duas artes se complementam. Temos diversos escritores que são desenhistas como é o caso de Ziraldo, Neil Gaiman, e acredito que, ainda que humildemente, me encaixo neste “perfil”.



Como foi o processo de publicação com a Underworld? Você se sente satisfeito com a editora?

O contato que fiz com a Editora Underworld foi para oferecer meus préstimos de capista, e neste processo a Fabiana Andrade se interessou pelo Camundo. Fui muito bem recebido, e devo a ela a confiança por acreditar em um escritor iniciante.



O espaço nacional para novos escritores parece estar aumentando, você acredita que também há um aumento na qualidade das obras?

Assim como em qualquer área, teremos bons ou maus profissionais. A publicação é, antes de tudo, um negócio. A editora comercial se propõe a investir no original, espera um retorno financeiro, e dá prestígio ao autor. Neste processo, a qualidade do livro é vital. Acontece que há uma boa parte no mercado de escritores independentes e de editoras não comerciais que cobram pelos serviços de edição. Isso não significa que não tenhamos livros bons, muito pelo contrário, mas em um processo sem um crivo editorial, há a possibilidade de encontrarmos edições sem apelo comercial.


Na Underworld estão presentes as também nacionais Luiza Salazar e as gêmeas Sperandio. O que você acha da obra delas, caso as conheça?

Conheci as queridas Luiza Salazar e as gêmeas Sperandio durante a Bienal, e como o processo entre a publicação e o lançamento foi muito rápido (três meses), não tive tempo de ler os livros. Espero poder falar sobre isso em breve.



O seu sonho é um dia poder viver de literatura ou é apenas um hobby que felizmente traz algum retorno financeiro?

Adoro escrever e desenhar. Sou publicitário formado e transito por estas duas paixões. Como trabalho como desenhista e animador freelancer, isso me dá a oportunidade de escrever nas horas vagas. Espero levar as duas coisas, profissionalmente. Afinal, o desenho começou como hobby e hoje vivo disso.



Na sua opinião "o cheque dá inspiração" como disse certa vez o escritor João Ubaldo Ribeiro?

Não concordo com esta afirmação, pelo menos no que diz respeito à produção artística. Do contrário, não teria demorado três anos para escrever “Camundo” e mais dois enquanto aguardava a publicação. Não pretendo ser ufanista, mas sou do tipo que gosta do que faz. Acredito que agindo assim se tem um retorno financeiro justo.



Qual a emoção que você sentiu ao ver seu livro publicado e sendo vendido na livraria junto com várias obras já consagradas de grandes autores  nacionais e internacionais?

De ter uma oportunidade finalmente aproveitada, à base de muito trabalho.



Quem são os autores que inspiraram você?

Ganymédes José, Monteiro Lobato, Lewis Carroll, Robert Louis Stevenson, Conan Doyle e Jack London.



Nossa pergunta temática: Por que Ler Literatura?

Porque é a melhor forma de se conectar com o mundo.



Muito obrigado por ter aceitado nosso convite Nanuka. Para terminar fale um pouco de seus novos projetos e planos para 2012 e para os próximos anos.

Eu quem deve agradecer! Obrigado pelo espaço e pela oportunidade.

Sobre planos e projetos, pretendo terminar o segundo livro do “Camundo” para apresentá-lo à editora, e lançá-lo na Bienal de São Paulo, em 2012. Depois deste, continuar outros projetos literários, entre os quais, “O Ladrão de Destinos” e o “O Homem que Morria Demais”,

Muito obrigado!

Saiba mais sobre Nanuka Andrade:

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