3 de outubro de 2011

Easy A (A Mentira) - Cinefilia Literária


Decidi fazer uma crítica diferente desta vez, este filme, que no Brasil recebeu o genérico nome de “A mentira”, não é verdadeiramente baseado em um livro, porém, remete-se a um de maneira desabrida durante o desenvolvimento do enredo, a protagonista Olive Penderghast interpretada pela carismática Emma Stone (Superbad, Zumbilândia) é bastante sincera e direta conosco, público, ao dizer em certo momento que se inspirou no livro “A Letra Escarlate” do escritor Nathaniel Hawthorne.

O livro “A Letra Escarlate” foi publicado no ano de 1850, Nathaniel Hawtorne é tido como o maior contista de seu País, os EUA, e o citado livro é considerado um clássico da Literatura Inglesa e a mais renomada obra de seu autor. A história é situada no tempo entre os anos de 1642 a 1649. Perto de Boston, Massachussets, uma mulher de nome Hester Prynne é acusada de cometer adultério e além de ser humilhada em praça pública, é forçada a carregar uma letra “A” (de adúltera) na cor escarlate bordada na altura do peito como uma representação de sua “desonra”.

Já o filme “Easy A” ou “A mentira” como queiram, se passa nos dias atuais, numa pequena cidade da Califórnia. Trata-se de uma comédia sobre típic@s adolescentes estadunidenses e seus problemas na “High School” de lá, que sempre me fazem pensar em como somos menos superficiais que eles (elas) ou será que isso também já mudou por aqui?!

Bem, mas cadê as semelhanças entre livro e filme??? É chegada a hora dos Spoilers :)

Como citei no início, a protagonista é interpretada pela atriz Emma Stone e chama-se Olive, ela é deveras inteligente e bem-humorada, assim como sua mãe Rosemary, interpretada pela ótima Patrícia Clarkson e seu pai Dill, interpretado por Stanley Tucci.

Olive é uma garota de 17 anos que se sente invisível perante @s demais alun@s de sua escola, como bem sabemos, parece que tal invisibilidade é quase como se fosse a morte por lá. Contudo, a situação muda completamente depois que uma mentira inventada por Olive é levada a sério e se espalha como vírus de computador (para dar um exemplo “moderno”:) 

Para escapar de um programa indesejado com a melhor amiga Rhiannon (Aly Michalka) e os pais maluc@s dela, Olive inventa um encontro com um rapaz no fim de semana, de volta às aulas, a amiga pede para Olive lhe contar “detalhes” do que ocorreu, forçadamente, Olive acaba dizendo que o fictício encontro terminou em sexo. Ambas não sabem, porém, que estão sendo ouvidas pela religiosa fanática da escola que termina por espalhar o boato entre o restante d@s alun@s, o resto você já pode adivinhar, Olive começa a ser falada e NOTADA.

Ela gosta desse novo estado de coisas, de ser vista, de saberem quem ela é e não desmente a história, depois disso, mais e mais mentiras são criadas, um colega gay pede encarecidamente a ela que simulem fazer sexo, para que @s colegas passem a respeitá-lo mais, ela reluta um pouco, mas decide ajudá-lo, daí para outros garotos aparecerem pedindo algum tipo de “ajuda” não demora muito e Olive se torna a grande slutty, ou seja, vadia da escola e é nesse momento que ela decide usar um grande A escarlate em suas roupas. Olive fala diante de uma Webcam durante todo o filme de maneira a conversar com quem está assistindo, ela nos conta o significado dessa letra A, fala da personagem Hester e se compara a ela, alguém que se tornou alvo do julgamento alheio, o que me fez e muito pensar sobre a condição feminina atual, entre uma história e outra se passaram séculos, literalmente, entretanto as mulheres continuam a ter suas vidas sexuais expostas aos comentários e intromissões da sociedade, as coisas não mudaram tanto assim, concluo; sei que muitas e muitas pessoas pensam de maneira diversa, no entanto, apesar dos inegáveis avanços, a objetificação do corpo da mulher continua a existir, infelizmente. 

Voltando ao filme, mesmo abordando os temas que citei, Easy A não faz isso de forma dura, pesada, é realmente um filme divertido, para ser visto sem esperar por grandes e profundas divagações e para mim o melhor de tudo é que é um tipo de homenagem mais do que merecida aos filmes sobre adolescentes do grande mestre desse... (vamos chamar de subgênero?) John Hughes, para quem não sabe ou não se lembra, Hughes é o responsável tanto como diretor e/ou roteirista, por verdadeiros clássicos teen dos anos 80, como A Garota de Rosa Shocking, Gatinhas e Gatões, Clube dos Cinco e o mais lembrado de todos: Curtindo a Vida Adoidado. Olive também menciona tal fato e a última cena do filme é emblemática, além de ser ao som de Don’t you (Forget about Me) gravada pelo Simple Minds especialmente para a trilha sonora de “O Clube dos Cinco”. Salve, salve John Hughes!

Nota: Há dois filmes verdadeiramente baseados no livro A Letra Escarlate, um lançado em 1973, dirigido por Wim Wenders e outro lançado em 1995, este estrelado por Demi Moore.





Ficha técnica:
Livro (apenas citado) de: Nathaniel Hawtorne
Direção: Will Gluck
Elenco: Emma Stone (Olive) Penn Badgley (Woodchuck Todd) Amanda Bynes (Marianne) Dan Byrd (Brandon) Thomas Haden Church(Sr. Griffith) Patricia Clarkson (Rosemary) Cam Gigandet (Micah) Lisa Kudrow (Sra. Griffith) Malcolm McDowell (Principal Gibbons) Alyson Michalka (Rhiannon) Stanley Tucci (Dill)
Lançamento: EUA, 2010

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