2 de setembro de 2011

Treze à Mesa (Agatha Christie) - Crítica / Resenha


Sinopse
Poirot estava presente quando Jane, envaidecida, falara de seu plano para "livrar-se" do marido, de quem estava separada, mas não oficialmente, como ela desejava. Agora o homem estava morto. Mesmo assim, o grande detetive belga não podia deixar de sentir que alguém estava tentando iludi-lo. Afinal, como se explica que Jane tivesse esfaqueado Lord Edgware na biblioteca exatamente na hora em que era vista jantando com amigos? E qual seria o motivo agora, já que o aristocrata finalmente lhe dera o divórcio?


Poucos são aqueles com ousadia suficiente para questionar o título de Rainha do Crime de Agatha Christie (aliás eu não conheço ninguém) e a cada livro lido pode se ter ainda mais certeza da grande segurança e desenvoltura que a autora possui quando escreve histórias que se utilizam de mistérios e investigações para descrever lugares e construir personagens que intrigam em suas nuances.

Treze à Mesa é um conjunto formado com diversos elementos que ajudaram a eternizar a escritora, lá está o mistério, evidentemente, mas que se mostra mais complicado do que a princípio, os personagens que ora parecem culpados e ora inocentes, e a dupla principal de protagonistas; o pequeno e arrogante (mas genial) Hercule Poirot e seu assistente fiel e digno (mas representante da mediocridade) Capitão Hastings.

Como sempre nas histórias em que aparecem juntos Hastings faz o papel de narrador que observa os métodos e trejeitos de Poirot enquanto tenta, em quase todas as vezes sem sucesso, tentar decifrar o que o seu companheiro está pensando, enquanto ele Hastings, apenas consegue concluir o óbvio representando a mentalidade de uma pessoa comum que vê apenas o que está diante de seus olhos.

O Capitão é assim o nosso representante na obra, pois pelas pistas parcas e pelas personalidades dos personagens conduzidas por Christie como ela deseja fica difícil que o espectador consiga adivinhar a verdade por trás dos fatos, muito embora Poirot nos provoque afirmando que o seu assistente (e nosso embaixador na obra) não utiliza sua "massa cinzenta".

Claro que Hastings beira ao exagero e chega a não desconfiar de coisas bastantes óbvias que mesmo um leitor pouco feito a solucionar mistérios pode logo perceber, mas normalmente nossa pensamento acompanha propositadamente o seu raciocínio repletos de dúvidas e fascinação com o método do amigo Poirot, aparentemente insondável até o desfecho do livro.

Christie, assim, demonstra o quão habilidosa é em compreender a mente humana, com ajuda de uma história intricada ela consegue perceber o perfil de seus leitores com rara competência e consegue espelhá-los em Hastings, enquanto desenvolve os personagens e suas personalidades com a mesma competência, tudo muito bem coligado por meio do drama policial; o assassinato do Lord.

Tudo bem que os personagens são simplificados às vezes em perfis um tanto fixos em excesso, mas não é algo que incomoda quando você está envolto em um terreno onde Christie consegue desenvolver a contento diversos aspectos com os quais se identifica imensamente e onde possui grande segurança.

Assim, Treze à Mesa, é mais um exemplo categórico de que o título de rainha dos romances policiais está em ótimas mãos com Agatha Christie, pois é simplesmente impressionante constatar como a autora conseguiu escrever tantos livros com tamanha desenvoltura. 

Mas a razão da habilidade e da impressionante periodicidade da autora não são mistérios, devem-se antes de tudo a alguém que tem plena consciência do que faz e que, por isso, possui a segurança dificilmente abalável digna apenas dos grandes mestres. 

Agatha Christie é mestra em seu gênero e Treze à Mesa um dos frutos denotativos dessa maestria.




4 de 5




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