27 de setembro de 2011

Mulher-Maravilha (Os Novos 52) - Crítica / Resenha


A promessa nada modesta da DC com a reformulação seria tornar a Mulher-Maravilha uma heroína à altura da sua fama, já que suas histórias individuais nunca chegaram a ter grande relevância e a personagem, criada para ser um ícone sexy, nunca havia conseguido brilhar fora da Liga da Justiça com histórias de grande qualidade.

Para muitos as melhores narrativas produzidas com a amazona de Themyscira compreenderam a fase de George Pérez que resgatou e se utilizou da origem da heroína, baseada na mitologia grega, para criar seus argumentos.

O roteirista Brian Azzarelo parece ter entendido de forma semelhante ao basear sua história claramente neste apelo mitológico pois Mulher-Maravilha 1 tem como principal característica o evidenciamento da valorização do panteão grego para a nova fase da heroína.

No mais toda a hq número 1 é um anti-clímax permanente, sem grandes fatos ou sem argumentos que verdadeiramente empolguem. O roteiro de Azzarelo é pobre e vazio, funciona como espécie de prólogo o que já não é interessante mas o pior problema é que não parece sugerir uma melhoria posterior em edições seguintes. Claro que esta impressão pode ser quebrada com as narrativas subsequentes mas seria algo bem-vindo na mesma medida que plenamente inesperado.

Agora se o roteiro incomoda o traço de Cliff Chiang é um dos mais deficientes com os quais eu já me deparei nessa reformulação, há problemas nos mais diferentes aspectos: cenários sem verossimilhança nos detalhes, rostos simplificados e mal reproduzidos, cenas de ação com acabamentos muito fracos, entre outros.

Só o rosto da Mulher-Maravilha parece ter sido algo feito com cuidado provavelmente para ressaltar a heroína, mas nada justifica a fisionomia dos demais personagens que mesmo com pouquíssimos traços consegue ser infiel consigo própria. Não é raro percebermos que aquele rosto genérico de antes ganhou uma nova roupagem igualmente indiferenciada, não fosse cor,  tamanho dos cabelos e roupas seria possível haver confusões.

Antes de terminar as críticas ao desenho não posso deixar de mencionar o aspecto das criaturas mitológicas que também não possuem qualquer grande cuidado de acabamento ou originalidade, são em sua maioria também genéricos e muito aquém do desejado. A única caracterização que esta a contento é realmente a da própria heroína (e nem sempre) porque as demais tem um aspecto amador.

Mulher-Maravilha 1 é uma hq sem final, que só dá a entender um prosseguimento que não parece digno de ser acompanhado, graças ao seu argumento sem originalidade e de certa forma incoerente consigo em suas aberturas sem desfecho, tudo embalado por um arte que certamente está muito longe de figurar entre as melhores.

Tudo bem que colocar a Mulher-Maravilha no mesmo patamar de Super-Homem e Batman não é tarefa das mais simples, mas nada pode justificar essa primeira edição cuja falta de qualidade torna impossível não supor que tenha sido completamente improvisada, longe de possuir toda a atenção e cuidado necessários para elevar Diana de Themyscira à condição de protagonista das grandes histórias da DC.


3 comentários:

  1. Não comprei ainda esta revista, mas está na minha lista. Vc citou a arte do Chiang como deficitária.
    Fiquei curios se é tanto quanto o lixo que o Liefield "desenha" em Hawk & Dove.

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  2. Com certeza Liefeld é pior em Hawk e Dove Roddy e em qualquer outra coisa, eu sinceramente não consigo entender como oferecem algum título para ele desenhar ainda inclusive.

    Obrigado pelo cometário.

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