16 de setembro de 2011

A Mansão Hollow (Agatha Christie) - Crítica / Resenha


SinopseUm assassinato na piscina de uma agradável mansão na Inglaterra é o mistério a ser resolvido por Hercule Poirot. A vítima é John Christow, a paixão de uma bela atriz de Hollywood. Angústia, ciúme e traição são os principais elementos deste romance, o último de Agatha a ser traduzido para o português.


Quando eu fui ler A Mansão Hollow já havia lido dois outros livros de Agatha Christie seguidamente, eram eles Treze à Mesa e Cai O Pano, por isso já estava familiarizado com o estilo da autora e com as regras dos seus romances e mesmo tendo gostado muito de sua narrativa poderia me incomodar um pouco com a repetição, afinal é mais um romance policial que traz Poirot como grande investigador, assim como os anteriores.

Todavia a impressão foi justamente a inversa, através de A Mansão Hollow fica evidente mais uma qualidade de Christie que é conseguir sempre trazer algo de novo, e não falo da natureza do crime ou da idiossincrasia dos personagens pois tais alterações são naturais, me refiro a mudança estrutural que a escritora consegue imprimir.

Neste livro Christie traz um Poirot desacompanhado sem o seu fiel assistente (como acontece várias vezes aliás), assim a narrativa passa da primeira para uma terceira pessoa tornando a análise dos fatos mais direta e menos emocional. Já que Hastings não está mais ali para nos representar ficamos diante de uma história como espectadores diretos, mesmo assim a autora (ou o assassino) continua nos conduzindo, e despistando, com impressões inverídicas e pistas falsas de forma convincente.

Não estar diante da dupla de investigadores que especula sobre os casos e tenta encontrar padrões, nos deixa sós em boa parte da obra diante de todo um conjunto de personagens novos e interessantes muito cuidadosamente desenvolvidos pela autora, pois neste livro é deles o protagonismo. As incursões de Poirot são esparsas e ocorrem em momentos específicos, não é possível conjecturar sobre suas suspeitas e teorias com profundidade, apenas se pode trabalhar nas sugestões tomadas em suas atitudes.

É muito gratificante verificar como Christie consegue conquistar o leitor mesmo com vários personagens inteiramente novos, Poirot pode até aparecer pouco durante o livro mas a ausência só acaba sendo sentida após o término do livro numa análise fria pois durante a leitura todos os novos tipos humanos ali presentes já prendem a sua atenção suficientemente com o cuidado de seu desenvolvimento.

No entanto existem falhas que não são vistas nas obras anteriores da Rainha do Crime, como o personagem responsável pelo assassinato. Claro que eu não posso falar muito pois entregaria o mistério mas me pareceu excessivamente forçado o comportamento dele e suas motivações que acabaram discordando da personalidade apresentada durante o desenrolar do livro. Mal comparando é como aquelas novelas de mistério que  levantam diversos possíveis culpados para posteriormente eleger como criminoso um qualquer que não teria lá muitos motivos para fazer grandes coisas, mas que tem como qualidade ser inesperado.

Outra aspecto prejudicial é o ato de revelar a culpa do criminoso em uma cena um tanto forçada onde há explicações demais com motivo de menos para tanto. O culpado se mostra numa conversa casual entre cúmplices onde, de maneira forçada, um deles revela toda a história só para esclarecer o leitor, pois obviamente o interlocutor conhecia tudo aquilo.

Nesse ínterim de revelações fica claro que a obra por mais interessante que tenha sido não dá indicativos de solução, ou seja, ao ler o livro não existem provas que permitam ao leitor seguir uma linha de raciocínio até o culpado, pois do início ao fim vários teriam motivos para realizar o assassinato com pouquíssimas provas para descartá-los, dessa forma um um escritor competente como Agatha Christie poderia escolher qualquer um deles como responsável pelo crime se assim desejasse.

Mesmo com essas escorregadas (que muitos até discordarão de que tenham sido realmente problemas), o livro ainda é extremamente divertido e agradável à leitura, em quase toda a obra vemos como a escritora consegue trabalhar personagens e tramas interligando-os com fluidez e simplicidade que nos faz querer continuar a ler sem parar, é um outro modelo de se narrar um romance policial só que com a habilidade de sempre.

O final pode até exagerar um pouco e forçar alguma situação, mas, depois de termos sido conquistados por centenas de páginas, Agatha Christie já fez o seu trabalho de nos propiciar mais uma leitura com o seu selo de qualidade e fascínio.




(Bom)


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