2 de setembro de 2011

Letícia Magalhães, Colunista do Leia Literatura, Lança Livro "Escritos de Garota"



Alô, leitores do Leia Literatura!


Talvez muitos de vocês me conheçam como escritora dos artigos da coluna Papel & Película. Hoje vou apresentar uma outra faceta minha, que até está um pouco relacionada ao meu trabalho junto ao público cinéfilo de plantão: acabo de lançar meu primeiro livro!

“Escritos de Garota – Contos, Crônicas e Poemas dos 7 aos 17” é uma reunião de produções literárias feitas em meus anos de formação como escritora. Foi trabalhoso reunir, digitar, reescrever e agrupar essas produções. Mas, acreditem, escrever é a parte mais fácil do trabalho de um escritor.

Não é preciso ser profissional da área para saber como é difícil entrar no mercado editorial. Com medo de prejuízos, as editoras maiores acabam apostando em autores já consagrados e traduções de best-sellers internacionais. Muitas vezes também não dão atenção ou não conseguem ler todos os originais que chegam pelo correio. Os autores desconhecidos nem sempre têm chance, ocasionando uma terrível perda de talentos para nossa cultura.

Mas isso está mudando: nos últimos tempos, com o advento das redes sociais e do comércio virtual, novas editoras e ferramentas editoriais surgiram para dar vez e voz aos novos talentos da literatura. Os já popularizados agbook e Clube dos Autores são bastante semelhantes e têm boa divulgação. Porém, para realizar meu sonho, contei com uma nova ferramenta que conheci aqui, através do Leia Literatura: o PerSe.

Todos podem publicar pelo PerSe. É rápido, prático, prazeroso e seguro (tudo deu certo até agora). O autor participa de todas as etapas, mesmo aquelas que lhe fugiriam se publicasse junto a uma editora. Você mesmo escolhe o formato, se o livro vai ter orelhas, o que colocar na capa e contracapa, imagens e cores das capas. Tudo para fazer um livro com a sua cara.
Foi uma ótima experiência, riquíssima e gratificante. Agora é com os leitores.

Abraços e até a próxima coluna (ou próximo livro),
Letícia Magalhães

Uma amostra grátis, para ficar com gostinho de quero mais:


Memórias de um porquinho-da-índia

Os olhos do menino brilharam quando ele me viu na loja de animais de estimação. Naquele momento, eu não entendi o que foi aquilo, mas depois, de tanto assistir às novelas que passam na televisão a cozinha na hora do jantar, compreendi que aquilo foi o que chamam de “amor à primeira vista”. Com o passar do tempo, o menino continuou me amando do mesmo jeito, mas eu sentia que ele ficava muito triste quando eu preferia ficar debaixo do fogão a passar o tempo em sua companhia. Mas este fato, como todas as coisas no mundo, tem uma explicação. 

Não, não era porque eu seguia as novelas de tevê. Tudo começou no dia em que nasci. Mamãe era porquinha-da-índia de uma garota muito malvada. Ela era muito forte e também estabanada. Suas brincadeiras eram bastante violentas. Para você ter só uma idéia, nenhuma boneca dela, por mais nova que fosse, estava inteira: uma não tinha braço, em outra falta perna mais outra estava sem cabeça. O problema era que a garota também achava que os animaizinhos eram brinquedos. Quando eu tinha sete dias de vida, um amigo da dona de mamãe foi lá em casa brincar. Mas não com bola, carrinho, robôs ou videogame. Ele foi brincar conosco. No final daquele dia, eu e mamãe sobrevivemos, ainda assim porque me escondi na serragem da gaiola e mamãe porque mordeu o dedo do garotinho. Meus três irmãos faleceram naquele triste dia. Mas o pior ainda estava por vir. Um dia, a menina invocou que mamãe era um casaco de pele. E foi um puxa dali, estica daqui, torce lá, enrola acolá; foi como se a menina estivesse lavando uma peça de roupa, a garota pendurou mamãe em um varal improvisado. O que nem ela nem eu sabíamos era que os olhos de alguns roedores podem cair se eles forem pendurados de cabeça para baixo. E foi esse o destino de mamãe.                       
Eu certamente seria a próxima vítima. Então fugi da gaiola e da casa da assustadora menina. Mas, nas ruas, também sofri muito com os homens que tentavam me pisotear. Finalmente, entrei em um lugar onde havia muitos animais. Parecia m lugar ótimo, mas era uma loja onde o homem capitalista e louco por lucro nos vende, pobres bichinhos. 

Como vocês podem ver, minha mágoa com os seres humanos vem de muito tempo. E essa mágoa, esse medo, e esse trauma são tão grandes que quando ouvi meu dono falar que os amigos dele iriam visitá-lo no dia seguinte, fugi. Talvez eu tivesse contado minha história ao menino se tivesse tido uma chance e também coragem. Eu realmente tenho um problema com os seres humanos, apenas com eles. 

Mas você, leitor, deve estar se perguntando porque eu decidi escrever contando a minha história.
Bem, quando se está no estômago de um gato malhado que você topou logo após sair da casa de seu ex dono, esperando para ser digerido, não há mesmo muito para se fazer.

MORAL DA HISTÓRIA: “o preconceituoso teme os inimigos e despreza os amigos”. 

Fábula de Letícia Magalhães baseada na poesia “Porquinho-da-índia”, de Manuel Bandeira

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