6 de setembro de 2011

Cai O Pano - Crítica / Resenha


Sinopse
Um já velho Poirot volta ao local de seu primeiro caso, O Misterioso Caso de Styles, à procura de um assassino. Para ajudá-lo, chama seu fiel escudeiro Arthur Hastings, já viúvo, para juntos embarcarem em sua última caçada. Poirot reuniu cinco crimes que, aparentemente, tiveram a participação do assassino que está na mansão de Styles. Fonte: 
http://www.sinopses.leialiteratura.com/2011/09/cai-o-pano-agatha-christie.html


É difícil escrever uma crítica de Cai O Pano sem revelar algum suposto spoiler da narrativa, afinal o seu maior diferencial está em seu desfecho que é um marco de extrema importância na história do célebre Poirot, o seu investigador com arrogância e metodologias excêntricas que acabou por se tornar o personagem mais lembrado e reverenciado da autora.

Mas, mantendo o esforço de manter ocultos estes detalhes, cabe dizer que na história o Capitão Hastings é convocado por um Poirot aparentemente doente para revisitar uma velha pousada; o lugar onde a famosa dupla se encontrou pela primeira e resolveu o primeiro mistério.


Sob auras de ligeira melancolia e muito mistério vemos um livro onde definitivamente o Capitão ganha o caráter do protagonista, com a "debilidade" de seu parceiro cabe a Hastings ser os olhos e ouvidos do amigo, e é do seu ponto de vista que temos a nossa leitura da história. Claro que é comum isso ocorrer nas histórias onde ambos estão juntos, mas com o ensejo doença de Poirot a participação do seu escudeiro se amplia consideravelmente.

O fim então deixa claro que a história está longe de ser apenas mais um dos vários casos solucionados pelo brilhantismo de Poirot diante da surpresa de Hastings (que na maioria das vezes é nossa também), nessa história ocorrem fatos que sem nenhuma dúvida foge aos padrões normais de crime, suspeitas, investigações pouco convencionais e explicitação final.

Em Cai O Pano os elementos da narrativa de romance policial são consideravelmente alterados muito embora continuem, em geral, facilmente presentes e compreensíveis, deixando claro como Agatha Christie sabe conduzir o leitor para onde deseja, apontando suspeitos errôneos e muitas vezes desviando a atenção do real culpado que eu admito não ter considerado. Mas é no aprofundamento da abordagem de Hastings durante o livro e de Poirot, no final, que a obra se destaca.

Com sutileza Christie sabe mostrar muito bem o caráter dos personagens em um livro que traz o gênero coberto por uma carga dramática mais acentuada que dá todo um sabor especial à mistura.

Não vou dizer, porém, que o livro é perfeito pois continuo achando algumas personalidades um tanto esteriotipadas em excesso, além disso o final em termos de desvelamento radical (não gradual) sempre parece um tanto forçado, mesmo que sejam opções estilísticas da autora me desagradam um pouco.

Agora, independente de uma ou outra eventual falha bastante rara, Cai O Pano é um livro realmente muito bom, longe de se limitar as leituras que  julgam de forma ignorante que Agatha Christie é apenas uma contadora de "puzzles", cuja maior qualidade de seus escritos está em decifrá-los estimulando assim o raciocínio (acredite, já ouvi semelhante parecer).

Christie é muito mais que uma criadora de tramas misteriosas, ela é sim uma autora que nos insere num universo convincente onde somos conduzidos pela poderosa mão de sua literatura nas sutilezas da ação humana, em um dos momentos onde ela está mais aparente; o assassinato e a atmosfera que tal evento faz surgir.




4 de 5





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