3 de agosto de 2011

O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (J. R. R. Tolkien) - Crítica / Resenha


Livros em série são semelhantes por motivos óbvios, e "As Duas Torres", sucessor de "A Sociedade do Anel" em "O Senhor dos Anéis", também não é exceção a esta regra. A obra simplesmente  dá continuidade a saga dos hobbits, e de humanos, anões e elfos em busca da destruição do anel e do enfrentamento das tropas do maligno Sauron.

As Duas Torres mantém as qualidades narrativas que são o diferencial de Tolkien, aliando personagens interessantes com o argumento épico envolvente que poucos sabem fazer com tanta desenvoltura quanto ele. Porém, o livro é mais homogêneo em termos de ritmo pois diferentemente do anterior consegue manter o equilíbrio entre descrição (sempre com doses maiores) e ação em todo o decorrer da história.

Se em "A Sociedade do Anel" começamos com uma lenta e prolongada parte de introdução que contrasta com um segundo momento bem mais fluído e preenchido de fatos, em "Duas Torres" esta lógica de uma maior aceleração dos acontecimentos fica em praticamente toda a obra.

Claro que o livro tem seus momentos mas cadenciados como a introdução de mais uma criatura na história, os chamados ents, seres interessante introduzidos por Tolkien cuja maior característica é, veja só, não ter qualquer pressa para fazer a maioria das coisas.

Mesmo com uma história que ganha ritmo pela aproximação do seu desfecho, o livro ainda evidencia seu caráter de preponderância do cenário, ou melhor, da Terra Média tão cuidadosamente confeccionada pelo autor que sempre fará questão de valorizar suas diferentes facetas; desde a convidativa mas austera terra dos homens aos confins destroçados e envenenados dos domínios de Sauron.

É interessante notar que normalmente vemos em outras histórias os personagens se sobressaindo e muito ao mundo em que ele está inserido, e ainda que este local seja fantasioso ele geralmente é uma espécie de metáfora do mundo humano ou simplesmente uma tentativa mal sucedida de criar um universo paralelo convincente. Em Tolkien nenhuma das afirmações expressas na frase anterior se sustentam pois ele faz questão de deixar claro que a história tem a ver como humanos mas não é de nenhuma forma uma alegoria a nossa vida (seja esta alegoria crítica ou não). Além disso o universo criado, por mais que tenha semelhanças com o nosso, denota com clareza sua individualidade pois em verdade ele é sim o convincente e instigante protagonista da história.

Tolkien constrói o seu épico sobre a Terra Média concebendo um mundo de forma muito habilidosa, entretanto os personagens também representam um papel enorme pois, em última instância, são participantes e formadores do universo, afinal as belezas e particularidades da terra dos elfos, por exemplo, se deve a habilidade deste povo.

Assim, reunindo as qualidades de seu antecessor com uma abordagem mais uniforme "O Senhor dos Anéis: As Duas Torres" consegue ser tão bom quanto e surpreendente mais agradável de ler, só aumentado a expectativa para o desfecho da saga.

O único problema que realmente pode incomodar é a pobreza na hora da descrição das batalhas quando comparada com a descrição de lugares e pessoas, como este livro tem um apelo mais bélico esta dificuldade de Tolkien fica mais evidente neste volume. Contudo não chega a prejudicar a leitura numa história que já lhe conquistou por conseguir realizar a "demanda" como poucas...


4 de 5

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