31 de agosto de 2011

Liga da Justiça 1 (Novos 52) - Crítica / Resenha


Depois de muitos anúncios chegamos finalmente à tão esperada reformulação da DC Comics que principia com Liga da Justiça 1, e junto com ela vem também a velocidade dos "piratas" que conseguiram colocar a edição online 2 horas depois de ela chegar nas lojas especializadas.

Graças a estes profissionais estou podendo escrever meu parecer sobre a revista no mesmo dia em que ela saiu nos EUA, aproveitando também para entender o tom das novas histórias e se elas valerão um investimento futuro quando chegarem ao Brasil pela Panini.


Liga da Justiça 1 não é, porém, um início animador e revigorante de um universo, é na verdade o universo de qualidade questionável dos quadrinhos atuais sob um aparentemente renovado pano de fundo.

É bom esclarecer antes de dar maiores detalhamentos que o quadrinho é uma leitura de poucos minutos dando mais enfoque na arte de Jim Lee do que na narrativa de Geoff Johns, a alternativa é interessante afinal é sempre complicado fazer uma edição 1 quando quer se inserir diversos fatos e já deixar tudo esclarecido. Portanto, em razão do caráter breve, não posso dizer taxativamente o que será o Universo DC (e nem a própria Liga da Justiça), só posso comentar o que aparece no primeiro relance.

A história começa 5 anos antes do tempo presente com Batman e Lanterna Verde se conhecendo enquanto perseguem uma espécie de alienígena em Gotham City, como não poderia deixar de faltar os dois quase chegam a um confronto. Outro fato recorrente que acontece nessa primeiro encontro é um perguntar o que o outro faz, o que é completamente condizente com uma revista que se vende à leitores novatos, além disso os heróis também trocam ironias sobre suas capacidades como o Lanterna que não acredita que o Batman é só "um cara comum vestido de morcego". Já o homem morcego, por sua vez, rouba o anel do companheiro e critica sua falta de sutileza quando o Lanterna faz um jato verde brilhante para levá-los até Metropólis em busca do Super-Homem (também desconhecido pelos dois).

Esse é o mote principal da história que quando parece que vai iniciar acaba, o roteiro de Johns nesse sentido tem a superficialidade de um esboço e não caracteriza nenhum dos heróis, só dá a entender que o Batman é um cara mais turrão enquanto o Lanterna mais exibido (e o Super-Homem só aparece na última página). Nenhuma inovação ou revolução qualitativa pode ser constatada na edição.

Já a arte de Jim Lee é sempre bem-feita e cumpre o seu papel com competência, muito embora esteja longe das criações mais inspiradas do desenhista. Alguns problemas nas cenas de ação podem ser percebidos com corpos que não parecem estar se movimentando como seria natural nas ocasiões em que estão, mas nada que seja de grande incômodo.

No que se refere ao novo Universo DC a história deixa algumas pistas afirmando que os heróis são uma espécie de novidade e que aparecem novos todos os dias. Agora o ponto que talvez seja o mais importantes é o diálogo em que Batman e Lanterna Verde comentam que as pessoas os temem deixando sugerido que eles não mais serão tão admirados como quando surgiram lá nas décadas de 30 e 40, seguindo a tendência de mercado atual que afasta os heróis da esfera dos deuses e os personifica como humanos problemáticos detentores de poderes.

Em linhas gerais pouco mais pode ser acrescido sobre a história, afinal de contas ela não é mais que um prólogo que termina bem antes de causar uma impressão forte ou gerar algum interesse considerável. No pouco que se pode ver temos  Jim Lee em boa forma nos desenhos e um argumento pobre mas suportável de Johns, tendo em vista que a hq tem um claro caráter introdutório.

O sentimento que ficou em mim após ler Liga da Justiça 1 foi apatia, pois o quadrinho que reinicia uma nova fase nas hqs da DC Comics deixa muito a desejar quando comparado com aqueles antigos quadrinhos que nas mesmas 20 páginas conseguiam contar muito mais e de forma muito melhor. 

Não que isso seja uma sentença de má qualidade, longe disso, mas parece indicar que a ideia é reformular e reconstruir universos e conceitos enquanto a falta de criatividade das histórias, predominante nos últimos anos, continua inalterada.


2 de 5










7 comentários:

  1. Eu ainda não li e confesso que não estou muito à vontade para vir a ler.
    Eu realmente não gosto do desenho do Jim Lee. Acho que isso foi uma das coisas que me fizeram sair de DC Universe Online, pois não concordo com o design de Mr. Lee para o jogo.
    Tenho acompanhado as críticas de LJA#1 e a opinião comum é que a história é fraca.
    Meu desânimo só aumenta quando vejos coisas como o Rob Liefield colocando aquelas mãozinhas incapazes em Hawk & Dove, por exemplo. Tem um ranço de Image Comics no ar. E eu tenho HORROR a isto.
    Eu torço para que esta era Dan Didio chegue ao fim. Não gosto deste cidadão e a DC foi de pior a pior enquanto ele esteve à frente. Eu sempre confiei na capacidade do Geoff Johns, mas acho que nem ele mesmo anda muito confiável. Você leu a entrevista com o Grant Morrison na Rolling Stone? Ele, que é parte da equipe criativa deste projeto 52, parece um tanto incrédulo com o futuro.
    Eu tenho certeza que em 2 ou 3 anos veremos uma nova Crise e o universo volta ao "normal". Aposto até numa votação pela internet para que os leitores decidam se querem que volte ou que fique como está.
    Ontem eu estava pensando sobre como os heróis foram recriados no começo da era de prata. Será que causou tanto choque na época? Será que daqui a 30 anos os leitores estarão tão familizarizados com esta nova DC 52 quanto nós somos com a era de prata?

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  2. Oxe! E kd a Mulher Maravilha? Nem aparece???

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  3. Roddy, suas questões são bastante pertinentes e em geral concordo com a maior parte do que você falou, sobretudo com as mãos incapazes de Rob Liefeld e o momento ruim de Didio, apesar de uma outro titulo ter sido interessante, mas apenas exceções.

    Só discordo um pouco da arte de Jim Lee da qual gosto, mas nesse aspecto é questão de preferência

    O ponto é que esta reformulação, como o próprio Jim Lee declarou, não toma por base melhorar o Universo DC e sim adequá-lo as histórias de filmes e séries que estão por vir, essas sim promessa de lucro ao contrário dos quadrinhos que a cada dia tem vendas menores.

    Nesse sentido, para atrair novos fãs, faz muito sentido zerar a história, pura questão mercadológica mesmo.

    Obrigado pelo comentário

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  4. Não aparece mesmo "Elisangela", só mais para frente, o que realmente incomoda já que ela faz parte dos três maiores heróis da editora.

    Agora o autor da hq da própria heroína diz que a reformulação concederá a importância que a Amazona merece, vamos ver...

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