29 de julho de 2011

Os Romances de Patricia Highsmith no Cinema - Papel & Película (Coluna)


Talvez o nome da autora americana Patricia Highsmith não seja tão familiar aos ouvidos brasileiros como os de outros autores de best-sellers, a exemplo de Stephen King ou Agatha Christie. Seus romances e contos despertaram especial atenção dos produtores de cinema, e até hoje filmes baseados em suas histórias são considerados essenciais e inesquecíveis.

Patricia (1921 – 1995) escreveu e viveu de maneira incomum para uma mulher de sua geração. Tida como antissocial e bissexual, sua literatura é notavelmente violenta. Seus protagonistas eram mentalmente desequilibrados, capazes de cometer crimes bárbaros. Sob pseudônimo, chegou a publicar uma novela de temática lésbica com final feliz em plena década de 1950. Todos esses ingredientes adicionavam especial suspense aos seus escritos, tornando-os perfeitos para virarem filmes.

Ironicamente, ela começou escrevendo roteiros para histórias em quadrinhos. Seu primeiro livro, publicado em 1950, tornou-se sucesso com a adaptação “Pacto Sinistro / Strangers on a Train”, no ano seguinte. O mestre do suspense, Alfred Hitchcock, foi o encarregado de levar para o cinema a nefasta história de “troca de assassinatos”: um tenista deve matar o pai de um playboy e este mata a esposa do primeiro. O filme tem algumas mudanças da história original, mas todas as alterações o tornam muito melhor, como o clímax no carrossel, idealizado por Hitchcock. Também é possível perceber uma relação homossexual sugerida entre os protagonistas. A obra foi adaptada em duas ocasiões também para o rádio.

A personagem mais famosa da autora é o psicopata Tom Ripley. Ela escreveu uma série de cinco livros sobre ele. Por duas vexes o primeiro livro da série foi adaptado para a tela grande: em 1960 com o título de “O sol por Testemunha / Plein Soleil”, estrelando Alain Delon; e em 1999 com o mesmo título do romance, “O Talentoso Ripley / The Talented Mr. Ripley”, com Matt Damon no papel principal. Usando de todo seu jogo de cintura, Ripley torna-se falsário, assassino, mentiroso e chega a assumir a identidade do amigo. Com algumas personagens e situações inventadas, o filme de 1999, indicado a 5 Oscars, é satisfatório, porém inferior ao de 1960, que arrancou, inclusive, elogios de Highsmith.

Chegou uma hora que a fama e o prestígio de Patricia eram enormes no mundo todo. Prova disso é que, logo após a publicação de “O Jogo de Ripley”, em 1974, o diretor alemão Wim Wenders comprou os direitos da obra para fazer sua própria adaptação. Três anos depois estrearia “O Amigo Americano”, com Dennis Hopper como Tom Ripley, desta vez convencendo um homem com doença terminal (Bruno Ganz) a cometer um assassinato em seu lugar. O cineasta usou também situações também de outro livro da série, “Ripley Under Ground”. Como um filme noir em cores, esta produção convence o espectador mais exigente e está cheia de boas surpresas, embora a história em si seja pouco verossímil.

Além dessas adaptações, a obra de Patricia Highsmith serviu de inspiração para outros programas de rádio, telefilmes e episódios de séries de TV, como a própria “The Alfred Hitchcock Hour”. A vida da autora também foi transformada em filme, sendo “Patricia Highsmith – A Secret Life” hoje pouco acessível. Mulher exótica para sua época, nos legou histórias incríveis e polêmicas que deram origem a maravilhas da sétima arte.


Letícia

3 comentários:

  1. Não conhecia esta autora também mas acompanhei alguns destes filmes que você citou como o "O Talentoso Ripley"

    Parabéns pelo post, muito bom e informativo.

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  2. Você sabe se o livro " O preço do sal", editado algumas vezes como "Carol", virou filme? Ou foi usado como base?

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  3. O livro "O Preço do Sal", publicado por Patricia Highsmith usando um pseudônimo, nunca foi transformado em filme. Trata-se de uma história de amor lésbico, mas, que eu saiba, se foi usado como base para algum filme, isso nunca foi assumido publicamente.
    Obrigada por ler a coluna!

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