20 de julho de 2011

O Silêncio dos Inocentes (Thomas Harris) - Crítica / Resenha


O Silêncio dos Inocentes chegou às livrarias em 1988, sua adaptação cinematográfica em 1991; um raro intervalo de apenas 3 anos entre original e adaptação, demonstrando a confiança da produtora numa obra literária com todos os trejeitos necessários para se tornar um filme de sucesso. O resultado dificilmente poderia ser melhor; o filme estrelado por Jodie Foster e Anthonny Hopkins levou simplesmente os principais prêmios do oscar daquele ano; melhor atriz, ator, diretor e filme.

Assim, assistindo ao filme, e me interessando pela história, fiquei curioso para conhecer melhor o livro e neste ano finalmente tive acesso à obra original e felizmente não me decepcionei, Thomas Harris consegue construir uma narrativa de suspense psicológico com competência, fazendo com que o leitor fique ansioso pelo desfecho, no meu caso não muito pois eu já tinha alguma noção do que ocorreria por ter assistido ao filme.

O livro, porém, consegue se aprofundar bem mais na personalidade dos personagens possibilitando uma melhor visualização da agente formanda Clarice Starling e de seu "tutor", por assim dizer, Jack Crawford, que ocupa uma posição muito importante no livro sendo uma espécie de conselheiro intelectual que se assemelha ao doutor Hannibal Lecter; a grande diferença é que o primeiro é um defensor da lei e o outro é um maníaco psicopata que se diverte com a situação.

A história do livro é basicamente a busca pelo assassino Buffalo Bill que esfola e mata mulheres. Para conseguir que o do Dr. Lecter revele o que sabe sobre o assassino, o policial Jack Crawford convoca a agente Starling. Mas o que torna a obra uma literatura de qualidade não é apenas seu argumento inicial pois ela não se prende a ele, o que a torna diferenciada é a abordagem realista que expande a narrativa no interior dos personagens.

A ambição e o temor de Starling, a obstinação e o drama enfrentado por Crawford e a loucura sã de Lecter são bem apresentados num livro que é antes de tudo psicológico; tanto que Harris adora deixar claras as sensações enfrentadas pelos personagens ou simplesmente sugeri-las através do comportamento dos mesmos.

Mesmo o assassino, que é o grande "vilão" da obra, não é um monstro, é sim um perturbado que vive dentro de uma vida com lógica própria, onde os absurdos que comete fazem todo o sentido para ele, enquanto a dor dos demais não.

No entanto, o livro não chega a ser perfeito, algumas vezes as descrições soam um pouco superficiais em excesso em relação a um ou outro personagem e Harris também não é mestre em questão de domínio do estilo. Sua narrativa se assemelha a uma descrição jornalística da história: apesar de conseguirmos captar os personagens muito bem, o fazemos com a impressão de que estamos sendo informados e não que eles estejam se apresentando como tal.

Além disso, a própria escolha de termos é deficiente pois falta ao autor conseguir imprimir significados profundos em palavras simples .A maioria das coisas são descritas de forma direta com fins didáticos, como eu faço aqui ao tentar esclarecer minhas impressões.

Mas não há porque salientar as ausências existentes, já que fora algumas superficialidades o romance de Harris é competente em cumprir o seu objetivo: narrar um "thriller" de suspense lotado de análises psicológicas sutis, e nem tanto, que promovem uma bem-vinda reflexão acerca da condição humana.

O Silêncio dos Inocentes é um livro que consegue aliar uma história de apelo popular com uma discussão de caráter mais profundo que não incomoda os leitores casuais, e por isso, apesar das pequenas deficiências, é sem dúvida uma boa opção de leitura.

Por fim, não posso esquecer de mencionar que não foi desta vez que a adaptação superou o original; o livro é sim melhor que o filme!



3 de 5



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente e Dê sua Opinião Sobre O Tema.

Lembrando que qualquer opinião com boa educação é muito bem-vinda, mas ofensas são excluídas.

(obrigado pela visita, volte quando puder)