17 de julho de 2011

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (J. R. R. Tolkien) - Crítica / Resenha


Quem não conhece uma das maiores sagas épicas de fantasia do último século? J. R. R. Tolkien escreveu um livro que consegue fazer de uma história com amplo apelo popular uma opção de leitura para que nem os mais ortodoxos críticos possam colocar defeito... Bom, na verdade eles sempre podem, mas temos a certeza quase que absoluta de que eles estarão enganados se assim fizerem.

Na primeira parte da saga dos hobbits, que são de longe as grandes estrelas do livro, temos uma introdução prolongada sobre os hábitos deste povo curioso e desconhecido inventado pelo autor, óbvio que há inspirações mas o próprio termo hobbit pertence a Tolkien enquanto propriedade intelectual. Por esse apreço de pai para com o seu filho os "pequenos" ganham diversas características, como uma complexa estrutura de sua sociedade contando com calendários, modo de vida e árvores genealógicas.

Nesta descrição do cotidiano e da história de seus personagens principais Tolkien se demora com o prazer de quem adora desenvolver rpg, pois ele cria todo um mundo paralelo cheio de características próprias e interessantes no seu estilo convincente e leve de escrever. Muitos acreditarão que essa parte, que realmente é grande, é o ponto negativo do livro pois apresenta muito falatório descritivo e pouca ação. 

Tal acusação procede pois realmente Tolkien parece não saber medir muito bem o quão prolongado fica o desenvolvimento dos hobbits, tanto que "A Sociedade do Anel" só aparece lá pela metade da obra. Todavia apontar a descrição como defeito é um absurdo pois é justamente neste aspecto que se revela a maestria da narrativa em "O Senhor dos Anéis".

O autor narra bem as aventuras e os dramas de Frodo e da comitiva do anel mas só é realmente diferenciado quando explora a sua criação, onde reside o brilhantismo de sua obra. Todas as tribos, lugares e cenários saltam aos olhos com uma veracidade poucas vezes vista anteriormente, graças a sua descrição extremamente competente. As individualidades do personagens existem mas são completamente devedoras do grupo em que participam. Os elfos por exemplo, que se equiparam aos hobbits em exposição durante o livro, são uma unidade, bem como anões e até mesmo humanos.

Estranha-se como a comitiva do anel é formada por até então completos desconhecidos, mas vê-se logo familiaridade neles como membros legítimos das tribos a que pertencem.

Assim a aventura sustentada pelo maravilhoso universo de Tolkien fica muito interessante conseguindo alternar momentos de tensão, pelos personagens em suas desventuras em busca de seus anseios pessoais e da destruição do anel, com ocasiões de puro deleite imaginativo nas descrições sempre cuidadas do autor.

O primeiro livro da jornada de hobbits, homens, elfos, e anões no confronto contra as hordas de Sauron é assim, começa lento com uma descrição prolongada que vai ganhando em tensão e velocidade conforme o tempo passa e a "demanda" mostra sua urgência. Desta maneira a obra encanta como aventura completamente, e felizmente, submetida ao universo ricamente ilustrado de J. R. R. Tolkien.



4 de 5


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